Minha experiência de palestrar no TEDx: a preparação e o que aprendi

Em de dezembro de 2018, eu fui umas das palestrantes no evento TEDxHUBerlin – o que foi uma grande experiência. Além de discutir sobre o tema da minha palestra, muitos dos meus amigos e colegas me perguntam, “Como foi o processo?” “Quantas vezes você praticou?” “Você ficou nervosa?” “Como a plateia reagiu?”. Então eu pensei em compartilhar aqui como toda essa experiência do TEDx foi para mim.

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Photo by SeeSaw Agency | Gregor Zielke

Por volta de agosto de 2018, eu me deparei com um post no Facebook do TEDxHUBerlin com uma chamada para palestrantes. Eu gosto muito de falar em público, e tenho o feito desde cedo: no Rio, quando eu tinha apenas 14 anos, fiz um discurso em inglês para 3.000 pessoas na minha formatura do curso de inglês. Durante meu doutorado, eu me envolvi muito com divulgação científica e fiz apresentações, por exemplo, em um Science Slam e no Soapbox Science duas vezes, entre outros eventos. Então, sempre foi um sonho meu ser uma palestrante do TED/TEDx, que é provavelmente a plataforma de palestras mais conhecida do mundo.

Meu primeiro pensamento quando vi o post foi: “Eu adoraria fazer isso, mas acho que nunca vou ser selecionada…” E então meu segundo pensamento foi: “mas não custa nada tentar… eu não tenho nada a perder mesmo…”

Então, algumas semanas depois, eu decidi me inscrever. Tive que responder perguntas em um formulário online sobre a minha motivação e mostrar provas da minha experiência como palestrante. Eu incluí o vídeo do meu Science Slam em 2017 (em alemão), que foi outra experiência interessante (você pode assisti-lo aqui).

Depois de enviar o formulário,  não pensei mais muito sobre isso e viajei de férias com meus pais, que estavam na Europa naquela época. Cerca de um mês depois, eu ainda não tinha tido nenhuma resposta deles, então imaginei que não havia sido selecionada. Mas então, no dia 21 de outubro, recebi um e-mail me convidando para ser uma palestrante. Eu me lembro que estava em voltando para Berlim de trem quando li a mensagem no meu telefone, e tive vontade de pular de animação, mas tive que me conter para evitar olhares de estranheza dos outros passageiros.

Logo depois, a ficha caiu: eu tinha menos de 6 semanas até o dia do evento! Eu tinha que fazer muito bom uso do tempo.

O primeiro passo foi entrar em contato com os organizadores do evento para obter mais detalhes. Eu tive a liberdade de escolher o tema da minha palestra, e já havia sugerido alguns na minha inscrição. Eu decidi optar por “coisas que precisam mudar no mundo acadêmico” por diversas razões: 1) é um tema bastante pessoal para mim e com o qual eu me identifico; 2) eu tinha exemplos da vida real da minha própria experiência para usar na história; 3) o TEDx onde eu ia palestrar era na HU Berlin (Universidade Humboldt), então a maior parte do público presencial provavelmente seria de estudantes, para quem esse tema seria mais relevante; 4) eu já havia escrito e postado um artigo no LinkedIn sobre o mesmo tema em 2016 e recebi um enorme feedback positivo de pessoas dizendo o quanto elas concordavam (atualmente tem 70.000 visualizações).

Depois de definir o tema, meu plano era claro: eu iria escrever o roteiro da palestra, editá-lo até ficar feliz com o resultado e só então começaria a memorizar o texto. 99% das palestras que eu faço não são decoradas palavra por palavra, mas um TEDx tinha que ser. É importante demais pra confiar em improvisos no palco, sem mencionar que seria filmado, então tinha que ser tudo certinho. E não faria sentido tentar decorar o texto antes de chegar à versão final, pois as mudanças só iriam complicar a memorização.

Eu já tinha bastante experiência em escrever e editar, então sabia que seria um processo e que meu texto passaria por várias transformações. Mesmo assim, essa parte não foi fácil. Eu só tinha algumas semanas para conceituar, escrever, digerir, editar, memorizar, fazer os slides e praticar. Além disso, eu tinha acabado de começar um emprego em tempo integral em consultoria com horas bem puxadas. Quando eu havia sonhado em dar uma palestra no TED ou TEDx, imaginei que teria meses para me preparar. Mas na realidade eu tinha que me virar com só algumas semanas. Lá no fundo eu sabia que conseguiria, mas houve momentos que foram bastante estressantes, quando eu ainda não conseguia ver a versão final do texto se formando. Meus pais e meu namorado foram grandes apoiadores nesse momento, me assegurando que eu chegaria lá.

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Photo by SeeSaw Agency | Gregor Zielke

Eu aprendi lições valiosas enquanto escrevia o texto da minha palestra. Para começar, a primeira versão tinha tudo o que eu queria dizer, mas não estava soando como uma palestra – era mais um artigo. Então tive que reescrever o texto, prestando atenção em como ele iria soar para uma plateia ao vivo, e não para um leitor. Bastante como um roteiro para uma peça ou um filme.

O segundo ponto que eu aprendi é que não se pode dizer tudo em uma palestra. Meu tema era “coisas que precisam mudar no mundo acadêmico” – e existem taaantas coisas. Eu também queria falar sobre os problemas do sistema de publicação científica, de saúde mental de graduandos e de desigualdade de gênero na ciência. Os organizadores do TEDx apresentaram os palestrantes a um coach de comunicação que fez observações sobre nossos textos. O coach disse que eu não precisava melhorar nada no jeito que eu estava falando e apresentando o meu discurso – isso estava ótimo. Mas ele sugeriu que eu focasse em um único tópico para poder cobri-lo direito – afinal, a palestra só poderia ter 18 minutos no máximo. Eu concordei e reestruturei o texto para focar na minha mensagem principal.

Desde o início, eu também queria que a minha palestra fosse o mais divertida possível – então adicionei várias piadas, e as testei com alguns amigos, porque nunca se sabe se o público do evento vai achá-las engraçadas ou não.

Finalmente cheguei à versão definitiva da minha palestra, com a qual fiquei bastante satisfeita. Isso foi depois de várias rodadas mostrando as mudanças e recebendo comentários dos meus dois editores favoritos: meu pai e meu querido amigo, Ahmed Khalil. Os dois têm muita experiência em edição, perfeito domínio do inglês e me conhecem muito bem – eles sabiam as conclusões a que eu queria chegar e como eu soaria dizendo aquelas palavras em voz alta. Um grande obrigada aos dois pelas suas perspectivas!

Eu tive uma semana para memorizar minha palestra palavra por palavra e praticá-la. Eu costumo achar fácil decorar textos, então esse tempo foi suficiente para mim. Eu imprimi o texto (4 páginas e meia) e o repeti em voz alta em casa, tentando ler cada vez menos do papel. Repeti, repeti e repeti. Fiz meus slides em algumas horas e comecei a praticar com eles também. Eu praticava uma vez antes de ir trabalhar e uma vez depois de chegar em casa. Acho que todas as paredes do meu apartamento ouviram esse texto pelo menos umas 5 vezes. Eu tive um ensaio geral no local alguns dias antes do evento, mas sem o palco ou microfone.

No grande dia, 1º de dezembro de 2018, eu na verdade também tive um outro evento – sobre carreiras para cientistas – que eu tinha ajudado a organizar, então passei o dia todo ocupada, conversando com alunos de pós-graduação sobre meu novo trabalho (também muito a ver com o tópico da minha palestra). No final da tarde, fui direto para o local do TEDx: die Heilig-Geist-Kapelle (a Capela do Espírito Santo), que não funciona mais como uma capela, mas como um local para eventos. Fica dentro de um edifício histórico da Universidade Humboldt em Berlim Mitte, onde se encontra a Faculdade de Administração e Economia. Eu era a última palestrante em um programa com 9 apresentações. Quando eu cheguei, havia ainda duas palestras antes da minha, mas eu só pude assistir à primeira, já que durante a outra eu estava nos bastidores colocando o microfone.

Quando me chamaram para o palco, eu surpreendentemente não estava nervosa. Eu me senti confortável, no meu habitat natural. Eu estava muito presente e ciente do meu entorno. Tudo correu bem: eu me lembrei do texto todo (que era uma das minhas maiores preocupações) e as pessoas riram da maioria das minhas piadas irônicas (mesmo que a gravação de vídeo não tenha captado muito, já que não havia microfone para o público). Minhas duas pessoas favoritas em Berlim, meu namorado e meu amigo Ahmed, estavam na plateia.

Logo após o fim da palestra (e do evento), várias pessoas da plateia vieram falar comigo e me deram um feedback muito positivo. Elas disseram que eu as inspirei a procurar opções de carreira fora do mundo acadêmico, que falei muito bem e com entusiasmo, que sou uma oradora natural e que deveria fazer isso com mais frequência; que não dava pra dizer que eu tinha memorizado o texto, pois eu falei naturalmente, como se o estivesse dizendo pela a primeira vez. Também disseram que a minha palestra foi a melhor do dia! Eu pensei que tinha sido só por falar, mas mais tarde uma das organizadoras do evento me disse que ela tinha ouvido o mesmo de outras pessoas da plateia!

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Photo by SeeSaw Agency | Gregor Zielke

Falando da equipe do evento, também devo dizer que adorei conhecer os organizadores do TEDx com quem interagi: Rawan Alraish, Priianca Banerji, Senyao Hou e Konstantina Nathanail. Meus agradecimentos a eles pelo trabalho duro e por terem sido tão gentis comigo!

Depois daquele dia, obviamente eu estava muito curiosa para assistir ao vídeo da minha palestra. Quando finalmente saiu, fiquei bastante feliz com o resultado. É claro que sempre há coisas que você gostaria de mudar, mas acho que eu fiz o melhor possível com o tempo que tive.

Depois de alguns dias extras de trabalho, também consegui colocar legendas em inglês e português na minha palestra, algo que era muito importante para mim, para que pessoas com deficiência auditiva ou que não falam inglês também pudessem entender. Tudo teve que ser feito através de uma plataforma que eu não conhecia e sobre a qual aprendi: a dos tradutores do TED, que são centenas de voluntários que traduzem e transcrevem todos os tipos de palestras do TED. A minha palestra agora também tem legendas disponíveis em espanhol graças a eles! (Olha que legal!) Meus agradecimentos aos tradutores e revisores que dedicaram seu tempo para trabalhar nas legendas da minha palestra: Leonardo Silva, Daniela Pardo e Silvina Katz.

Eu realmente acredito nas palavras que disse e estou muito feliz por poder propagar essa ideia. Desde então, tenho recebido muitos comentários positivos, de amigos, colegas, clientes, e de várias pessoas que eu não conhecia antes. Graças à essa exposição, fui convidada para dar outras palestras e várias pessoas se informaram sobre a empresa onde eu trabalho e algumas mostraram interesse em trabalhar lá. Os programas de pós-graduação em que me formei me deram total apoio e até postaram a minha palestra em seus sites: esses são o programa de mestrado Neurasmus e o Einstein Center for Neurosciences Berlin, que está vinculado ao programa de doutorado que eu fiz.

Sou muito grata por ter tido essa oportunidade e experiência única! Foi realmente um sonho que se tornou realidade para mim.

Resumindo: a jornada de preparar e apresentar uma palestra no TEDx não foi fácil (a parte da preparação sendo muito mais difícil do que a apresentação, na minha opinião), mas extremamente recompensadora! 🙂

Assista ao meu TEDx abaixo e compartilhe à vontade:

 

 

 

Retrospectiva: minhas viagens em 2018

2018 foi um ano cheio de mudanças para mim – e elas conseguiram superar as expectativas! Ano passado, eu terminei meu doutorado (motivo suficiente pra levar o prêmio de melhor-ano-da-vida), me mudei pra um apartamento novo e lindinho com meu namorado, comecei a trabalhar no emprego que eu queria, e no final ainda dei uma palestra no TEDx! Olá, vida adulta! Resumindo assim, parece o roteiro perfeito – mas ah, como teve seus altos e baixos…

Eu estive tão ocupada que não havia postado aqui desde agosto passado (tsc, tsc). Mas agora eu estou de volta, e quero continuar a tradição de fazer uma retrospectiva das viagens que eu fiz no ano anterior (pela quarta vez já!).

Posts anteriores da mesma série:
Minhas viagens em 2017
Minhas viagens em 2016
Minhas viagens em 2015


Em 2018, eu não consegui viajar todos os meses, o que geralmente é a minha meta: você vai notar que fevereiro, maio e novembro ficaram de fora. Mas as viagens que eu fiz foram muito especiais e trazem ótimas lembranças. Foi um ano em que meus pais vieram me visitar (minha mãe pela primeira vez) e em que eu retornei às cidades onde eu morei durante o mestrado – justamente no mesmo ano em que eu terminei o doutorado e fechei o ciclo da vida acadêmica. Se fosse um filme, teria levado o título “De volta às origens”. 😀

JANEIRO: Rio de Janeiro (Brasil) / Usedom (Alemanha)

Eu normalmente passo o Ano Novo na minha cidade natal, o Rio. Dessa vez, eu tive a companhia de uma amiga dos programas de mestrado e doutorado. E depois de voltar ao inverno de Berlim, eu fiz um bate-e-volta a Usedom, uma ilha no Mar Báltico, no nordeste da Alemanha.

MARÇO: Nennendorf / Oeste da Alemanha

Março me levou mais uma vez ao Mar Báltico (os alemães usam qualquer oportunidade pra ir pro litoral, mesmo no inverno), em um fim de semana aconchegante em que um grupo grande de amigos alugou uma casa inteira só para nós, em um vilarejo chamado Nennendorf.

E no primeiro feriadão do ano (Páscoa), uma amiga e eu fomos em direção ao oeste da Alemanha para visitar Colônia, Bonn, Düsseldorf, Koblenz e Aachen. O destaque foi o Castelo Drachenburg, cujo mirante principal esteja fechado temporariamente, mas mesmo assim nós demos um jeito de entrar na área proibida para tirar fotos lindas como esta:

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Castelo Drachenburg em Königswinter

ABRIL: Grécia

Meu aniversário se tornou um fim de semana prolongado junto com o feriado de primeiro de maio, quando eu visitei a Grécia, com todo o seu sol e calor, pela primeira vez – fazendo base em Atenas e de lá bate-e-volta de um dia para Nafplio (dica de um amigo meu grego) e um passeio de barco até algumas das ilhas ali perto: Hydra, Poros e Aegina.

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Atenas, Grécia
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Nafplio, Grécia

JUNHO: Lisboa + Algarve (Portugal)

Como eu tenho família e raízes em Portugal, eu sempre volto lá. Dessa vez, eu visitei uma amiga querida do Rio, de longa data, que estava morando em Oeiras, pertinho de Lisboa, e alguns dos meus parentes, e depois fui para o sul para aproveitar as praias do Algarve (minha segunda vez lá). Tudo isso no meio da Copa do Mundo. Que semana maravilhosa e acolhedora que foi!

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Praia do Camilo, Lagos, Algarve

JULHO: Göttingen (Germany)

Um casal de amigos meus comemoraram a formatura do doutorado deles em Göttingen (onde eu fiz meu mestrado e morei por quase 2 anos) e eu não podia perder. Um fim de semana revendo velhos amigos, festejando e indo assistir a jogos da Copa do Mundo nos mesmos lugares onde eu havia assistido 4 anos antes.

AGOSTO: Rackwitz (Alemanha) / Bordeaux (França)

Um casamento muito lindinho de um casal de amigos, no campo, nos levou a um vilarejo chamado Rackwitz, perto de Leipzig, em um fim de semana de verão.

Mais tarde no mesmo mês, eu voltei a Bordeaux, onde eu morei e estudei por um semestre durante o mestrado, para o encontro anual do meu programa de mestrado. Como sempre, foi uma semana cercada de amigos queridos (antigos e novos), comemorações, troca de ideias e até uma visita ao Château de Montaigne com a obrigatória degustação de vinhos.

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Château de Montaigne, França

SETEMBRO: Norte de Portugal

Meus pais e padrinhos (que são bem próximos a mim) vieram me visitar em Berlim – foi a primeira vez da minha mãe na Alemanha! Então, naturalmente, meus pais e eu fomos visitar nossa família no norte de Portugal, onde eu já havia ido algumas vezes. Eles fizeram o tour completo conosco: Porto, Coimbra, Viseu, Aveiro… Portugal é um país onde sempre é ótimo estar de volta.

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East Side Gallery, Berlim
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Costa Nova, Aveiro, Portugal

OUTUBRO: Hamburgo (Alemanha)

Seis garotas vindas de três cidades diferentes da Alemanha conseguiram se encontrar em Hamburgo para um fim de semana de despedida de solteira – que foi uma surpresa para a noiva, inclusive o programa que nós planejamos: salão de trampolins, paintball, brunch e claro, uns bons drinks.

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“The Chug Club”: excelente bar em Hamburgo, Alemanha

DEZEMBRO: Rio de Janeiro (Brasil)

Como de costume, eu passei os últimos dias do ano no Rio – e essa foi a primeira vez que meu namorado também foi! Passamos o Ano Novo vestidos de branco, com um casal de amigos queridos que também foram para o réveillon, com os pés nas águas da praia de Copacabana e os olhares para os fogos de artifício no alto.

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Réveillon em Copacabana, Rio

Como 2018 teve tantos marcos importantes para mim, vai ser difícil superar esse ano… Mas… dê o seu melhor, 2019! Espero que todo mundo tenha ótimas viagens esse ano!

6 anos depois… ainda na Europa!

Hoje faz 6 anos que eu me mudei pra Europa, e 3 que eu comecei uma plataforma para compartilhar meus pontos de vista sobre viver no exterior: este blog.

Seis anos inteiros. São 2 copas do mundo que eu vivenciei aqui. Ou, em termos acadêmicos, é a duração total de um mestrado mais um doutorado (então, acredite, é muito tempo).

Meus colegas da pós-graduação, com quem eu compartilhei essa jornada europeia desde o primeiro dia, e eu estamos terminando nossos doutorados este ano. Então, pra nós, este 6º Euroversário é o fim de uma era, o encerramento de um ciclo.

Eu tento fechar os olhos e imaginar eu mesma 6 anos mais jovem chegando aqui. Lembro de me sentir super animada, extremamente grata e surpreendentemente destemida. Mas será que eu achava, naquela época, que eu ainda estaria vivendo aqui depois de todo esse tempo? Ou, melhor dizendo, que eu ainda iria querer morar aqui?

Eu tinha sim uma atitude de mente aberta, de “vamos ver no que vai dar”, mas com uma leve tendência de achar que eu iria querer voltar pro meu país de origem eventualmente, depois dos meus estudos.

Mas meu mestrado e doutorado se passaram e eu ainda estou aqui. Felizmente, por escolha. Até mesmo o meu lado mais aventureiro do passado não poderia ter previsto que minhas intenções atuais fossem ser tão claras. Eu cheguei à conclusão que Berlim é o lugar onde eu quero estar no momento.

Eu tive a oportunidade de morar em, e visitar, várias cidades da Europa nestes últimos 6 anos, e encontrei um lar na Alemanha – especificamente, na capital. Não é novidade que Berlim é uma cidade interessante, barata, tudo-menos-entediante, com condições de moradia difíceis de serem batidas. Essa cidade me ganhou.

Isso quer dizer que a vida aqui é só flores? De jeito nenhum. Eu às vezes fico com vontade de xingar certos alemães em português? Com certeza. Mas todo lugar no mundo tem as suas desvantagens, então o que importa no fim das contas é que os prós superem os contras. E eu não consigo pensar em nenhum motivo pra deixar Berlim ou em qualquer outra cidade onde eu estaria mais feliz morando.

Pelo menos por enquanto. O ditado “nunca diga nunca” é tão válido agora quanto era há 6 anos. Na minha adolescência no Brasil, eu não tinha ideia de que um dia eu iria construir um novo mundo meu na Alemanha. Então é inútil tentar prever o que o futuro vai trazer.

Tudo o que sei é que, 6 anos depois, eu ainda estou aqui – mais grata e satisfeita do que nunca.


Posts reflexivos da mesma série:

2017 – 5 anos na Europa

2016 – 4 anos na Europa

2015 – 3 anos na Europa

7 coisas que você precisa saber ao se mudar para a Alemanha

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Essas dicas são pra quem está se mudando, ou acabou de se mudar, para a Alemanha. A maioria delas é relacionada à burocracia alemã ou como evitar multas. Mas, fazer o quê – essas são as coisas que você precisa saber com mais urgência – antes mesmo de descobrir onde fica o Biergarten mais próximo. Então vamos começar a nos acostumar com as regrinhas alemãs:

1. Você tem que registrar seu endereço em um escritório do governo

Uma vez tendo seu endereço fixo no seu novo lar alemão, você precisa marcar um horário (Termin) em um escritório do governo (Bürgeramt) na cidade onde você agora mora para fazer um registro (Anmeldung) do seu endereço. Leve seu passaporte e seu contrato de aluguel com você. Desta forma, o governo alemão sabe onde você e todos os outros cidadãos moram. O registro é gratuito e se recusar ou demorar a fazê-lo pode te causar uma multa. Oficialmente, ele deve ser feito dentro das suas duas primeiras semanas na Alemanha.

Se você se mudar para um novo endereço, você precisa se registrar novamente (Ummeldung) e se você sair da Alemanha, é necessário cancelar o registro (Abmeldung).

Basta digitar no Google: Anmeldung + nome da cidade alemã onde você vive, e você encontrará o site oficial para marcar o horário e obter mais informações.

2. Ter seguro-saúde é obrigatório

Ou seja: mesmo sendo caro, não tem jeito. Você vai precisar apresentar seu número do seguro de saúde para poder assinar um contrato de trabalho, por exemplo. A boa notícia é que, por lei, o empregador paga metade do custo. Existem dois tipos de seguro-saúde na Alemanha: público e privado. E há várias empresas que oferecem pacotes diferentes por preços diferentes. A grande maioria dos alemães tem um seguro público que cobre tudo. Alguns estrangeiros preferem ter um seguro privado se não forem permanecer por um longo período de tempo, porque às vezes podem ser mais baratos. Pesquise na internet, pergunte a colegas e compare as diferentes opções para fazer a melhor escolha para você.

3. Ter uma conta bancária alemã não é obrigatório oficialmente, mas na prática é

Você vai precisar de uma conta bancária alemã para pagar seu aluguel e seguro-saúde, para receber seu salário ou qualquer tipo de pagamento, para obter um plano de telefone alemão ou internet em casa. Então, mesmo que não haja uma lei dizendo que quem mora na Alemanha precisa ter uma conta bancária alemã, é provável que você não consiga se virar sem uma.

4. Você deve carimbar o seu bilhete ao usar o transporte público

Isso parece óbvio para a maioria das pessoas que estão acostumadas com a cultura europeia, mas pode ser confuso para pessoas que vêm para a Alemanha de mais longe. Diferente de outros países da Europa, o transporte público em cidades alemãs geralmente não possui catracas onde você tem que colocar seu bilhete para entrar. Tudo é baseado na confiança. Você deve sempre ter um bilhete válido e estampado ao usar o metrô, trens, bondes ou ônibus na Alemanha. Os controladores de ingressos podem aparecer a qualquer momento (à paisana, sem um uniforme específico) e pedir que você mostre seu bilhete. Se não estiver carimbado e válido, você será multado (atualmente €60 em Berlim).

5. Fazer download pirata de música e mídia gera multas

Faça o que fizer, NÃO faça download de músicas, filmes ou programas de TV pela internet. Isso inclui torrent: nunca use torrent na Alemanha. É melhor até deletar os programas de torrent que você possa ter no seu computador. Eles sabem como te encontrar (se lembra do Anmeldung?), mesmo através da identificação do seu computador, e bastante gente, geralmente estrangeiros, é multada por esse motivo. Eu já ouvi exemplos reais de estrangeiros que não sabiam dessa regra e receberam uma multa de mais de €800. Então, melhor não arriscar. A solução: usar streaming online não vai te causar problemas, ou pagar pela mídia que você está usando (através de Netflix, Apple Store, Spotify, etc.).

6. Existe um imposto para TV e rádio

Cada residência na Alemanha paga um imposto pelo uso de TV e rádio (Rundfunkbeitrag) – mesmo que você não possua nenhum aparelho de TV ou rádio. É uma taxa fixa de €17,50 por mês – por residência, não por pessoa. Esse dinheiro é destinado a sustentar os canais públicos da Alemanha. Depois de registrar seu endereço (veja #1), você receberá uma carta instruindo-o a pagar a taxa mensal compulsória.

Para mim, como estrangeira, esta regra não faz muito sentido, já que os canais de TV e rádio ainda mostram comerciais – que na teoria existem justamente para sustentar os canais financeiramente. Mas todos os imigrantes concordam que não há o que fazer, e mesmo que você tente ignorar o imposto, o sistema vai vencer no fim das contas e você terá que pagar um valor ainda maior.

7. Você pode receber dinheiro de imposto de volta

Vamos terminar esta lista com uma boa notícia: se você for ficar na Alemanha por um tempo, você pode ser elegível para receber reembolso de uma parte dos impostos (Steuererklärung) uma vez por ano. Se o seu salário vier de uma bolsa de estudos, ele é isento de impostos, então você provavelmente não terá direito a recebê-lo. Mas se você está trabalhando sob um contrato de trabalho, você pode solicitá-lo. Você pode ou buscar informações online e descobrir por si mesmo todos os documentos que você precisa (embora possa ser mais complicado para não-alemães), ou contratar um consultor (Steuerberater) que irá aconselhá-lo quanto ao que fazer para receber o maior valor possível.

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Espero que essas dicas esclareçam algumas dúvidas e tornem a sua nova vida na Alemanha um pouco mais fácil. Após a fase inicial de se instalar, tudo fica mais leve. Willkommen! 🙂

Retrospectiva: minhas viagens em 2017

2017 foi maravilhoso pra mim, tanto profissional quanto pessoalmente. E foi um ano de muitas, mas muuuitas viagens. Parando pra contar, eu estive em 13 países só este ano (sim, TREZE!!), sendo 3 vezes na Itália e em 4 países pela primeira vez: Uruguai, Argentina, Escócia e Irlanda. Foram mais países do que meses. Mesmo assim, foi de longe o ano mais produtivo do meu doutorado.

Em 2015, eu viajei todos os meses do ano e em 2016, quase (só 1 mês ficou de fora). Esse ano foi diferente: a grande maioria das minhas viagens ficou concentrada no primeiro semestre, quando há o maior número de feriadões e a primavera/verão, mas foram uma ou duas viagens por mês. Foram tantas idas e vindas entre janeiro a agosto, que eu confesso que até eu fiquei um pouquinho cansada. 😀

JANEIRO: Rio de Janeiro / Uruguai + Argentina

Como sempre, eu passei a virada de ano na minha linda cidade, Rio de Janeiro.
E, achando um absurdo eu conhecer tantos países da Europa mas só o Brasil na América do Sul (e mesmo assim, nem o país todo), eu finalmente resolvi mudar isso. Viajei com o meu pai por Montevidéu, Punta del Este e Colonia del Sacramento (no Uruguai) e, depois de cruzar de um país ao outro de barca, Buenos Aires (na Argentina).

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Montevidéu, Uruguai

FEVEREIRO: Suíça

Minha segunda vez em Genebra e terceira na Suíça, dessa vez pra comemorar o aniversário de uma amiga querida, que de quebra me levou pra comer muito queijo e conhecer o detector de colisão de partículas da CERN. Também visitei Montreux, Vevey e Lausanne, que compõem a Suíça francesa, ou Riviera Suíça. Um cenário lindo com a neve no topo das montanhas.

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Suíça francesa

ABRIL: Escócia / Irlanda

Feriado de Páscoa conhecendo a Escócia pela primeira vez com uma amiga do mestrado e uma amiga de infância do Rio que nos encontrou lá. Visitamos Edimburgo e Glasgow e fizemos passeios para o Lago Ness, as Highlands, Stirling, Lago Lomond e uma destilaria de uísque.

E eu visitei o meu 27° país, a Irlanda, no meu 27° aniversário, no feriadão do dia do trabalho. Fiquei hospedada com uma amiga do mestrado que foi uma ótima anfitriã. Conheci Dublin e fiz passeios para os Cliffs de Moher e Howth e a baía de Galway. Apesar da fama de chover bastante tanto na Escócia quanto na Irlanda, foram lindos dias de sol de primavera!

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Cliffs of Moher, Irlanda

MAIO: Alicante (Espanha) / Torino + Cinque Terre + Pisa (Itália)

Cheguei de Dublin e, no dia seguinte, quase sem respirar, voei para Alicante para uma conferência para doutorandos de Neurociências. O resort perto da praia, onde o evento ocorreu, os amigos e o tempo quente e ensolarado fizeram parecer que a viagem foi puramente a lazer.

No feriadão do fim de maio, fui à Itália com meu melhor amigo. Ele queria conhecer Torino (fã do Juventus!) e eu, Cinque Terre: os 5 vilarejos à beira do mar, com lindas casinhas coloridas nos penhascos. Então, fizemos ambos! E de quebra, Pisa também, que era ali do lado. Que visuais deslumbrantes!! Dentre as minhas viagens de 2017, essa leva o prêmio de melhor destino.

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Manarola (Cinque Terre), Itália

JUNHO: Paris / Amsterdam

Minha terceira vez em Paris, visitando uma amiga carioca no fim de semana, em pleno verão (e que calor!). Visitamos o que faltava pra nós duas conhecermos por ali: o Palácio de Versalhes.

Também passei uma semana em Amsterdam para participar de um curso maravilhoso de BioBusiness, hospedada gentilmente por uma amiga do mestrado.

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Palácio de Versalhes

JULHO: Göttingen (Alemanha) / Leuven (Bélgica)

Estive de volta à cidade alemã onde eu morei durante o mestrado, Göttingen, por uma semana a trabalho, rodeada de amigos. E mais tarde fui a Leuven (minha segunda vez) para o casamento de uma amiga querida. Que fim de semana especial e maravilhoso!

AGOSTO: Kenilworth (Inglaterra)

Mais um fim de semana para comemorar o casamento de outra amiga querida, dessa vez em Kenilworth, na Inglaterra. Teve muito amor, muito sol, céu azul e caipirinha. Foi realmente incrível!

OUTUBRO: Veneza (Itália)

Uma viagem super romântica com meu namorado (nossa primeira juntas, e primeira vez em Veneza!). Fiz um post contando tudo sobre o que ver por lá além da ilha principal: Burano, Murano, Torcello e Sant’Erasmo.

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Veneza, Itália

DEZEMBRO: Roma / Rio de Janeiro

Indo de Berlim pro Rio com uma amiga que estava no mesmo voo, tivemos uma conexão de 7 horas em Roma. Apesar de não ter sido nossa primeira vez lá, fomos andar pela cidade cheia de luzes de Natal. Parece que a Itália não queria me largar esse ano.

E 2017 termina onde começou: no Rio de Janeiro. 🙂

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Rio de Janeiro, Brasil

Mal posso esperar por 2018 e as viagens que virão! Feliz ano novo a todo mundo!!!


Retrospectiva 2016

Retrospectiva 2015

Respondendo à pergunta “Como você faz para viajar tanto?”

As ilhas da lagoa de Veneza: Murano, Burano, Torcello

Veneza é um belo destino que atrai milhares de turistas diariamente. Antes de visitá-la pela primeira vez, eu sabia que corria o risco de a cidade ser superestimada, mas minhas expectativas foram correspondidas. Talvez uma decisão crucial tenha sido seguir a dica de ir durante o outono, quando o tempo ainda está bom mas as multidões são bem menores.

A ilha principal de Veneza é pequena e pode ser bem explorada em 1-2 dias. Só tem 4 km de comprimento e 1 km de largura. Então, se você tem um dia extra lá, pode ir conhecer outras ilhas da grande lagoa de Veneza.

Barcas (ou vaporettos) são realmente o principal tipo de transporte público em Veneza – igual a ônibus ou metrô em qualquer outra cidade. Há bilhetes de 24, 48 e 72 horas, válidos para viagens ilimitadas de barca, que geralmente valem a pena (inclusive, há um bom desconto no bilhete de 72 horas pra pessoas menores de 29 anos!). Pra mais informações, veja aqui onde diz “public transport”.

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Burano

Essa foi a minha ilha favorita na lagoa, depois de Veneza. As casinhas coloridas ao longo dos canais em direção à lagoa compõem um cenário extremamente fotogênico. A ilha é conhecida pelo artesanato de renda, que é vendido em lojas nas pequenas ruas. Fica a 30 minutos de barca de Murano e a 40 minutos de Veneza.

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Torcello

Sinceramente, esta ilha é mais conhecida pela sua história do que pelas suas atrações. É bem pequena e não há muito para ver. Há duas igrejas que você precisa pagar para visitar e um pequeno museu. Nós decidimos visitá-la porque fica bem pertinho de Burano – então, se você estiver com um sentimento de “por que não?”, vá. Mas saiba que – pelo menos comparada às outras ilhas na lagoa de Veneza – esta não é tão encantadora.

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Murano

Enquanto Burano e Torcello ficam perto uma da outra e mais longe da ilha principal de Veneza, Murano fica bastante próxima (uns 10 minutos de barca). E assim como Burano é conhecida pela renda, Murano é famosa pelos seus produtos de vidro, feitos à mão na ilha. Você pode assistir a artistas em ação fazendo as pequenas figuras de vidro dentro das lojas.

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Sant’Erasmo

A ilha tranquila e pacífica de Sant’Erasmo não é algo imperdível para turistas – MAS é uma ótima opção para acomodação em uma visita a Veneza. Nós vimos que o Hotel Il Lato Azzurro tinha excelentes comentários no Booking.com e um preço ridiculamente melhor do que os hotéis na principal ilha de Veneza. Eu estava um pouco com pé atrás pelo fato de ser em outra ilha (localização é prioridade para mim quando busco acomodação), mas não sentimos que o trajeto de barca de 25 minutos de Veneza tenha sido longo (além do mais, nós tínhamos um bilhete com viagens ilimitadas). O charmoso hotel compensa pela distância com quartos com varanda e vista para o lago, um bom café da manhã, funcionários simpáticos e bicicletas gratuitas para os hóspedes pegarem emprestado quando quiserem. Obs.: eu não recebi absolutamente nada do hotel para recomendá-lo. 🙂

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Outras ilhas

Nós também andamos por Mazzorbo, uma ilha residencial colada a Burano – muito tranquila e não exatamente  imperdível.

San Michele é uma pequena ilha-cemitério localizada entre Veneza e Murano.

Nós não fomos a Lido, no sudeste da lagoa, mas essa também é uma ilha que alguns turistas visitam quando estão em Veneza.


Então, há claramente mais em Veneza do que apenas a sua ilha principal. Mas uma coisa é uma constante: o transporte hidroviário, seja por gôndola ou vaporetto. Não dá pra perder (e nem se deve).

A estranha sensação de ter dois lares

Às vezes é como se eu vivesse em dois universos paralelos. Os dois mundos são extremamente reais, complexos, meus, mas muito diferentes.

Um guarda a minha família, meus amigos mais antigos, meu passado, minhas lembranças, minha base. O outro é o meu presente, meu dia-a-dia, minha rotina, minhas novidades, meus amigos mais recentes (mas já nem tão recentes assim), meu agora.

Eu tenho um endereço, uma conta bancária e um número de celular em cada um dos meus mundos. Coisas materiais que dão a impressão de que a gente está ancorado em determinado lugar.

Quando acontece de os dois mundos se misturarem (o que não é muito frequente no meu caso), meu cérebro dá um nó. É como se personagens de dois núcleos diferentes da novela de repente se encontrassem. É como assistir aos Jetsons no cenário dos Flintstones. O que é que o meu pai tá fazendo aqui no metrô de Berlim? Como assim a minha amiga de infância, que pertence ao ‘mundo de lá’, tá no meu campo visual junto com a minha amiga do mestrado, que pertence ao ‘mundo de cá’? Uma sensação meio como naquele filme, ‘A Origem’.

Normalmente sou eu que me desloco entre os dois mundos, mas também assim é confuso. Quando eu vou visitar o Brasil, eu estou indo pra casa, ou pra casa dos meus pais? E quando é hora de partir, eu estou deixando a minha casa, ou indo pra casa? Eu sinto que a resposta é: os dois.

Para cada partida, há uma chegada. Depende do ponto de vista.

Quando meu voo ou trem chega na Alemanha, de volta de uma viagem, automaticamente me vem aquela sensação de ‘cheguei em casa’. E quando eu estou viajando em outro país onde não se fala alemão, mas de repente ouço um grupo de turistas falando alemão na rua, estranhamente aquilo me soa familiar… Pra mim, tem som de lar. Estranho, né?

Eu vivi no Brasil até os 22 anos e agora faz 5 que moro na Europa. Considerando como adulto alguém maior de 18 anos de idade, eu chego à conclusão espantosa de que eu já passei maior parte da minha vida adulta na Alemanha, e não no Brasil.

Me mudar pra Europa foi um grande marco na minha vida, daqueles divisores de águas, pelos motivos enumerados aqui. Foi quando o portal se abriu pra toda uma nova dimensão. E agora começa o sexto ano dessa era.

Eu me sinto em casa no Rio e em Berlim. Sou uma habitante orgulhosa de dois mundos, em meio a uma vida multidimensional. Tenho lares em duas cidades, cada uma um mundo por si só.