O lago Obersee (Königssee) no Parque Nacional Berchtesgaden

A maioria dos lugares cênicos procurados por turistas são bem mais bonitos nas fotos do Google do que na realidade. Lá estão as melhores fotografias, pelos melhores fotógrafos, nos dias mais bonitos, e às vezes também com uma ajudinha do Photoshop. Por isso, eu tento não criar tanta expectativa quando vou visitar um desses lugares. Mas… o lago Obersee foi uma exceção. Surpreendentemente, ele conseguiu ser mais bonito ao vivo do que nas fotos que eu havia visto.

Trata-se de um lago cristalino e espelhado, rodeado pelos Alpes o que faz com que a água reflita a imagem das montanhas e do céu. Soa como o paraíso, né? E é mesmo.

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O lago Obersee fica no final do lago Königssee, no parque nacional Berchtesgaden, bem ao sul da Alemanha, literalmente na fronteira com a Áustria. As montanhas dos Alpes que rodeiam o lago delimitam a fronteira. Apesar de estar em território alemão, a cidade (e aeroporto) mais próxima do parque é Salzburg que também é linda! Por isso, fica a dica de visitar Salzburg em um fim de semana ou feriadão e fazer um bate-e-volta de lá até Berchtesgaden é bem fácil, inclusive de transporte público.

O parque nacional Berchtesgaden também oferece várias outras atividades, como diversas trilhas e mirantes. Um deles é onde fica o Eagle’s Nest (Kehlsteinhaus), uma casa que foi dada de presente de 50 anos a Adolf Hitler como uma casa de chá para diplomatas. Berchtesgaden, aliás, era um local que Hitler gostava muito de visitar. Mas não deixe isso te desencorajar! A sensação de paz que a natureza desse parque proporciona realmente não merece ser associada a essa figura sombria do passado.

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Como chegar

Pegar o ônibus 840 em Salzburg até a parada final (Berchtesgaden Hbf, a estação de trem). A viagem leva só 45 minutos (mesma coisa de carro). De lá, pegar outro ônibus que vá até Königssee. Tudo é bem fácil de achar, até porque várias outras pessoas estarão fazendo o mesmo trajeto. Para voltar, é só pegar os mesmos ônibus no sentido oposto.

De Munique dá pra chegar em Berchtesgaden de trem com uma troca em Freilassing, mas cada trecho da viagem demora em torno de 3 horas (de carro, em torno de 2 horas).

Chegando na entrada para o Königssee, ande até a estação das barcas e compre um bilhete para o barco que faz o passeio pelo Königssee até o Obersee. No passeio, um guia irá explicar um pouco sobre o parque, apontar algumas cachoeiras bonitas e mostrar o efeito do eco no lago. O barco faz parada primeiro na estação St. Bartholomä, onde você pode saltar para visitar a capela, e depois pegar outro barco (incluído no bilhete) até a estação Salet. De lá, um pequeno caminho de uns 5 a 10 minutos andando leva até o Obersee.

Do outro lado do Obersee há um casinha e você pode andar até lá, contornando o lago por um caminho à direita (bem fácil de andar), e depois voltar. A vista do outro lado também é fantástica! E essa casinha é na verdade um pequeno restaurante, onde também há banheiros.

Não é permitido nadar no lago (apesar de algumas pessoas entrarem na beira).

Quando ir

Eu acredito que o lago e seus reflexos fiquem especialmente bonitos durante o verão, em um dia de sol. Eu fui em junho de 2015 e estava um dia lindo, e não muito cheio.

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Capela St. Bartholomä no lago Königssee
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Obersee visto do lado oposto ao caminho de entrada

Para mais fotos desse destino, clique aqui.

Espero que você aproveite esse passeio deslumbrante que é visitar o parque Berchtesgaden e seus lagos Königssee e Obersee! 🙂

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Curiosidades sobre a Alemanha (parte 1)

Existem tantos fatos ou hábitos da Alemanha que são curiosos/estranhos pra um estrangeiro que essa vai ter que ser uma série de posts, e não só um! hehe

Pra quem já mora aqui há um tempo, como eu, essas coisas já se tornaram completamente normais e hoje em dia passam totalmente despercebidas. Mas quem ainda não é tão familiarizado com a cultura alemã geralmente acha esses fatos bastante confusos ou estranhos.

Vamos começar com 5 deles:

1) A pipoca no cinema é doce

Até tem pipoca salgada aqui, mas a pipoca ‘padrão’, que você encontra pra vender por aí, geralmente é doce. Ir ao cinema e não ter nem a opção de comer pipoca salgada? Como assim?

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2) As notas acadêmicas vão de 1 a 6, sendo 1 a melhor nota

Na Alemanha, o sistema de notas não é de zero a 10, ou de zero a 100. Tampouco é como o sistema A-B-C-D. Funciona assim:

1 = muito bom
2 = bom
3 = satisfatório
4 = suficiente para passar / nota de corte
5 = insuficiente
6 = muito insuficiente / zero

É preciso tirar pelo menos 4 para passar numa prova ou curso. As universidades às vezes nem mencionam a nota 6, já que qualquer número maior que 4 já significa reprovação. As notas também tem uma casa decimal, geralmente com dígitos ímpares. Por exemplo: 1,3 – 1,5 – 1,7 (sendo que 1,3 é melhor do que 1,7). Pros alemães, uma nota 2 é melhor do que uma nota 3. Totalmente contra-intuitivo.

A primeira vez que eu recebi uma nota no mestrado, o email dizia ‘1,0’. Quase tive um mini-infarto. 😀

3) O segundo andar é o primeiro

No Brasil, o andar térreo geralmente é considerado o primeiro andar, o andar acima é o segundo, e assim por diante. Mas na Alemanha, o andar térreo é o ‘andar zero’. E o primeiro andar (número 1) é o que vem acima do térreo. Isso causa muita confusão aos recém-chegados ao país. ‘Me encontre no primeiro andar’ – no início o seu cérebro está treinado pra pensar automaticamente no andar térreo, que é o primeiro andar em que você pisa. Em vários elevadores ou nas grandes lojas de departamento por aqui é possível ver o número zero no letreiro se referindo ao térreo (e às vezes -1 e -2 pro subsolo).

4) Ao entrar na casa de um(a) alemão(ã), você tem que tirar seus sapatos

Esse é talvez o hábito mais tipicamente alemão de todos. Todo e qualquer alemão tira os sapatos assim que entra em casa, ainda na porta, e coloca um par de ‘sapatos de ficar em casa’, ou anda de meias. Eles fazem o mesmo quando vão visitar alguém, e esperam isso de você quando vai visitá-los. Eu, que não sou muita fã de andar descalça, tenho que lembrar de conferir que as minhas meias não estão furadas antes de ir visitar algum amigo aqui! hehe

O intuito desse hábito é manter a higiene e não trazer sujeira de fora pra dentro de casa – o que é bastante compreensível. Mas esse costume está tão incorporado no DNA dos alemães que eles o seguem à risca mesmo quando não faz o menor sentido. Como no caso de festas dentro de casa, por exemplo. Festa sempre causa alguma sujeirinha e bagunça, e o apartamento vai ter que ser limpo depois de qualquer forma. Que diferença vai fazer se os convidados tirarem os sapatos? 😛

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“Tirem os sapatos” = assim começa uma festa alemã caseira (obs: tinham muitos outros sapatos que nem couberam na foto)

5) Os alemães amam bebida com gás

Eu disse ‘amam’? Eu quis dizer NÃO VIVEM SEM. Na Alemanha não existem só duas, mas três opções de água mineral: Still, Medium e Classic. Imagine você um turista ou recém-chegado no país que só quer matar a sede e encontra 3 tipos de água à venda. Qual deve ser a sem gás? A que diz ‘Classic’, certo? ERRADO. Clássico na Alemanha é água com gás. Vai entender… Still é sem gás, e Medium com um pouco de gás (pra você ver o quanto eles levam isso a sério).

Por aqui a água da torneira é potável e própria para beber – e mesmo assim, alguns alemães não abrem mão de comprar água com gás no supermercado (e ainda carregam aquele peso pra casa). Aqui tem até um eletrodoméstico que transforma água normal em água gaseificada! O vício é forte.

Retrospectiva: minhas viagens em 2016

O ano de 2016 não foi exatamente o melhor da vida pra muita gente pra mim inclusive. Mas o que salvou foram as viagens fantásticas que eu fiz. Se em 2015 eu consegui viajar todos os meses do ano, em 2016 foi quase (só fevereiro que não, snif). Mas eu visitei 3 países novos (Suécia, Malta e Bulgária), sendo o último o meu primeiro país cujo idioma usa um alfabeto diferente.

Ano passado eu fiz uma retrospectiva das minhas viagens de 2015, e num piscar de olhos chegou a hora de fazer o mesmo sobre 2016.

JANEIRO: Rio de Janeiro + Angra dos Reis / Ilha Grande + Arraial do Cabo (Brasil)
Meu ano começa na minha cidade natal, o Rio de Janeiro, que continua lindo. E nesse mês eu também fui a outras cidades do estado, com lindas praias (sendo a minha primeira vez em Angra e Ilha Grande finalmente!)

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Ilha Grande, RJ

MARÇO: Stuttgart, Karlsruhe, Tübingen, Heidelberg + Castelos da região (Baden-Württemberg, Alemanha)
Feriadão de Páscoa com dois amigos queridos. Fizemos uma viagem de carro pelo estado de Baden-Württemberg, no sudoeste da Alemanha, passando por diversas cidades e pelo menos 5 castelos diferentes.

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Vista para o Castelo Hohenzollern, Alemanha

ABRIL: Leipzig (Alemanha)
Minha segunda vez em Leipzig, pertinho de Berlim. Dessa vez a trabalho: fui com meus colegas de laboratório participar de uma conferência científica.

MAIO: Stockholm + Uppsala (Suécia)
Viagem de feriadão onde fiquei hospedada com uma amiga querida e sua família, e conheci duas importantes cidades da Suécia. Eu geralmente tenho sorte com o tempo em viagens, mas dessa vez foi bem impressionante: muito sol e calor por lá em pleno início de maio!

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Estocolmo, Suécia

JUNHO: Malta
A viagem mais esperada e planejada do ano, que conseguiu superar as expectativas (que eram bem altas!). Já fiz dois posts sobre Malta: um sobre informações gerais e um roteiro completo. Não tem nem mais o que dizer – foi provavelmente a minha melhor viagem de 2016.

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Blue Lagoon, Malta

JULHO: Budapeste + Szentendre (Hungria) / Rio de Janeiro + Búzios (Brasil)
Minha segunda visita à Budapeste, dessa vez a trabalho e em pleno verão, rodeada de colegas queridos. Ainda deu pra ir conhecer a charmosa cidade vizinha Szentendre.
Depois passei uma semaninha curta, porém muito importante, no Brasil. Tive a honra de ser madrinha no casamento de dois grandes amigos em Búzios, uma cidade de praia perto do Rio. Sem dúvida um dos melhores fins de semana do ano!

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Casamento em Búzios, RJ

AGOSTO: Saxônia Suíça (Alemanha)
Fim de semana passeando pelo parque nacional perto de Dresden e seus arredores, com parentes visitando do Brasil. Tem post aqui contando tudo sobre esse destino.

SETEMBRO: Sofia + Plovdiv (Bulgária)
Mais uma viagem de fim de semana, para um destino um pouco diferente do comum. Já contei tudo sobre essa visita à Bulgária nesse post aqui.

OUTUBRO: Poznan + Wroclaw (Polônia)
Nem mesmo a falta de companhia me impede de viajar num feriadão. 😛 Fui sozinha mesmo conhecer Poznan (Posnânia) e Wroclaw (Breslávia), duas cidades polonesas relativamente perto da fronteira com a Alemanha.

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Poznan, Polônia

NOVEMBRO: Stettin (Polônia)
De novo na Polônia! Dessa vez só um bate-e-volta de Berlim. Nada como quebrar a rotina com amigos queridos num sábado, mesmo num clima congelante (mas ensolarado).

DEZEMBRO: Göttingen (Alemanha) + Rio de Janeiro (Brasil)
O bom filho à casa torna, então no último mês do ano eu fui visitar a cidade que foi meu primeiro lar na Europa: Göttingen. Foi maravilhoso rever meus amigos de lá, e estar novamente no meu mercado de Natal favorito.
E claro, em dezembro eu vou ao Rio, meu primeiro lar da vida, hehe. Que semanas incríveis foram essas férias!

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Mercado de Natal em Göttingen, Alemanha

Olhando assim, até que o saldo geral de 2016 foi bastante positivo! Ano passado vários feriados caíram em fins de semana, mas 2017 promete, com diversos fins de semana prolongados!

Boas viagens esse ano pra todo mundo! 🙂

Viagem de fim de semana à Bulgária

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Catedral St. Alexander Nevsky em Sofia

Como vocês devem saber, eu tenho o hábito de procurar voos baratos para viagens saindo de Berlim, onde eu moro. Em uma dessas ‘caças ao tesouro’, eu encontrei voos não só super baratos, mas também nos horários perfeitos: ida sexta à noite e volta domingo à noite. Exatamente pro fim de semana. Uma raridade.

A viagem era à Bulgária, por 43 euros ida e volta com a Ryanair. Pra dar uma ideia do quão barato isso é: esse é o preço normalmente de uma viagem de trem na Alemanha (de ida e volta), que dure mais ou menos 2 horas cada trecho, caso você tenha o cartão que dá 50% de desconto, porque o valor normal é o dobro. Ou seja, voar por esse valor não é nada mau. Chamei um amigo querido que sempre topa essas minhas aventuras e compramos as passagens.

Duas colegas nossas que são da Bulgária haviam nos avisado que 1 dia é suficiente para ver a capital, Sofia, para onde voamos. E vários sites na internet com opiniões de viajantes sugeriam visitar também a segunda maior cidade da Bulgária, Plovdiv, que fica a 2 horas de Sofia. Então, foi o que fizemos: passamos o sábado em Plovdiv (bate-e-volta) e o domingo em Sofia.

A Bulgária foi o primeiro país que eu visitei cujo idioma tem outra escrita (eles usam o alfabeto cirílico). Além disso, quase ninguém fala inglês lá. Uma coisa que ajudou muito foi ter anotado como são os nomes das cidades que eu ia visitar no alfabeto deles, para conseguir reconhecer nas placas.

Foi uma leve aventura – mas eu quis visitar a Bulgária justamente por ser um país um pouco diferente dos que eu estava acostumada.


Sofia (София)

Do aeroporto para o centro de Sofia, é possível ir de ônibus ou metrô. Nós achamos mais fácil pegar o metrô, mas é bom saber que a estação fica no terminal 2, e as companhias aéreas de baixo custo (como a Ryanair) usam o terminal 3, que é um anexo à parte principal do aeroporto. Existe uma van que transporta passageiros entre os terminais 2 e 3 gratuitamente, mas ela não passa o tempo todo.

Em Sofia nós fizemos o free walking tour, que foi excelente, cobriu os principais pontos e nos contou muito sobre a história da Bulgária. O tour parte diariamente às 11h e 18h do Palácio de Justiça e tem duração de 2 horas.

PONTOS DE INTERESSE:
Catedral St. Alexander Nevsky (o principal cartão-postal da cidade), antigos banhos minerais de Sofia, Igreja Russa, Palácio Nacional de Cultura (NDK), Teatro Nacional Ivan Vazov (e parque ao redor), Palácio Real, Montanha Vitosha (uma enorme montanha bem próxima ao centro da cidade), Vitosha Boulevard: a rua principal, de pedestres, cheia de restaurantes e lojas (e turistas).

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Vitosha Boulevard e a montanha Vitosha ao fundo

Plovdiv (Пловдив)

COMO CHEGAR:
O melhor é ir de ônibus – a viagem dura 2 horas, e de trem demora 3 horas. A passagem custa 14 leva por trecho (7 euros) e pode ser comprada pouco antes da viagem na estação de ônibus, que fica bem ao lado da de trens. Geralmente os ônibus saem a cada hora cheia. Para garantir nosso lugar, nós compramos a passagem de volta assim que chegamos a Plovdiv. Ficamos na cidade de 11h às 18h, e foi suficiente. O ônibus é bem simples, mas cumpre a sua missão.

Você encontra o site da empresa de trens aqui (disponível também em inglês) e a de ônibus aqui (apenas em búlgaro! É aí que você compara as palavras pra achar a cidade que você quer, ou usa um tradutor online).

PONTOS DE INTERESSE:
Plovdiv é cheia de ruínas romanas espalhadas pela cidade. A mais impressionante de todas é o antigo Anfiteatro Romano – um enorme auditório construído na época a.C., e que até hoje ainda é usado como local de shows e eventos. Há também o Estádio Romano (debaixo da rua principal do centro) e o Fórum Romano.
Ande pela cidade antiga explorando as suas construções (como o Museu Etnográfico) e vistas para o centro. Perto das estações de trem e ônibus fica o Parque Tsar Simeon, onde um show do ‘chafariz mágico’ ocorre à noite.

Em Plovdiv também há um free walking tour que começa às 11 horas diariamente em frente à prefeitura, na rua principal.

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Antigo Anfiteatro Romano em Plovdiv

A Bulgária pode não ser um dos primeiros destinos que vêm à cabeça quando se pensa em Europa, mas com certeza vale a visita. A maioria das ruas e construções tem um aspecto bem simples e modesto, mas há vários pontos de interesse para turistas. É um país onde se gasta pouco, e é possível conhecer as duas maiores cidades em um fim de semana.

Para mais fotos da Bulgária, clique aqui.

A Bastei e o Parque Nacional da Suíça Saxônica

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A ponte Bastei e a montanha Lilienstein ao fundo

A Suíça Saxônica (em alemão, Sächsische Schweiz) é uma região e parque nacional a 43 km a sudeste de Dresden. O nome foi dado porque a paisagem cheia de montanhas pode lembrar a Suíça – mas na verdade fica no leste da Alemanha, quase na fronteira com a República Tcheca.

A atração mais popular do parque nacional é a Bastei – uma formação rochosa de montanhas de arenito formada no período Cretáceo (há 100 milhões de anos). Ali fica a famosa ponte da Bastei (Basteibrücke), a 194 metros acima do rio Elbe. Há alguns mirantes na Bastei que permitem uma bela vista para a ponte e as montanhas ao redor.

Em uma das entradas da ponte fica o Felsenburg Neurathen – as ruínas de um antigo castelo rochoso. O ingresso custa apenas 2 euros. O local funciona como um museu a céu aberto, com um lindo visual para os arredores em pontes suspensas.

O acesso à Bastei é fácil e não é preciso fazer trilhas para chegar lá – apenas subir escadas, para quem não vai de carro. Mas quem quer fazer trilhas tem várias opções pelo parque nacional. Além da Bastei, outro ponto de interesse popular da região é a fortaleza de Königstein. Nós preferimos visitar a pequena cidade de Pirna na beira do rio.

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Entrada do Felsenburg Neurathen

Quanto tempo ficar:
Um dia foi suficiente para visitarmos a Bastei e Pirna. Querendo ver outros pontos ou fazer trilhas, adicione mais dias.

Como chegar:

De carro: dirija em direção ao Bastei Berghotel, onde fica a entrada para a Bastei. Como somente hóspedes podem parar os carros no estacionamento do hotel, deixe seu carro no estacionamento do parque nacional, a 3 km, antes de chegar no hotel. De lá, sai um ônibus para a entrada da Bastei (e do Berghotel) por 2 euros ida e volta.

De trem: pegue o S1 em Dresden sentido Bad Schandau (dura 30 minutos), desça em Kurort Rathen e pegue uma barca para atravessar o rio. De lá, suba pelas escadas até chegar até a Bastei.

Nós fomos de carro e o acesso foi bem fácil (alugamos um carro em Dresden por 22 euros por dia). Mas vimos bastante gente subindo a pé até a Bastei. Parece ser cansativo, mas é viável. As escadas são largas e relativamente novas.

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Entrada da ponte Bastei
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Vista para o rio Elbe 

A Suíça Saxônica é uma área onde se pode caminhar pela natureza e admirar o visual de formações rochosas impressionantes. Dresden fica a 2h30 de Berlim, e há ônibus bem baratos fazendo esse percurso. Então, é uma opção super viável para uma viagem de fim de semana a partir de Berlim – ou um bate-e-volta saindo de Dresden ou Leipzig.

Quatro anos na Europa… Mas quanto tempo são 4 anos?

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Eu gosto de simbolismos. Outro dia eu estava olhando pra minha borracha (sim, a borracha que eu uso para apagar quando escrevo a lápis), e pensei: ‘nossa, como a minha borracha está velhinha e minúscula!’. Quase não dá mais pra segurá-la na hora de apagar. E aí eu me lembrei que eu comprei essa exata borracha logo antes de me mudar pra Europa. Eu devo ter pensado ‘estou indo fazer um mestrado fora, preciso de uma borracha decente’. Quatro anos mais tarde, ela continua sendo minha fiel companheira apagadora.

Se você sempre se perguntou como uma borracha fica depois de 4 anos de uso, é mais ou menos assim:

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Minha borracha: antes (meramente ilustrativo) e depois (real)

Além de simbolismos, eu também gosto de retrospectivas e de comparações. Elas me ajudam a observar e avaliar o decorrer das coisas de uma perspectiva mais ampla. Me mudar pra Europa foi um grande marco de ‘antes e depois’ na minha vida. E a borracha comprada justamente nesse marco me possibilitou (totalmente sem querer) observar como um objeto mudou desde que eu vim parar aqui.

Há 4 anos, eu:
a) saí da casa dos meus pais
b) fui morar sozinha (e pagar todas as minhas contas)
c) me mudei pra Europa
d) me formei na faculdade e comecei o mestrado

Tudo ao mesmo tempo. Às vezes a gente começa a se bancar sozinho mas continua morando com os pais; ou sai de casa mas fica na mesma cidade; ou vai até pra outro país mas pra morar com outra pessoa. Eu, pelo que parece, fui logo batendo todas essas metas de uma só vez.

Hoje o blog faz 1 ano. Eu decidi começá-lo quando percebi que já ia fazer 3 anos que eu estava morando na Europa e tinha muita coisa pra contar. E agora, mais um ano pra conta. Quatro no total.

Mas quanto tempo são quatro anos?

Bem, quatro anos é o tempo que leva pra consumir uma borracha nova quase por inteiro.

É a duração de uma faculdade, ou de um doutorado (no Brasil). É o tempo entre duas Olimpíadas, Copas do Mundo, eleições presidenciais, anos bissextos. Quando eu cheguei à Europa, os jogos olímpicos de Londres 2012 estavam acabando, e agora o mesmo está acontecendo com os do Rio 2016. A partir de agora, eu não vou mais assistir a nenhum dos grandes eventos mundiais regulares pela primeira vez desde que vim pra Europa – todos eles vão passar a ser repetidos. É assim que você se dá conta de que quatro anos é bastante coisa.

Mas ao mesmo tempo, quatro anos não é nada. Passa muito rápido.

Eu não sei o que o futuro me reserva, não sei quantos aniversários mais ainda farei na Europa… Só sei que aprendi MUITO nesses últimos 4 anos, e sou extremamente grata por tudo o que vivi aqui até agora.

E quanto à minha borracha, ela continua funcionando e é usada diariamente.

Roteiro de viagem para Malta

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Valetta vista de Sliema

Como dito no post anterior, Malta foi uma viagem especial. E como o meu planejamento de viagens geralmente é proporcional à minha ansiedade, dá pra imaginar que eu me preparei bastante pra essa visita. Juntando tudo o que eu aprendi pesquisando e visitando esse destino, eu montei um itinerário eficiente com os melhores pontos de interesse em Malta.

O roteiro é ideal para 6 dias – mas, se a sua estada for mais curta do que isso, é só priorizar os lugares que você mais quer visitar.


  • Dia 1: Valetta + Sliema + St. Julian’s + Paceville

Valetta
A capital de Malta – a menor capital na União Europeia.
Upper & Lower Barrakka Gardens: jardins com vista para o porto e as Três Cidades do outro lado. No Upper Barrakka Garden, um canhão é disparado como uma saudação diariamente ao meio-dia e às 16h.
Co-Catedral de St. John
Republic Street: rua principal de comércio
Explorar as ruas laterais e desertas da cidade

Sliema
Calçada ao longo da costa com vistas lindas para Valetta, diversos restaurantes e locais para mergulhar no mar, se estendendo até St. Julian’s

St. Julian’s
Uma grande escultura da palavra ‘love’ na entrada
Vários restaurantes e bares
St. George’s Bay (praia): de fácil acesso, portanto geralmente cheia de turistas
Paceville: a região das boates noturnas

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Blue Lagoon
  • Dia 2: Blue Lagoon + Millieha ou Golden Bay

Blue Lagoon
Provavelmente o local mais imperdível de Malta!
Essa piscina natural de água transparente fica na ilha de Comino. Como chegar: dirigir ou pegar um ônibus até Cirkewwa, e de lá pegar um barco até a Blue Lagoon. Todos os barcos fazem um pequeno passeio no caminho de volta, mostrando as cavernas do local. O mais recomendável é ir de manhã, quando há menos gente.
Chegando lá, você pode alugar uma cadeira e guarda-sol para ficar na pequena faixa de areia, ou simplesmente se sentar na rocha. Nós preferimos a segunda opção, porque (a) era de graça; (b) mesmo assim era fácil entrar na água; e (c) nós ainda tínhamos uma ótima vista pra Blue Lagoon de cima.

Se metade de um dia na Blue Lagoon for suficiente para você (para nós foi), você ainda pode ir relaxar em alguma outra praia na ilha principal de Malta pelo restante do dia. Mas claro que, comparadas à Blue Lagoon, elas não são tão impressionantes.
Algumas opções próximas ao local de desembarque em Malta são a Milleha Bay ou a Golden Bay. Na Golden Bay, existem 3 praias próximas uma da outra à escolha: Golden Bay propriamente dita (de mais fácil acesso e mais cheia), Gnejna e Ghajn Tuffieha (um pouco mais escondidas e menos povoadas).

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Azure Window, Gozo
  • Dia 3: Gozo

A ilha vizinha merece um dia inteiro de visita.
Como chegar: pegar uma barca que sai de Cirkewwa. A viagem dura em torno de 25 minutos e a passagem não é comprada na ida – você só paga na volta. (Mais informações e preços aqui).
Embarque com o seu carro se tiver um. Se estiver usando o transporte público, talvez valha a pena usar um dos ônibus hop-on hop-off para conhecer os pontos de interesse da ilha.

Citadella: fica na capital de Gozo – Rabat, ou Victoria (muitas cidades em Malta tem dois nomes). Uma fortaleza medieval, com uma catedral e vista para os arredores.
Azure Window e Fungus Rock na Dwejra Bay: o famoso e imponente arco rochoso, onde a série Game of Thrones filmou a cena do casamento da Daenerys com o Khal Drogo. Como a rocha ainda está em erosão, dizem que em algumas décadas o arco vai deixar de existir.
Santuário Ta’ Pinu: uma grande igreja, onde vários fiéis deixaram mensagens de agradecimento por terem sido curados de suas doenças.
Ramla Bay: uma praia aconchegante com areia avermelhada. O mirante Calypso Cave tem uma vista linda para a Ramla Bay.
Xlendi Bay: outra praia, com vários restaurantes em volta (inclusive uma sorveteria ótima). Ideal para uma parada pra comer.
Ggantija Temples: os templos megalíticos de Gozo. Se você já planeja visitar os outros templos na ilha de Malta, esse talvez seja dispensável.

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Marsaxlokk
  • Dia 4: As Três Cidades + Marsaxlokk + St. Peter’s Pool

As Três Cidades
Birgu (ou Vittoriosa), Bormla (ou Cospicua) e Isla (ou Senglea) – (lembra que em Malta várias cidades tem dois nomes diferentes?)
Pegar um barco de Valetta para a entrada das cidades (só esse cruzamento já é um passeio agradável) e explorar as suas ruas e a vista à beira-mar. Se o tempo estiver curto: Vittoriosa é considerada a mais bonita.

Marsaxlokk
Uma vila de pescadores muito simpática, com dezenas de barquinhos coloridos parados na baía. Aos domingos, há uma feira de peixes.

St. Peter’s Pool
Uma grande piscina natural, fantástica para nadar e pular na água. Fica bem perto de Marsaxlokk, mas a subida a pé deve demorar em torno de 1 hora. Por isso, o ideal é ir de carro ou táxi.

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Entrada de Mdina (ou será de King’s Landing?)

Mosta
Rotunda de Mosta: a terceira maior igreja da Europa, com uma grande cúpula. Durante a segunda guerra, uma bomba de 50 kg caiu ali dentro, mas não explodiu – o que foi visto como um milagre.

Mdina
Conhecida como a ‘cidade silenciosa’, é uma cidade medieval murada. A entrada de Mdina apareceu em Game of Thrones como a entrada de King’s Landing.
Fontanella Tea Gardens: uma casa de chá com um famoso bolo de chocolate e vista para os arredores (inclusive para a Rotunda de Mosta).

Rabat
Uma cidade charmosa em frente a Mdina.
Vila Romana
Igreja de St. Paul
Convento de St. Dominic (também foi local de filmagem de Game of Thrones)

Dingli Cliffs (penhascos de Dingli)
O ponto mais alto de Malta (253 metros) e considerado o melhor local da ilha para assistir ao pôr-do-sol.

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Blue Grotto visto de cima
  • Dia 6: Blue Grotto + Hagar Qim & Mnajdra

Blue Grotto
Passeio de barco por algumas grutas e cavernas, incluindo a Gruta Azul, com águas azul-piscina. O ideal é ir de manhã para ver o azul do mar no seu tom mais impressionante. O passeio é lindo, mas achamos bem curto (uns 20 minutos) e sentimos que o condutor do barco, apesar de simpático, passou bastante apressado pelas paradas (talvez por haver uma fila de barcos atrás dele).
Também é possível ver a Gruta Azul de cima, de um mirante ao lado de um ponto de ônibus com o nome de Panorama.

Hagar Qim & Mnajdra
Perto do Blue Grotto ficam os templos megalíticos de Hagar Qim e Mnajdra, que estão entre os monumentos mais antigos do mundo (em torno de 3000 a.C.). O ingresso permite a visita aos dois templos, que são próximos um do outro.


Para mais fotos de Malta, clique aqui.

E essa foi a primeira viagem onde eu não só tirei fotos, mas também filmei! (eu disse que Malta foi especial…). A maioria dos lugares mencionados no roteiro são mostrados nesse vídeo. Assista aqui!  🙂