7 pensamentos para minimizar a saudade do Brasil

saudade

“Tudo bem que você adora morar lá e já está muito bem adaptada, mas… você não morre de saudade de casa?”

Essa é uma das perguntas mais frequentes feitas a quem mora no exterior. E comigo não é diferente.

A resposta que sempre dou é: claro que dá saudade da família, dos amigos, do clima, da comida, e do Brasil em si. Tem dias em que bate mais forte do que em outros. Mas em geral é uma saudade tolerável, e não determinante.

Porque ao longo do tempo a gente acaba desenvolvendo “técnicas” para lidar com a saudade. E eu vou contar pra vocês as minhas. São pontos que eu tento lembrar a mim mesma quando a saudade tenta me invadir.

1. A vida é feita de escolhas

“Ou isto, ou aquilo”, já dizia Cecília Meireles.

Uma das coisas que mais ativa a saudade é ficar pensando em tudo de bom que se está “perdendo” na sua cidade natal. De fato, tem muita coisa legal acontecendo lá na sua ausência, porém, é uma troca: você está deixando de viver várias coisas lá para viver várias outras aqui. É preciso focar em tudo o que se está ganhando por estar ali, ao invés daquilo que se está perdendo no Brasil. Seja feliz no aqui e agora.

“É chocante e libertador – ninguém precisa de você pra seguir vivendo.”
(Texto de Antônia no Divã)

“Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!”

Cecília Meireles
(resumindo a história da minha vida)

2. Minha vida no exterior me satisfaz

Para o método #1 funcionar, é imprescindível estar satisfeito com o novo lar. Claro que nenhum lugar é perfeito, e não-tá-fácil-pra-ninguém, mas é importante saber claramente os seus motivos e objetivos para estar morando onde você mora. Para quem vive em em outro país por obrigação e não por escolha própria, ou odeia o trabalho que tem, ou deixou um parceiro no Brasil, a saudade tende a parecer mil vezes maior. É essencial gostar de morar na sua nova cidade (se possível, amar) e construir uma vida que te dê prazer, incluindo casa, trabalho, amigos, vida social e hobbies.

3. Sair da zona de conforto faz parte da experiência

Como dito no #1, pensar em tudo o que é melhor no Brasil causa saudade. Da mesma forma, pensar em tudo o que é pior no seu novo lar também provoca comparações e, consequentemente, saudade.

Dizem que é preciso ter ‘mente aberta’ para viver no exterior, e como é verdade! O inverno na Europa é frio pra caramba? SIM. Eu odeio frio? Muito! Mas eu estou disposta a tentar conviver com ele, por alguns meses do ano. Alguns alemães são grossos? Com certeza. Mas isso me faz desenvolver maneiras de me comunicar com tipos diferentes de pessoas – eu que estava acostumada a lidar só com pessoas sorridentes. Tudo é uma questão de ponto de vista.

Tem gente que não gosta de mudanças e simplesmente não quer se adaptar. E tudo bem! Cada um com a sua personalidade. Mas quem quer ser feliz ao morar no exterior precisa estar disposto a viver de forma diferente. Eu sofro de verdade por não comer arroz com feijão todo dia? Na verdade, não.

4. Internet, eu te amo!

Nessa era maravilhosa de tecnologia e globalização, fica muito fácil e prático manter contato internacional. Eu procuro estar sempre atualizada sobre a vida dos meus amigos, mesmo longe. Procuro saber como eles estão, o que andam fazendo e quais seus planos futuros. E sempre que eu vejo alguma coisa que me faz lembrar alguém, ou tenho algo a dizer, eu mando na mesma hora um áudio, um link, ou uma foto.

“Ah, mas não é a mesma coisa falar com um amigo por Skype, Whatsapp ou Facebook…
Pessoalmente é muito melhor.”

COM CERTEZA pessoalmente é muito melhor, e não há rede social que possa substituir um abraço, ou a sua presença em carne e osso no casamento do seu primo, ou no almoço de dia dos pais. Sem dúvida. Isso é indiscutível. Mas… já é uma GRANDE ajuda. Eu converso com os meus pais no Skype pelo menos umas 3 vezes por semana. Minha mãe inclusive diz que eu converso mais com ela quando estou no exterior do que quando estou de visita no Brasil, quando eu tenho que dividir a atenção entre tantos parentes e amigos (risos). O que me leva ao quinto ponto…

5. Daqui a pouco chega a hora de visitar o Brasil

E que hora mais feliz!!!

Eu tento ir ao Brasil pelo menos uma vez por ano. E, tendo muitos amigos e familiares e só algumas semanas para visitar, eu tento otimizar o meu tempo ao máximo. Cada horário de cada dia é destinado a visitar alguém e/ou algum lugar e/ou comer alguma comida brasileira. Se possível, todas as opções juntas.

Eu também prefiro ir para o Natal e Ano Novo porque é justamente nessa época em que a maioria das pessoas se reencontra para festas de fim de ano e confraternizações. Assim fica muito mais fácil rever diferentes grupos de amigos e matar a saudade de várias pessoas queridas ao mesmo tempo. Aproveitar bem cada visita é essencial (e suficiente) para conseguir ‘’zerar’’ a saudade – pelo menos por algum tempo.

6. Não é só porque eu moro longe que eu não vejo todos os seus amigos o tempo todo

Quando eu estou no Brasil revendo um grupo de amigos, é muito comum eu ouvir:

“Sabe, eu encontro você só uma vez por ano, mas parando pra pensar… eu encontro esses outros amigos aqui umas 2, no máximo 3 vezes por ano. E olha eles moram na mesma cidade que eu.”

Esse é um fato que, apesar de lamentável, me conforta. Eu tento me lembrar disso quando eu penso que lá no Brasil todo mundo se reúne o tempo inteiro e só eu estou longe, excluída. A verdade é que todo mundo tem a sua vida, seu trabalho, sua rotina, e nem sempre consegue se encontrar, mesmo vivendo perto (o que é uma pena). E quando eu estou de visita no Brasil, os meus amigos fazem uma forcinha extra para me encontrar, porque sabem que eu não estou lá sempre. Olha que privilégio!

Fora que muitas vezes os meus amigos no Brasil estão se comunicando entre si por… isso mesmo, Whatsapp e Facebook! Da mesma maneira que eu com eles.

Este é o meu lembrete “se é que serve de consolo”.

7. O que é verdadeiro permanece

Todos nós mudamos com o tempo – seja quem mora no exterior ou no Brasil. Pessoas mudam, circunstâncias mudam, mas amizades não necessariamente. Toda vez que eu vou ao Brasil eu tenho a sorte de ver de perto que a minha relação com amigos e familiares queridos não mudou. Pode passar o tempo que for: quando eu os encontro, parece que estive sempre ali.

E aí eu penso: UFA! =)

“Amizade verdadeira não é ser inseparável,
é estar separados e nada mudar”

Essa é uma certeza maior do que qualquer saudade.

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6 comentários sobre “7 pensamentos para minimizar a saudade do Brasil

  1. Mari, o blog está lindo. Essa matéria é perfeita pra mim. Se eu for morar fora, vou precisar dessas suas dicas pq tenho aversão à mudança …beijooooo

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