Retrospectiva: minhas viagens em 2019

Eu adoro retrospectivas. E relembrar as viagens que eu fiz durante o ano que passou sempre me ajuda a ter uma visão mais ampla de como eu passei meu tempo livre, mês a mês. 2019 foi um ano em que eu cresci e me desenvolvi no meu emprego, e tive o prazer de viajar tanto de férias como a trabalho. Não deu pra viajar em julho ou novembro, já que eu tive visitantes muito especiais em Berlim nos dois meses, e também em fevereiro (que é sempre um mês bem devagar…).

Foi em 2019 que eu atingi (e passei) a minha meta pessoal de visitar 30 países antes dos 30 – cheguei aos 33 países aos 29 anos de idade! Foram 5 países novos só esse ano: Israel, Palestina, Chipre, Luxemburgo e Croácia.

Posts anteriores da mesma série:
Minhas viagens em 2018
Minhas viagens em 2017
Minhas viagens em 2016
Minhas viagens em 2015


JANEIRO: Rio de Janeiro / Ilha Grande (Brasil)

Como de costume, eu passei o Ano Novo na minha cidade natal, Rio de Janeiro. E também aproveitei para passar alguns dias em Ilha Grande pela primeira vez, um paraíso tropical perto do Rio, com praias e natureza maravilhosas.

ilhagrande
Praia do Aventureiro, Ilha Grande

MARÇO: Ziethen (Alemanha)

Em março, meus colegas de trabalho e eu passamos alguns dias na viagem de inverno da nossa empresa em um hotel-palácio em Ziethen, uma cidadezinha a 1 hora ao norte de Berlim.

ABRIL: Nápoles + Pompeia + Costa Amalfitana (Itália) / Nova Iorque (EUA)

Eu e meu namorado passamos o feriado de Páscoa visitando o sul da Itália: Nápoles, Pompeia, o Monte Vesúvio, além de Sorrento e Positano na Costa Amalfitana. E, claro, comemos muita pizza boa!

positano
Positano

Em abril eu também voltei a Nova Iorque a trabalho, mais de 8 anos após a minha primeira visita, e tive o prazer de visitar uma amiga que tá morando lá e passar meu aniversário com ela em NYC. Foi também a primeira vez que eu voei business / primeira classe – uma experiência que nunca vou esquecer!

MAIO: Nova Iorque (EUA)

Nova Iorque não queria se livrar de mim tão cedo e, no mês seguinte, eu fui lá a trabalho mais uma vez. De lá, voei direto para as minhas férias em Israel.

nyc
NYC

JUNHO: Israel & Palestina

Em junho, eu e meu namorado passamos 11 dias visitando um casal de amigos que está morando em Tel Aviv e em Jerusalém, em Israel. Também visitamos várias cidades na Palestina, incluindo algumas pouco visitadas por turistas (como Nablus, Ramallah e Jericó, além de Belém), já que a nossa amiga tinha um passaporte e carro diplomáticos que nos permitiram chegar a esses lugares. Também fomos a Massada, ao Mar Morto, ao norte de Israel (Nazaré, Cafarnaum, Galileia, Rio Jordão, Haifa, Acre). Esse foi o destino mais ao oriente que eu já visitei até agora e aprendi muito sobre a história e o conflito dessa região.

israel-palestine
Muro em Belém, Palestina

AGOSTO: Sul da Alemanha

Em agosto, fiz uma viagem a trabalho para uma cidade ao sul da Alemanha (nome não revelado por motivos de confidencialidade).

SETEMBRO: Chipre / Sul da Alemanha / Luxemburgo / Split (Croácia)

Setembro foi bem agitado! Voltamos ao Mar Mediterrâneo para passar férias de praia no Chipre, um país-ilha onde a maior parte do território é influenciada pela Grécia, e uma porção ao norte é ocupada pela Turquia. Visitamos as regiões de Paphos, Limassol, a Blue Lagoon, Larnaca, Ayia Napa e Nicosia – esta última sendo a única capital no mundo que ainda está dividida. Nós cruzamos a fronteira a pé para visitar brevemente o lado turco.

cyprus
Cape Greco, Chipre

Também estive a trabalho em outra cidade ao sul da Alemanha (nome confidencial) e fui pela primeira vez a Luxemburgo para dar uma palestra representando a minha empresa. Conheci a capital, Cidade de Luxemburgo, e a cidade universitária de Belval.

Para completar, tive uma viagem de verão maravilhosa da minha empresa, com meus colegas de trabalho, para Split, na Croácia. Visitamos a cidade antiga, as cachoeiras do Parque Nacional de Krka, fizemos zip lining e comemos muuuito bem. Foram dias sensacionais!

krka
Parque Nacional Krka, Croácia

OUTUBRO: Spreewald (Alemanha)

Felizmente, em 2019 o mês de outubro foi bastante quente e ensolarado em Berlim e arredores, então fizemos um bate-e-volta com amigos num domingo à cidadezinha de Lübbenau, na região de Spreewald, por volta de 1 hora ao sul de Berlim, conhecida como “a Veneza da Alemanha”. Lá, alugamos canoas e remamos por algumas horas pelas dezenas de canais que ligam um vilarejo ao outro.

spreewald
Spreewald

Em outubro também fui passar uma noite em Leipzig, para assistir ao show Corteo do Cirque du Soleil, a convite do meu querido amigo Max, e depois fazer um tour dos bastidores. Aproveitamos para visitar uma amiga que mora lá, que também foi ao show conosco. No fim de semana seguinte, foi a vez de ele me visitar em Berlim.

DEZEMBRO: Rio de Janeiro (Brasil)

Meu ano terminou como começou, na minha cidade natal.


Agora tá na hora de uma das minhas atividades favoritas: planejar as viagens deste ano novo que tá começando!! 🙂

Feliz 2020 para todos(as)!

Minha experiência de palestrar no TEDx: a preparação e o que aprendi

Em de dezembro de 2018, eu fui umas das palestrantes no evento TEDxHUBerlin – o que foi uma grande experiência. Além de discutir sobre o tema da minha palestra, muitos dos meus amigos e colegas me perguntam, “Como foi o processo?” “Quantas vezes você praticou?” “Você ficou nervosa?” “Como a plateia reagiu?”. Então eu pensei em compartilhar aqui como toda essa experiência do TEDx foi para mim.

20181201-TED-02433
Photo by SeeSaw Agency | Gregor Zielke

Por volta de agosto de 2018, eu me deparei com um post no Facebook do TEDxHUBerlin com uma chamada para palestrantes. Eu gosto muito de falar em público, e tenho o feito desde cedo: no Rio, quando eu tinha apenas 14 anos, fiz um discurso em inglês para 3.000 pessoas na minha formatura do curso de inglês. Durante meu doutorado, eu me envolvi muito com divulgação científica e fiz apresentações, por exemplo, em um Science Slam e no Soapbox Science duas vezes, entre outros eventos. Então, sempre foi um sonho meu ser uma palestrante do TED/TEDx, que é provavelmente a plataforma de palestras mais conhecida do mundo.

Meu primeiro pensamento quando vi o post foi: “Eu adoraria fazer isso, mas acho que nunca vou ser selecionada…” E então meu segundo pensamento foi: “mas não custa nada tentar… eu não tenho nada a perder mesmo…”

Então, algumas semanas depois, eu decidi me inscrever. Tive que responder perguntas em um formulário online sobre a minha motivação e mostrar provas da minha experiência como palestrante. Eu incluí o vídeo do meu Science Slam em 2017 (em alemão), que foi outra experiência interessante (você pode assisti-lo aqui).

Depois de enviar o formulário,  não pensei mais muito sobre isso e viajei de férias com meus pais, que estavam na Europa naquela época. Cerca de um mês depois, eu ainda não tinha tido nenhuma resposta deles, então imaginei que não havia sido selecionada. Mas então, no dia 21 de outubro, recebi um e-mail me convidando para ser uma palestrante. Eu me lembro que estava em voltando para Berlim de trem quando li a mensagem no meu telefone, e tive vontade de pular de animação, mas tive que me conter para evitar olhares de estranheza dos outros passageiros.

Logo depois, a ficha caiu: eu tinha menos de 6 semanas até o dia do evento! Eu tinha que fazer muito bom uso do tempo.

O primeiro passo foi entrar em contato com os organizadores do evento para obter mais detalhes. Eu tive a liberdade de escolher o tema da minha palestra, e já havia sugerido alguns na minha inscrição. Eu decidi optar por “coisas que precisam mudar no mundo acadêmico” por diversas razões: 1) é um tema bastante pessoal para mim e com o qual eu me identifico; 2) eu tinha exemplos da vida real da minha própria experiência para usar na história; 3) o TEDx onde eu ia palestrar era na HU Berlin (Universidade Humboldt), então a maior parte do público presencial provavelmente seria de estudantes, para quem esse tema seria mais relevante; 4) eu já havia escrito e postado um artigo no LinkedIn sobre o mesmo tema em 2016 e recebi um enorme feedback positivo de pessoas dizendo o quanto elas concordavam (atualmente tem 70.000 visualizações).

Depois de definir o tema, meu plano era claro: eu iria escrever o roteiro da palestra, editá-lo até ficar feliz com o resultado e só então começaria a memorizar o texto. 99% das palestras que eu faço não são decoradas palavra por palavra, mas um TEDx tinha que ser. É importante demais pra confiar em improvisos no palco, sem mencionar que seria filmado, então tinha que ser tudo certinho. E não faria sentido tentar decorar o texto antes de chegar à versão final, pois as mudanças só iriam complicar a memorização.

Eu já tinha bastante experiência em escrever e editar, então sabia que seria um processo e que meu texto passaria por várias transformações. Mesmo assim, essa parte não foi fácil. Eu só tinha algumas semanas para conceituar, escrever, digerir, editar, memorizar, fazer os slides e praticar. Além disso, eu tinha acabado de começar um emprego em tempo integral em consultoria com horas bem puxadas. Quando eu havia sonhado em dar uma palestra no TED ou TEDx, imaginei que teria meses para me preparar. Mas na realidade eu tinha que me virar com só algumas semanas. Lá no fundo eu sabia que conseguiria, mas houve momentos que foram bastante estressantes, quando eu ainda não conseguia ver a versão final do texto se formando. Meus pais e meu namorado foram grandes apoiadores nesse momento, me assegurando que eu chegaria lá.

20181201-TED-00913
Photo by SeeSaw Agency | Gregor Zielke

Eu aprendi lições valiosas enquanto escrevia o texto da minha palestra. Para começar, a primeira versão tinha tudo o que eu queria dizer, mas não estava soando como uma palestra – era mais um artigo. Então tive que reescrever o texto, prestando atenção em como ele iria soar para uma plateia ao vivo, e não para um leitor. Bastante como um roteiro para uma peça ou um filme.

O segundo ponto que eu aprendi é que não se pode dizer tudo em uma palestra. Meu tema era “coisas que precisam mudar no mundo acadêmico” – e existem taaantas coisas. Eu também queria falar sobre os problemas do sistema de publicação científica, de saúde mental de graduandos e de desigualdade de gênero na ciência. Os organizadores do TEDx apresentaram os palestrantes a um coach de comunicação que fez observações sobre nossos textos. O coach disse que eu não precisava melhorar nada no jeito que eu estava falando e apresentando o meu discurso – isso estava ótimo. Mas ele sugeriu que eu focasse em um único tópico para poder cobri-lo direito – afinal, a palestra só poderia ter 18 minutos no máximo. Eu concordei e reestruturei o texto para focar na minha mensagem principal.

Desde o início, eu também queria que a minha palestra fosse o mais divertida possível – então adicionei várias piadas, e as testei com alguns amigos, porque nunca se sabe se o público do evento vai achá-las engraçadas ou não.

Finalmente cheguei à versão definitiva da minha palestra, com a qual fiquei bastante satisfeita. Isso foi depois de várias rodadas mostrando as mudanças e recebendo comentários dos meus dois editores favoritos: meu pai e meu querido amigo, Ahmed Khalil. Os dois têm muita experiência em edição, perfeito domínio do inglês e me conhecem muito bem – eles sabiam as conclusões a que eu queria chegar e como eu soaria dizendo aquelas palavras em voz alta. Um grande obrigada aos dois pelas suas perspectivas!

Eu tive uma semana para memorizar minha palestra palavra por palavra e praticá-la. Eu costumo achar fácil decorar textos, então esse tempo foi suficiente para mim. Eu imprimi o texto (4 páginas e meia) e o repeti em voz alta em casa, tentando ler cada vez menos do papel. Repeti, repeti e repeti. Fiz meus slides em algumas horas e comecei a praticar com eles também. Eu praticava uma vez antes de ir trabalhar e uma vez depois de chegar em casa. Acho que todas as paredes do meu apartamento ouviram esse texto pelo menos umas 5 vezes. Eu tive um ensaio geral no local alguns dias antes do evento, mas sem o palco ou microfone.

No grande dia, 1º de dezembro de 2018, eu na verdade também tive um outro evento – sobre carreiras para cientistas – que eu tinha ajudado a organizar, então passei o dia todo ocupada, conversando com alunos de pós-graduação sobre meu novo trabalho (também muito a ver com o tópico da minha palestra). No final da tarde, fui direto para o local do TEDx: die Heilig-Geist-Kapelle (a Capela do Espírito Santo), que não funciona mais como uma capela, mas como um local para eventos. Fica dentro de um edifício histórico da Universidade Humboldt em Berlim Mitte, onde se encontra a Faculdade de Administração e Economia. Eu era a última palestrante em um programa com 9 apresentações. Quando eu cheguei, havia ainda duas palestras antes da minha, mas eu só pude assistir à primeira, já que durante a outra eu estava nos bastidores colocando o microfone.

Quando me chamaram para o palco, eu surpreendentemente não estava nervosa. Eu me senti confortável, no meu habitat natural. Eu estava muito presente e ciente do meu entorno. Tudo correu bem: eu me lembrei do texto todo (que era uma das minhas maiores preocupações) e as pessoas riram da maioria das minhas piadas irônicas (mesmo que a gravação de vídeo não tenha captado muito, já que não havia microfone para o público). Minhas duas pessoas favoritas em Berlim, meu namorado e meu amigo Ahmed, estavam na plateia.

Logo após o fim da palestra (e do evento), várias pessoas da plateia vieram falar comigo e me deram um feedback muito positivo. Elas disseram que eu as inspirei a procurar opções de carreira fora do mundo acadêmico, que falei muito bem e com entusiasmo, que sou uma oradora natural e que deveria fazer isso com mais frequência; que não dava pra dizer que eu tinha memorizado o texto, pois eu falei naturalmente, como se o estivesse dizendo pela a primeira vez. Também disseram que a minha palestra foi a melhor do dia! Eu pensei que tinha sido só por falar, mas mais tarde uma das organizadoras do evento me disse que ela tinha ouvido o mesmo de outras pessoas da plateia!

20181201-TED-00882
Photo by SeeSaw Agency | Gregor Zielke

Falando da equipe do evento, também devo dizer que adorei conhecer os organizadores do TEDx com quem interagi: Rawan Alraish, Priianca Banerji, Senyao Hou e Konstantina Nathanail. Meus agradecimentos a eles pelo trabalho duro e por terem sido tão gentis comigo!

Depois daquele dia, obviamente eu estava muito curiosa para assistir ao vídeo da minha palestra. Quando finalmente saiu, fiquei bastante feliz com o resultado. É claro que sempre há coisas que você gostaria de mudar, mas acho que eu fiz o melhor possível com o tempo que tive.

Depois de alguns dias extras de trabalho, também consegui colocar legendas em inglês e português na minha palestra, algo que era muito importante para mim, para que pessoas com deficiência auditiva ou que não falam inglês também pudessem entender. Tudo teve que ser feito através de uma plataforma que eu não conhecia e sobre a qual aprendi: a dos tradutores do TED, que são centenas de voluntários que traduzem e transcrevem todos os tipos de palestras do TED. A minha palestra agora também tem legendas disponíveis em espanhol graças a eles! (Olha que legal!) Meus agradecimentos aos tradutores e revisores que dedicaram seu tempo para trabalhar nas legendas da minha palestra: Leonardo Silva, Daniela Pardo e Silvina Katz.

Eu realmente acredito nas palavras que disse e estou muito feliz por poder propagar essa ideia. Desde então, tenho recebido muitos comentários positivos, de amigos, colegas, clientes, e de várias pessoas que eu não conhecia antes. Graças à essa exposição, fui convidada para dar outras palestras e várias pessoas se informaram sobre a empresa onde eu trabalho e algumas mostraram interesse em trabalhar lá. Os programas de pós-graduação em que me formei me deram total apoio e até postaram a minha palestra em seus sites: esses são o programa de mestrado Neurasmus e o Einstein Center for Neurosciences Berlin, que está vinculado ao programa de doutorado que eu fiz.

Sou muito grata por ter tido essa oportunidade e experiência única! Foi realmente um sonho que se tornou realidade para mim.

Resumindo: a jornada de preparar e apresentar uma palestra no TEDx não foi fácil (a parte da preparação sendo muito mais difícil do que a apresentação, na minha opinião), mas extremamente recompensadora! 🙂

Assista ao meu TEDx abaixo e compartilhe à vontade:

 

 

 

Retrospectiva: minhas viagens em 2018

2018 foi um ano cheio de mudanças para mim – e elas conseguiram superar as expectativas! Ano passado, eu terminei meu doutorado (motivo suficiente pra levar o prêmio de melhor-ano-da-vida), me mudei pra um apartamento novo e lindinho com meu namorado, comecei a trabalhar no emprego que eu queria, e no final ainda dei uma palestra no TEDx! Olá, vida adulta! Resumindo assim, parece o roteiro perfeito – mas ah, como teve seus altos e baixos…

Eu estive tão ocupada que não havia postado aqui desde agosto passado (tsc, tsc). Mas agora eu estou de volta, e quero continuar a tradição de fazer uma retrospectiva das viagens que eu fiz no ano anterior (pela quarta vez já!).

Posts anteriores da mesma série:
Minhas viagens em 2017
Minhas viagens em 2016
Minhas viagens em 2015


Em 2018, eu não consegui viajar todos os meses, o que geralmente é a minha meta: você vai notar que fevereiro, maio e novembro ficaram de fora. Mas as viagens que eu fiz foram muito especiais e trazem ótimas lembranças. Foi um ano em que meus pais vieram me visitar (minha mãe pela primeira vez) e em que eu retornei às cidades onde eu morei durante o mestrado – justamente no mesmo ano em que eu terminei o doutorado e fechei o ciclo da vida acadêmica. Se fosse um filme, teria levado o título “De volta às origens”. 😀

JANEIRO: Rio de Janeiro (Brasil) / Usedom (Alemanha)

Eu normalmente passo o Ano Novo na minha cidade natal, o Rio. Dessa vez, eu tive a companhia de uma amiga dos programas de mestrado e doutorado. E depois de voltar ao inverno de Berlim, eu fiz um bate-e-volta a Usedom, uma ilha no Mar Báltico, no nordeste da Alemanha.

MARÇO: Nennendorf / Oeste da Alemanha

Março me levou mais uma vez ao Mar Báltico (os alemães usam qualquer oportunidade pra ir pro litoral, mesmo no inverno), em um fim de semana aconchegante em que um grupo grande de amigos alugou uma casa inteira só para nós, em um vilarejo chamado Nennendorf.

E no primeiro feriadão do ano (Páscoa), uma amiga e eu fomos em direção ao oeste da Alemanha para visitar Colônia, Bonn, Düsseldorf, Koblenz e Aachen. O destaque foi o Castelo Drachenburg, cujo mirante principal esteja fechado temporariamente, mas mesmo assim nós demos um jeito de entrar na área proibida para tirar fotos lindas como esta:

drachenburg
Castelo Drachenburg em Königswinter

ABRIL: Grécia

Meu aniversário se tornou um fim de semana prolongado junto com o feriado de primeiro de maio, quando eu visitei a Grécia, com todo o seu sol e calor, pela primeira vez – fazendo base em Atenas e de lá bate-e-volta de um dia para Nafplio (dica de um amigo meu grego) e um passeio de barco até algumas das ilhas ali perto: Hydra, Poros e Aegina.

athens
Atenas, Grécia
nafplio
Nafplio, Grécia

JUNHO: Lisboa + Algarve (Portugal)

Como eu tenho família e raízes em Portugal, eu sempre volto lá. Dessa vez, eu visitei uma amiga querida do Rio, de longa data, que estava morando em Oeiras, pertinho de Lisboa, e alguns dos meus parentes, e depois fui para o sul para aproveitar as praias do Algarve (minha segunda vez lá). Tudo isso no meio da Copa do Mundo. Que semana maravilhosa e acolhedora que foi!

algarve
Praia do Camilo, Lagos, Algarve

JULHO: Göttingen (Germany)

Um casal de amigos meus comemoraram a formatura do doutorado deles em Göttingen (onde eu fiz meu mestrado e morei por quase 2 anos) e eu não podia perder. Um fim de semana revendo velhos amigos, festejando e indo assistir a jogos da Copa do Mundo nos mesmos lugares onde eu havia assistido 4 anos antes.

AGOSTO: Rackwitz (Alemanha) / Bordeaux (França)

Um casamento muito lindinho de um casal de amigos, no campo, nos levou a um vilarejo chamado Rackwitz, perto de Leipzig, em um fim de semana de verão.

Mais tarde no mesmo mês, eu voltei a Bordeaux, onde eu morei e estudei por um semestre durante o mestrado, para o encontro anual do meu programa de mestrado. Como sempre, foi uma semana cercada de amigos queridos (antigos e novos), comemorações, troca de ideias e até uma visita ao Château de Montaigne com a obrigatória degustação de vinhos.

chateaudemontaigne
Château de Montaigne, França

SETEMBRO: Norte de Portugal

Meus pais e padrinhos (que são bem próximos a mim) vieram me visitar em Berlim – foi a primeira vez da minha mãe na Alemanha! Então, naturalmente, meus pais e eu fomos visitar nossa família no norte de Portugal, onde eu já havia ido algumas vezes. Eles fizeram o tour completo conosco: Porto, Coimbra, Viseu, Aveiro… Portugal é um país onde sempre é ótimo estar de volta.

berlineastsidegallery
East Side Gallery, Berlim
aveirocostanova
Costa Nova, Aveiro, Portugal

OUTUBRO: Hamburgo (Alemanha)

Seis garotas vindas de três cidades diferentes da Alemanha conseguiram se encontrar em Hamburgo para um fim de semana de despedida de solteira – que foi uma surpresa para a noiva, inclusive o programa que nós planejamos: salão de trampolins, paintball, brunch e claro, uns bons drinks.

hamburg
“The Chug Club”: excelente bar em Hamburgo, Alemanha

DEZEMBRO: Rio de Janeiro (Brasil)

Como de costume, eu passei os últimos dias do ano no Rio – e essa foi a primeira vez que meu namorado também foi! Passamos o Ano Novo vestidos de branco, com um casal de amigos queridos que também foram para o réveillon, com os pés nas águas da praia de Copacabana e os olhares para os fogos de artifício no alto.

rioreveillon
Réveillon em Copacabana, Rio

Como 2018 teve tantos marcos importantes para mim, vai ser difícil superar esse ano… Mas… dê o seu melhor, 2019! Espero que todo mundo tenha ótimas viagens esse ano!

6 anos depois… ainda na Europa!

Hoje faz 6 anos que eu me mudei pra Europa, e 3 que eu comecei uma plataforma para compartilhar meus pontos de vista sobre viver no exterior: este blog.

Seis anos inteiros. São 2 copas do mundo que eu vivenciei aqui. Ou, em termos acadêmicos, é a duração total de um mestrado mais um doutorado (então, acredite, é muito tempo).

Meus colegas da pós-graduação, com quem eu compartilhei essa jornada europeia desde o primeiro dia, e eu estamos terminando nossos doutorados este ano. Então, pra nós, este 6º Euroversário é o fim de uma era, o encerramento de um ciclo.

Eu tento fechar os olhos e imaginar eu mesma 6 anos mais jovem chegando aqui. Lembro de me sentir super animada, extremamente grata e surpreendentemente destemida. Mas será que eu achava, naquela época, que eu ainda estaria vivendo aqui depois de todo esse tempo? Ou, melhor dizendo, que eu ainda iria querer morar aqui?

Eu tinha sim uma atitude de mente aberta, de “vamos ver no que vai dar”, mas com uma leve tendência de achar que eu iria querer voltar pro meu país de origem eventualmente, depois dos meus estudos.

Mas meu mestrado e doutorado se passaram e eu ainda estou aqui. Felizmente, por escolha. Até mesmo o meu lado mais aventureiro do passado não poderia ter previsto que minhas intenções atuais fossem ser tão claras. Eu cheguei à conclusão que Berlim é o lugar onde eu quero estar no momento.

Eu tive a oportunidade de morar em, e visitar, várias cidades da Europa nestes últimos 6 anos, e encontrei um lar na Alemanha – especificamente, na capital. Não é novidade que Berlim é uma cidade interessante, barata, tudo-menos-entediante, com condições de moradia difíceis de serem batidas. Essa cidade me ganhou.

Isso quer dizer que a vida aqui é só flores? De jeito nenhum. Eu às vezes fico com vontade de xingar certos alemães em português? Com certeza. Mas todo lugar no mundo tem as suas desvantagens, então o que importa no fim das contas é que os prós superem os contras. E eu não consigo pensar em nenhum motivo pra deixar Berlim ou em qualquer outra cidade onde eu estaria mais feliz morando.

Pelo menos por enquanto. O ditado “nunca diga nunca” é tão válido agora quanto era há 6 anos. Na minha adolescência no Brasil, eu não tinha ideia de que um dia eu iria construir um novo mundo meu na Alemanha. Então é inútil tentar prever o que o futuro vai trazer.

Tudo o que sei é que, 6 anos depois, eu ainda estou aqui – mais grata e satisfeita do que nunca.


Posts reflexivos da mesma série:

2017 – 5 anos na Europa

2016 – 4 anos na Europa

2015 – 3 anos na Europa

7 coisas que você precisa saber ao se mudar para a Alemanha

moving

Essas dicas são pra quem está se mudando, ou acabou de se mudar, para a Alemanha. A maioria delas é relacionada à burocracia alemã ou como evitar multas. Mas, fazer o quê – essas são as coisas que você precisa saber com mais urgência – antes mesmo de descobrir onde fica o Biergarten mais próximo. Então vamos começar a nos acostumar com as regrinhas alemãs:

1. Você tem que registrar seu endereço em um escritório do governo

Uma vez tendo seu endereço fixo no seu novo lar alemão, você precisa marcar um horário (Termin) em um escritório do governo (Bürgeramt) na cidade onde você agora mora para fazer um registro (Anmeldung) do seu endereço. Leve seu passaporte e seu contrato de aluguel com você. Desta forma, o governo alemão sabe onde você e todos os outros cidadãos moram. O registro é gratuito e se recusar ou demorar a fazê-lo pode te causar uma multa. Oficialmente, ele deve ser feito dentro das suas duas primeiras semanas na Alemanha.

Se você se mudar para um novo endereço, você precisa se registrar novamente (Ummeldung) e se você sair da Alemanha, é necessário cancelar o registro (Abmeldung).

Basta digitar no Google: Anmeldung + nome da cidade alemã onde você vive, e você encontrará o site oficial para marcar o horário e obter mais informações.

2. Ter seguro-saúde é obrigatório

Ou seja: mesmo sendo caro, não tem jeito. Você vai precisar apresentar seu número do seguro de saúde para poder assinar um contrato de trabalho, por exemplo. A boa notícia é que, por lei, o empregador paga metade do custo. Existem dois tipos de seguro-saúde na Alemanha: público e privado. E há várias empresas que oferecem pacotes diferentes por preços diferentes. A grande maioria dos alemães tem um seguro público que cobre tudo. Alguns estrangeiros preferem ter um seguro privado se não forem permanecer por um longo período de tempo, porque às vezes podem ser mais baratos. Pesquise na internet, pergunte a colegas e compare as diferentes opções para fazer a melhor escolha para você.

3. Ter uma conta bancária alemã não é obrigatório oficialmente, mas na prática é

Você vai precisar de uma conta bancária alemã para pagar seu aluguel e seguro-saúde, para receber seu salário ou qualquer tipo de pagamento, para obter um plano de telefone alemão ou internet em casa. Então, mesmo que não haja uma lei dizendo que quem mora na Alemanha precisa ter uma conta bancária alemã, é provável que você não consiga se virar sem uma.

4. Você deve carimbar o seu bilhete ao usar o transporte público

Isso parece óbvio para a maioria das pessoas que estão acostumadas com a cultura europeia, mas pode ser confuso para pessoas que vêm para a Alemanha de mais longe. Diferente de outros países da Europa, o transporte público em cidades alemãs geralmente não possui catracas onde você tem que colocar seu bilhete para entrar. Tudo é baseado na confiança. Você deve sempre ter um bilhete válido e estampado ao usar o metrô, trens, bondes ou ônibus na Alemanha. Os controladores de ingressos podem aparecer a qualquer momento (à paisana, sem um uniforme específico) e pedir que você mostre seu bilhete. Se não estiver carimbado e válido, você será multado (atualmente €60 em Berlim).

5. Fazer download pirata de música e mídia gera multas

Faça o que fizer, NÃO faça download de músicas, filmes ou programas de TV pela internet. Isso inclui torrent: nunca use torrent na Alemanha. É melhor até deletar os programas de torrent que você possa ter no seu computador. Eles sabem como te encontrar (se lembra do Anmeldung?), mesmo através da identificação do seu computador, e bastante gente, geralmente estrangeiros, é multada por esse motivo. Eu já ouvi exemplos reais de estrangeiros que não sabiam dessa regra e receberam uma multa de mais de €800. Então, melhor não arriscar. A solução: usar streaming online não vai te causar problemas, ou pagar pela mídia que você está usando (através de Netflix, Apple Store, Spotify, etc.).

6. Existe um imposto para TV e rádio

Cada residência na Alemanha paga um imposto pelo uso de TV e rádio (Rundfunkbeitrag) – mesmo que você não possua nenhum aparelho de TV ou rádio. É uma taxa fixa de €17,50 por mês – por residência, não por pessoa. Esse dinheiro é destinado a sustentar os canais públicos da Alemanha. Depois de registrar seu endereço (veja #1), você receberá uma carta instruindo-o a pagar a taxa mensal compulsória.

Para mim, como estrangeira, esta regra não faz muito sentido, já que os canais de TV e rádio ainda mostram comerciais – que na teoria existem justamente para sustentar os canais financeiramente. Mas todos os imigrantes concordam que não há o que fazer, e mesmo que você tente ignorar o imposto, o sistema vai vencer no fim das contas e você terá que pagar um valor ainda maior.

7. Você pode receber dinheiro de imposto de volta

Vamos terminar esta lista com uma boa notícia: se você for ficar na Alemanha por um tempo, você pode ser elegível para receber reembolso de uma parte dos impostos (Steuererklärung) uma vez por ano. Se o seu salário vier de uma bolsa de estudos, ele é isento de impostos, então você provavelmente não terá direito a recebê-lo. Mas se você está trabalhando sob um contrato de trabalho, você pode solicitá-lo. Você pode ou buscar informações online e descobrir por si mesmo todos os documentos que você precisa (embora possa ser mais complicado para não-alemães), ou contratar um consultor (Steuerberater) que irá aconselhá-lo quanto ao que fazer para receber o maior valor possível.

giphy

Espero que essas dicas esclareçam algumas dúvidas e tornem a sua nova vida na Alemanha um pouco mais fácil. Após a fase inicial de se instalar, tudo fica mais leve. Willkommen! 🙂

Retrospectiva: minhas viagens em 2017

2017 foi maravilhoso pra mim, tanto profissional quanto pessoalmente. E foi um ano de muitas, mas muuuitas viagens. Parando pra contar, eu estive em 13 países só este ano (sim, TREZE!!), sendo 3 vezes na Itália e em 4 países pela primeira vez: Uruguai, Argentina, Escócia e Irlanda. Foram mais países do que meses. Mesmo assim, foi de longe o ano mais produtivo do meu doutorado.

Em 2015, eu viajei todos os meses do ano e em 2016, quase (só 1 mês ficou de fora). Esse ano foi diferente: a grande maioria das minhas viagens ficou concentrada no primeiro semestre, quando há o maior número de feriadões e a primavera/verão, mas foram uma ou duas viagens por mês. Foram tantas idas e vindas entre janeiro a agosto, que eu confesso que até eu fiquei um pouquinho cansada. 😀

JANEIRO: Rio de Janeiro / Uruguai + Argentina

Como sempre, eu passei a virada de ano na minha linda cidade, Rio de Janeiro.
E, achando um absurdo eu conhecer tantos países da Europa mas só o Brasil na América do Sul (e mesmo assim, nem o país todo), eu finalmente resolvi mudar isso. Viajei com o meu pai por Montevidéu, Punta del Este e Colonia del Sacramento (no Uruguai) e, depois de cruzar de um país ao outro de barca, Buenos Aires (na Argentina).

montevideo
Montevidéu, Uruguai

FEVEREIRO: Suíça

Minha segunda vez em Genebra e terceira na Suíça, dessa vez pra comemorar o aniversário de uma amiga querida, que de quebra me levou pra comer muito queijo e conhecer o detector de colisão de partículas da CERN. Também visitei Montreux, Vevey e Lausanne, que compõem a Suíça francesa, ou Riviera Suíça. Um cenário lindo com a neve no topo das montanhas.

switzerland.jpg
Suíça francesa

ABRIL: Escócia / Irlanda

Feriado de Páscoa conhecendo a Escócia pela primeira vez com uma amiga do mestrado e uma amiga de infância do Rio que nos encontrou lá. Visitamos Edimburgo e Glasgow e fizemos passeios para o Lago Ness, as Highlands, Stirling, Lago Lomond e uma destilaria de uísque.

E eu visitei o meu 27° país, a Irlanda, no meu 27° aniversário, no feriadão do dia do trabalho. Fiquei hospedada com uma amiga do mestrado que foi uma ótima anfitriã. Conheci Dublin e fiz passeios para os Cliffs de Moher e Howth e a baía de Galway. Apesar da fama de chover bastante tanto na Escócia quanto na Irlanda, foram lindos dias de sol de primavera!

ireland.JPG
Cliffs of Moher, Irlanda

MAIO: Alicante (Espanha) / Torino + Cinque Terre + Pisa (Itália)

Cheguei de Dublin e, no dia seguinte, quase sem respirar, voei para Alicante para uma conferência para doutorandos de Neurociências. O resort perto da praia, onde o evento ocorreu, os amigos e o tempo quente e ensolarado fizeram parecer que a viagem foi puramente a lazer.

No feriadão do fim de maio, fui à Itália com meu melhor amigo. Ele queria conhecer Torino (fã do Juventus!) e eu, Cinque Terre: os 5 vilarejos à beira do mar, com lindas casinhas coloridas nos penhascos. Então, fizemos ambos! E de quebra, Pisa também, que era ali do lado. Que visuais deslumbrantes!! Dentre as minhas viagens de 2017, essa leva o prêmio de melhor destino.

cinque terre 02
Manarola (Cinque Terre), Itália

JUNHO: Paris / Amsterdam

Minha terceira vez em Paris, visitando uma amiga carioca no fim de semana, em pleno verão (e que calor!). Visitamos o que faltava pra nós duas conhecermos por ali: o Palácio de Versalhes.

Também passei uma semana em Amsterdam para participar de um curso maravilhoso de BioBusiness, hospedada gentilmente por uma amiga do mestrado.

versailles.JPG
Palácio de Versalhes

JULHO: Göttingen (Alemanha) / Leuven (Bélgica)

Estive de volta à cidade alemã onde eu morei durante o mestrado, Göttingen, por uma semana a trabalho, rodeada de amigos. E mais tarde fui a Leuven (minha segunda vez) para o casamento de uma amiga querida. Que fim de semana especial e maravilhoso!

AGOSTO: Kenilworth (Inglaterra)

Mais um fim de semana para comemorar o casamento de outra amiga querida, dessa vez em Kenilworth, na Inglaterra. Teve muito amor, muito sol, céu azul e caipirinha. Foi realmente incrível!

OUTUBRO: Veneza (Itália)

Uma viagem super romântica com meu namorado (nossa primeira juntas, e primeira vez em Veneza!). Fiz um post contando tudo sobre o que ver por lá além da ilha principal: Burano, Murano, Torcello e Sant’Erasmo.

venice.jpg
Veneza, Itália

DEZEMBRO: Roma / Rio de Janeiro

Indo de Berlim pro Rio com uma amiga que estava no mesmo voo, tivemos uma conexão de 7 horas em Roma. Apesar de não ter sido nossa primeira vez lá, fomos andar pela cidade cheia de luzes de Natal. Parece que a Itália não queria me largar esse ano.

E 2017 termina onde começou: no Rio de Janeiro. 🙂

riorainbow.jpg
Rio de Janeiro, Brasil

Mal posso esperar por 2018 e as viagens que virão! Feliz ano novo a todo mundo!!!


Retrospectiva 2016

Retrospectiva 2015

Respondendo à pergunta “Como você faz para viajar tanto?”

As ilhas da lagoa de Veneza: Murano, Burano, Torcello

Veneza é um belo destino que atrai milhares de turistas diariamente. Antes de visitá-la pela primeira vez, eu sabia que corria o risco de a cidade ser superestimada, mas minhas expectativas foram correspondidas. Talvez uma decisão crucial tenha sido seguir a dica de ir durante o outono, quando o tempo ainda está bom mas as multidões são bem menores.

A ilha principal de Veneza é pequena e pode ser bem explorada em 1-2 dias. Só tem 4 km de comprimento e 1 km de largura. Então, se você tem um dia extra lá, pode ir conhecer outras ilhas da grande lagoa de Veneza.

Barcas (ou vaporettos) são realmente o principal tipo de transporte público em Veneza – igual a ônibus ou metrô em qualquer outra cidade. Há bilhetes de 24, 48 e 72 horas, válidos para viagens ilimitadas de barca, que geralmente valem a pena (inclusive, há um bom desconto no bilhete de 72 horas pra pessoas menores de 29 anos!). Pra mais informações, veja aqui onde diz “public transport”.

venice_lagoon

Burano

Essa foi a minha ilha favorita na lagoa, depois de Veneza. As casinhas coloridas ao longo dos canais em direção à lagoa compõem um cenário extremamente fotogênico. A ilha é conhecida pelo artesanato de renda, que é vendido em lojas nas pequenas ruas. Fica a 30 minutos de barca de Murano e a 40 minutos de Veneza.

burano 01

burano 02

Torcello

Sinceramente, esta ilha é mais conhecida pela sua história do que pelas suas atrações. É bem pequena e não há muito para ver. Há duas igrejas que você precisa pagar para visitar e um pequeno museu. Nós decidimos visitá-la porque fica bem pertinho de Burano – então, se você estiver com um sentimento de “por que não?”, vá. Mas saiba que – pelo menos comparada às outras ilhas na lagoa de Veneza – esta não é tão encantadora.

torcello 01 torcello 02

Murano

Enquanto Burano e Torcello ficam perto uma da outra e mais longe da ilha principal de Veneza, Murano fica bastante próxima (uns 10 minutos de barca). E assim como Burano é conhecida pela renda, Murano é famosa pelos seus produtos de vidro, feitos à mão na ilha. Você pode assistir a artistas em ação fazendo as pequenas figuras de vidro dentro das lojas.

murano 01

murano 02

Sant’Erasmo

A ilha tranquila e pacífica de Sant’Erasmo não é algo imperdível para turistas – MAS é uma ótima opção para acomodação em uma visita a Veneza. Nós vimos que o Hotel Il Lato Azzurro tinha excelentes comentários no Booking.com e um preço ridiculamente melhor do que os hotéis na principal ilha de Veneza. Eu estava um pouco com pé atrás pelo fato de ser em outra ilha (localização é prioridade para mim quando busco acomodação), mas não sentimos que o trajeto de barca de 25 minutos de Veneza tenha sido longo (além do mais, nós tínhamos um bilhete com viagens ilimitadas). O charmoso hotel compensa pela distância com quartos com varanda e vista para o lago, um bom café da manhã, funcionários simpáticos e bicicletas gratuitas para os hóspedes pegarem emprestado quando quiserem. Obs.: eu não recebi absolutamente nada do hotel para recomendá-lo. 🙂

santerasmo 01 santerasmo 02

santerasmo 03 santerasmo 04

Outras ilhas

Nós também andamos por Mazzorbo, uma ilha residencial colada a Burano – muito tranquila e não exatamente  imperdível.

San Michele é uma pequena ilha-cemitério localizada entre Veneza e Murano.

Nós não fomos a Lido, no sudeste da lagoa, mas essa também é uma ilha que alguns turistas visitam quando estão em Veneza.


Então, há claramente mais em Veneza do que apenas a sua ilha principal. Mas uma coisa é uma constante: o transporte hidroviário, seja por gôndola ou vaporetto. Não dá pra perder (e nem se deve).

A estranha sensação de ter dois lares

Às vezes é como se eu vivesse em dois universos paralelos. Os dois mundos são extremamente reais, complexos, meus, mas muito diferentes.

Um guarda a minha família, meus amigos mais antigos, meu passado, minhas lembranças, minha base. O outro é o meu presente, meu dia-a-dia, minha rotina, minhas novidades, meus amigos mais recentes (mas já nem tão recentes assim), meu agora.

Eu tenho um endereço, uma conta bancária e um número de celular em cada um dos meus mundos. Coisas materiais que dão a impressão de que a gente está ancorado em determinado lugar.

Quando acontece de os dois mundos se misturarem (o que não é muito frequente no meu caso), meu cérebro dá um nó. É como se personagens de dois núcleos diferentes da novela de repente se encontrassem. É como assistir aos Jetsons no cenário dos Flintstones. O que é que o meu pai tá fazendo aqui no metrô de Berlim? Como assim a minha amiga de infância, que pertence ao ‘mundo de lá’, tá no meu campo visual junto com a minha amiga do mestrado, que pertence ao ‘mundo de cá’? Uma sensação meio como naquele filme, ‘A Origem’.

Normalmente sou eu que me desloco entre os dois mundos, mas também assim é confuso. Quando eu vou visitar o Brasil, eu estou indo pra casa, ou pra casa dos meus pais? E quando é hora de partir, eu estou deixando a minha casa, ou indo pra casa? Eu sinto que a resposta é: os dois.

Para cada partida, há uma chegada. Depende do ponto de vista.

Quando meu voo ou trem chega na Alemanha, de volta de uma viagem, automaticamente me vem aquela sensação de ‘cheguei em casa’. E quando eu estou viajando em outro país onde não se fala alemão, mas de repente ouço um grupo de turistas falando alemão na rua, estranhamente aquilo me soa familiar… Pra mim, tem som de lar. Estranho, né?

Eu vivi no Brasil até os 22 anos e agora faz 5 que moro na Europa. Considerando como adulto alguém maior de 18 anos de idade, eu chego à conclusão espantosa de que eu já passei maior parte da minha vida adulta na Alemanha, e não no Brasil.

Me mudar pra Europa foi um grande marco na minha vida, daqueles divisores de águas, pelos motivos enumerados aqui. Foi quando o portal se abriu pra toda uma nova dimensão. E agora começa o sexto ano dessa era.

Eu me sinto em casa no Rio e em Berlim. Sou uma habitante orgulhosa de dois mundos, em meio a uma vida multidimensional. Tenho lares em duas cidades, cada uma um mundo por si só.

Roteiro turístico de Berlim

A maioria das principais atrações turísticas de Berlim fica no bairro central, Mitte. Aqui eu montei um itinerário para se ver todas elas numa ordem eficiente e a pé. É possível visitar todos os pontos turísticos de Mitte em 1 dia, mas pode ser cansativo. Dependendo do seu ritmo, este itinerário pode ser pausado e retomado no dia seguinte sem problemas. Vamos lá:

berlin-mitte-itinerary

Pontos no Centro (Mitte):

Comece pela Alexanderplatz (1), com a Torre de TV (Fernsehturm) e o relógio mundial. Há diversas lojas por ali – incluindo as bem baratas Primark, Decathlon e TK Maxx – e o shopping center Alexa ao lado.

Passe pela Rotes Rathaus (2) até chegar na Unter den Linden – a grande avenida central.

Siga pela Unter den Linden: logo depois do rio à direita, fica a Catedral (Berliner Dom) (3) e a Ilha dos Museus (5 museus um ao lado do outro).

Continuando pela Unter den Linden: ver o memorial ‘Neue Wache’, passar pelo prédio principal da Humboldt Universität (4) e seguir na avenida até chegar ao Portão de Brandemburgo (5), um dos maiores símbolos de Berlim.

Passando pelo portão, há uma longa avenida com a Coluna da Vitória no final, e ao redor um grande parque, o Tiergarten.

Siga à direita até o Parlamento Alemão (Bundestag ou Reichstag) (6). É possível visitar o topo do parlamento com áudio-guia totalmente grátis. Mas é preciso marcar com antecedência neste site aqui (‘Visit to the dome’). O prédio e a vista são lindos. Vale muito a pena!

Voltando em direção ao Portão de Brandemburgo e seguindo em frente: ali fica o Memorial do Holocausto (7), um labirinto de concreto que lembra um cemitério, com um efeito muito impactante. Ande por ele com respeito. Há também uma exposição gratuita no subsolo.

Seguindo na mesma direção, chega-se à Potsdamer Platz, com o Sony Center (8): uma cúpula gigante e moderna com restaurantes e cinema. Ali bem perto fica o shopping center Mall of Berlin.

Siga para a Topografia do Terror (9), mais um memorial sobre o nazismo, e depois para o Checkpoint Charlie (10) – um local que simboliza um dos antigos pontos de passagem entre Berlim ocidental e oriental na época do muro. Mas saiba que o checkpoint não fica no ponto exato onde costumava ser e hoje é apenas um local turístico.

Termine a rota no Gendarmenmarkt (11), uma praça bonita bem no centro de Berlim.


Fora do centro:

A East Side Gallery – a parte que restou do muro de Berlim, toda grafitada e colorida, é imperdível. Desça na estação S-Ostbahnhof e siga o muro até o final, chegando na ponte Oberbaumbrücke. Também vale a pena explorar à noite os bairros mais descolados / alternativos / hipsters de Berlim, Kreuzberg e Friedrichshain, que são conectados por essa ponte.

Outras dicas:

Em Berlim num domingo de tempo bom? Não deixe de ir ao Mauerpark! E aproveite pra ver o memorial sobre o muro, na mesma rua.

Vai ficar 3 ou mais dias em Berlim? Considere sair um pouco da cidade para visitar o Palácio Sanssouci e seus jardins, em Potsdam (mais ou menos 1 hora a sudoeste de Berlim), e/ou o museu do campo de concentração Sachsenhausen, em Oranienburg (mais ou menos 1 hora ao norte).

Quer fazer compras? Além dos shopping centers no centro já citados (Alexa e Mall of Berlin), uma ótima opção são as ruas Tauentzienstraße e Kurfürstendamm (apelidada de Kudamm), no bairro Charlottenburg. Ali também pode-se visitar o principal zoológico de Berlim e a Gedächtniskirche: as ruínas de uma igreja que foi bombardeada durante a segunda guerra e cuja torre principal encontra-se até hoje quebrada ao meio.

Vai estar em Berlim durante a primavera ou verão? Aqui está uma lista das coisas mais legais para se fazer por aqui na melhor época do ano!

Quer dicas sobre o que e onde comer em Berlim? Dê uma olhada nesse post.

Interessado em ficar por mais tempo? Veja aqui uma descrição de como é morar em Berlim.


Espero que você ame Berlim tanto quanto eu! 🙂

weloveberlin

10 coisas imperdíveis para fazer em Berlim no verão

Não há nada como a primavera e o verão em Berlim. A cidade se transforma completamente. Assim que as folhas se tornam verdes, as pessoas ficam particularmente animadas e se esforçam pra passar a maior parte do tempo possível fora de casa. Festivais e eventos ao ar livre começam a aparecer no calendário um atrás do outro. Definitivamente, é a melhor época para se visitar a capital alemã.

Há muitas coisas legais pra se fazer no verão Berlinense. Aqui está uma lista das minhas favoritas:

1) Ir nadar em um lago

Acredite ou não, Berlim às vezes fica bem quente. A temperatura atinge por volta de 37 graus em alguns dias de verão. E com a falta de ambientes com ar-condicionado, nada melhor que um bom mergulho para se refrescar. Embora a cidade não tenha mar por perto (e portanto, nada de praias), felizmente há MUITOS lagos. A maioria deles tem uma Freibad, uma área acessível por cerca de 3-5 euros, com areia para se deitar e tomar sol, banheiros e quiosques de comida. Em alguns, você até pode alugar pedalinhos, barquinhos a remo, caiaques ou stand-up paddles. Sem dúvida, algo imperdível em Berlim no verão!

muegelsee
Lago Müggelsee

2) Cinemas ao ar livre

Nos meses quentes, há vários cinemas ao ar livre (em alemão, Freiluftkino) em Berlim, praticamente um em cada bairro. Os filmes exibidos vão dos clássicos antigos até os mais recentes hollywoodianos. Caso você não esteja acostumado, é bom saber: a pipoca nos cinemas alemães geralmente é doce.

3) Bares em terraços

Há diversos bares diferentes no topo de shoppings ou edifícios em Berlim, onde se pode tomar uma bebida ao ar livre enquanto se aprecia a vista e o pôr-do-sol. O mais famoso provavelmente é o Klunkerkranisch em Neukölln, seguido do Deck 5 em Schönhauserallee e o House of Weekend em Alexanderplatz (que também é uma boate/balada).

klunkerkranisch
Vista do Klunkerkranisch

4) Thai Park

Se você estiver a fim de experimentar comida tailandesa boa e autêntica, você com certeza tem que ir ao Preußenpark, também conhecido como Thai Park. Tudo o que você precisa saber sobre o Thai Park está neste post sobre os melhores lugares para comer em Berlim.

5) Badeschiff

O Badeschiff é literalmente uma piscina dentro do rio Spree! Por um pequeno valor de entrada, você tem acesso à área desse ‘beach bar’, que também tem guarda-volumes e banheiros. De dentro da piscina, há uma vista linda para a ponte Oberbaumbrücke que liga Kreuzberg e Friedrichshain; para a grande escultura de metal no rio, Molecule Man; e para as pessoas que ficam passando por perto, em barquinhos ou stand-up paddles. É uma das coisas mais legais e diferentes pra se fazer no verão em Berlim.

badeschiff
Badeschiff

6) Tomar cerveja em um Biergarten

Beber cerveja é algo que não se pode deixar de fazer na Alemanha, e no verão isso se faz ao ar livre. O que significa… temporada de Biergarten! Existem dezenas de opções pela cidade, algumas perto de áreas verdes, como parques, e algumas em cervejarias mesmo, que oferecem chopps maravilhosos feitos no local.

7) Ir colher morangos

Essa é uma atividade bastante diferente que pode ser feita em um bate-e-volta de Berlim. Existem diversos campos nos arredores da cidade, a cerca de uma hora do centro, onde você pode colher morangos, framboesas e mirtilos. Em alguns deles, há uma pequena taxa de entrada, e em outros você pode entrar de graça, colher as frutas e só pagar se quiser levar algumas pra casa. Veja o calendário da temporada apropriada para visitar e como chegar a alguns dos campos neste site (apenas em alemão).

8) Monbijoupark

Essa é uma área perto do Hackescher Markt, onde as pessoas se sentam no gramado à beira do rio Spree enquanto tomam uma cerveja e apreciam a vista para a catedral (Berliner Dom). É um ótimo lugar para relaxar ao ar livre e também um lindo local para fotos. Virando a curva seguindo o rio na direção oposta à catedral, há um bar onde se pode dançar salsa ou tango ao ar livre nas noites dos meses mais quentes.

9) Fazer churrasco com amigos

Uma paixão em comum que os alemães compartilham com os brasileiros – além do futebol – é fazer churrascos. Assim que o sol começa a aparecer, podem-se ver churrasqueiras e fumaça por toda a parte na cidade. Fazer um bom churrasco é algo bastante típico em Berlim, e pode ser feito no quintal de alguém (ou até mesmo na varanda) ou em um dos vários parques públicos, que normalmente têm uma área específica para colocar as churrasqueiras.

10) Mauerpark

Você vai encontrar esta dica em todo guia de Berlim – isso porque é realmente imperdível. Se você estiver na cidade num domingo durante a primavera ou verão, você precisa ir ao Mauerpark, o epicentro hipster de Berlim. Lá, você vai encontrar um famoso mercado de pulgas, barracas de comida, vários artistas de rua e músicos do mundo inteiro cercados por uma multidão de pessoas jovens e alegres curtindo o som, e várias pessoas relaxando na grama no pequeno morro com vista para o parque. Além disso, a minha parte favorita: o karaokê ao ar livre. O parque tem um pequeno palco com uma arquibancada ao redor onde, nos domingos de tempo bom, há uma sessão de karaokê aberta ao público. Quem quiser cantar vai ao microfone, enquanto o povo assiste e aplaude. A atmosfera do Mauerpark é simplesmente especial.

mauerparkkaraoke
Karaokê no Mauerpark

Espero que você aproveite o verão em Berlim!