Quatro anos na Europa… Mas quanto tempo são 4 anos?

airplane

Eu gosto de simbolismos. Outro dia eu estava olhando pra minha borracha (sim, a borracha que eu uso para apagar quando escrevo a lápis), e pensei: ‘nossa, como a minha borracha está velhinha e minúscula!’. Quase não dá mais pra segurá-la na hora de apagar. E aí eu me lembrei que eu comprei essa exata borracha logo antes de me mudar pra Europa. Eu devo ter pensado ‘estou indo fazer um mestrado fora, preciso de uma borracha decente’. Quatro anos mais tarde, ela continua sendo minha fiel companheira apagadora.

Se você sempre se perguntou como uma borracha fica depois de 4 anos de uso, é mais ou menos assim:

borracha
Minha borracha: antes (meramente ilustrativo) e depois (real)

Além de simbolismos, eu também gosto de retrospectivas e de comparações. Elas me ajudam a observar e avaliar o decorrer das coisas de uma perspectiva mais ampla. Me mudar pra Europa foi um grande marco de ‘antes e depois’ na minha vida. E a borracha comprada justamente nesse marco me possibilitou (totalmente sem querer) observar como um objeto mudou desde que eu vim parar aqui.

Há 4 anos, eu:
a) saí da casa dos meus pais
b) fui morar sozinha (e pagar todas as minhas contas)
c) me mudei pra Europa
d) me formei na faculdade e comecei o mestrado

Tudo ao mesmo tempo. Às vezes a gente começa a se bancar sozinho mas continua morando com os pais; ou sai de casa mas fica na mesma cidade; ou vai até pra outro país mas pra morar com outra pessoa. Eu, pelo que parece, fui logo batendo todas essas metas de uma só vez.

Hoje o blog faz 1 ano. Eu decidi começá-lo quando percebi que já ia fazer 3 anos que eu estava morando na Europa e tinha muita coisa pra contar. E agora, mais um ano pra conta. Quatro no total.

Mas quanto tempo são quatro anos?

Bem, quatro anos é o tempo que leva pra consumir uma borracha nova quase por inteiro.

É a duração de uma faculdade, ou de um doutorado (no Brasil). É o tempo entre duas Olimpíadas, Copas do Mundo, eleições presidenciais, anos bissextos. Quando eu cheguei à Europa, os jogos olímpicos de Londres 2012 estavam acabando, e agora o mesmo está acontecendo com os do Rio 2016. A partir de agora, eu não vou mais assistir a nenhum dos grandes eventos mundiais regulares pela primeira vez desde que vim pra Europa – todos eles vão passar a ser repetidos. É assim que você se dá conta de que quatro anos é bastante coisa.

Mas ao mesmo tempo, quatro anos não é nada. Passa muito rápido.

Eu não sei o que o futuro me reserva, não sei quantos aniversários mais ainda farei na Europa… Só sei que aprendi MUITO nesses últimos 4 anos, e sou extremamente grata por tudo o que vivi aqui até agora.

E quanto à minha borracha, ela continua funcionando e é usada diariamente.

Roteiro de viagem para Malta

malta_valetta
Valetta vista de Sliema

Como dito no post anterior, Malta foi uma viagem especial. E como o meu planejamento de viagens geralmente é proporcional à minha ansiedade, dá pra imaginar que eu me preparei bastante pra essa visita. Juntando tudo o que eu aprendi pesquisando e visitando esse destino, eu montei um itinerário eficiente com os melhores pontos de interesse em Malta.

O roteiro é ideal para 6 dias – mas, se a sua estada for mais curta do que isso, é só priorizar os lugares que você mais quer visitar.


  • Dia 1: Valetta + Sliema + St. Julian’s + Paceville

Valetta
A capital de Malta – a menor capital na União Europeia.
Upper & Lower Barrakka Gardens: jardins com vista para o porto e as Três Cidades do outro lado. No Upper Barrakka Garden, um canhão é disparado como uma saudação diariamente ao meio-dia e às 16h.
Co-Catedral de St. John
Republic Street: rua principal de comércio
Explorar as ruas laterais e desertas da cidade

Sliema
Calçada ao longo da costa com vistas lindas para Valetta, diversos restaurantes e locais para mergulhar no mar, se estendendo até St. Julian’s

St. Julian’s
Uma grande escultura da palavra ‘love’ na entrada
Vários restaurantes e bares
St. George’s Bay (praia): de fácil acesso, portanto geralmente cheia de turistas
Paceville: a região das boates noturnas

malta_bluelagoon
Blue Lagoon
  • Dia 2: Blue Lagoon + Millieha ou Golden Bay

Blue Lagoon
Provavelmente o local mais imperdível de Malta!
Essa piscina natural de água transparente fica na ilha de Comino. Como chegar: dirigir ou pegar um ônibus até Cirkewwa, e de lá pegar um barco até a Blue Lagoon. Todos os barcos fazem um pequeno passeio no caminho de volta, mostrando as cavernas do local. O mais recomendável é ir de manhã, quando há menos gente.
Chegando lá, você pode alugar uma cadeira e guarda-sol para ficar na pequena faixa de areia, ou simplesmente se sentar na rocha. Nós preferimos a segunda opção, porque (a) era de graça; (b) mesmo assim era fácil entrar na água; e (c) nós ainda tínhamos uma ótima vista pra Blue Lagoon de cima.

Se metade de um dia na Blue Lagoon for suficiente para você (para nós foi), você ainda pode ir relaxar em alguma outra praia na ilha principal de Malta pelo restante do dia. Mas claro que, comparadas à Blue Lagoon, elas não são tão impressionantes.
Algumas opções próximas ao local de desembarque em Malta são a Milleha Bay ou a Golden Bay. Na Golden Bay, existem 3 praias próximas uma da outra à escolha: Golden Bay propriamente dita (de mais fácil acesso e mais cheia), Gnejna e Ghajn Tuffieha (um pouco mais escondidas e menos povoadas).

malta_azurewindow
Azure Window, Gozo
  • Dia 3: Gozo

A ilha vizinha merece um dia inteiro de visita.
Como chegar: pegar uma barca que sai de Cirkewwa. A viagem dura em torno de 25 minutos e a passagem não é comprada na ida – você só paga na volta. (Mais informações e preços aqui).
Embarque com o seu carro se tiver um. Se estiver usando o transporte público, talvez valha a pena usar um dos ônibus hop-on hop-off para conhecer os pontos de interesse da ilha.

Citadella: fica na capital de Gozo – Rabat, ou Victoria (muitas cidades em Malta tem dois nomes). Uma fortaleza medieval, com uma catedral e vista para os arredores.
Azure Window e Fungus Rock na Dwejra Bay: o famoso e imponente arco rochoso, onde a série Game of Thrones filmou a cena do casamento da Daenerys com o Khal Drogo. Como a rocha ainda está em erosão, dizem que em algumas décadas o arco vai deixar de existir.
ATUALIZAÇÃO: em março de 2017, após um período de tempestades fortes, a Azure Window infelizmente desmoronou e desapareceu 😦 Nós havíamos ouvido que isso iria acontecer, mas não esperávamos que fosse ser em menos de 1 ano após a nossa visita…
Santuário Ta’ Pinu: uma grande igreja, onde vários fiéis deixaram mensagens de agradecimento por terem sido curados de suas doenças.
Ramla Bay: uma praia aconchegante com areia avermelhada. O mirante Calypso Cave tem uma vista linda para a Ramla Bay.
Xlendi Bay: outra praia, com vários restaurantes em volta (inclusive uma sorveteria ótima). Ideal para uma parada pra comer.
Ggantija Temples: os templos megalíticos de Gozo. Se você já planeja visitar os outros templos na ilha de Malta, esse talvez seja dispensável.

malta_marsaxlokk
Marsaxlokk
  • Dia 4: As Três Cidades + Marsaxlokk + St. Peter’s Pool

As Três Cidades
Birgu (ou Vittoriosa), Bormla (ou Cospicua) e Isla (ou Senglea) – (lembra que em Malta várias cidades tem dois nomes diferentes?)
Pegar um barco de Valetta para a entrada das cidades (só esse cruzamento já é um passeio agradável) e explorar as suas ruas e a vista à beira-mar. Se o tempo estiver curto: Vittoriosa é considerada a mais bonita.

Marsaxlokk
Uma vila de pescadores muito simpática, com dezenas de barquinhos coloridos parados na baía. Aos domingos, há uma feira de peixes.

St. Peter’s Pool
Uma grande piscina natural, fantástica para nadar e pular na água. Fica bem perto de Marsaxlokk, mas a subida a pé deve demorar em torno de 1 hora. Por isso, o ideal é ir de carro ou táxi.

malta_mdina
Entrada de Mdina (ou será de King’s Landing?)

Mosta
Rotunda de Mosta: a terceira maior igreja da Europa, com uma grande cúpula. Durante a segunda guerra, uma bomba de 50 kg caiu ali dentro, mas não explodiu – o que foi visto como um milagre.

Mdina
Conhecida como a ‘cidade silenciosa’, é uma cidade medieval murada. A entrada de Mdina apareceu em Game of Thrones como a entrada de King’s Landing.
Fontanella Tea Gardens: uma casa de chá com um famoso bolo de chocolate e vista para os arredores (inclusive para a Rotunda de Mosta).

Rabat
Uma cidade charmosa em frente a Mdina.
Vila Romana
Igreja de St. Paul
Convento de St. Dominic (também foi local de filmagem de Game of Thrones)

Dingli Cliffs (penhascos de Dingli)
O ponto mais alto de Malta (253 metros) e considerado o melhor local da ilha para assistir ao pôr-do-sol.

malta_bluegrotto
Blue Grotto visto de cima
  • Dia 6: Blue Grotto + Hagar Qim & Mnajdra

Blue Grotto
Passeio de barco por algumas grutas e cavernas, incluindo a Gruta Azul, com águas azul-piscina. O ideal é ir de manhã para ver o azul do mar no seu tom mais impressionante. O passeio é lindo, mas achamos bem curto (uns 20 minutos) e sentimos que o condutor do barco, apesar de simpático, passou bastante apressado pelas paradas (talvez por haver uma fila de barcos atrás dele).
Também é possível ver a Gruta Azul de cima, de um mirante ao lado de um ponto de ônibus com o nome de Panorama.

Hagar Qim & Mnajdra
Perto do Blue Grotto ficam os templos megalíticos de Hagar Qim e Mnajdra, que estão entre os monumentos mais antigos do mundo (em torno de 3000 a.C.). O ingresso permite a visita aos dois templos, que são próximos um do outro.


Para mais fotos de Malta, clique aqui.

E essa foi a primeira viagem onde eu não só tirei fotos, mas também filmei! (eu disse que Malta foi especial…). A maioria dos lugares mencionados no roteiro são mostrados no vídeo abaixo: 🙂

Viajando para Malta: informações gerais

malta_bluelagoon

Olha que eu já viajei um bocado, mas essa viagem a Malta no final de junho foi uma das minhas mais aguardadas e ansiadas até agora. Eu pesquisei muito sobre esse destino antes de ir, e tive a oportunidade de conhecer o país com um grupo de 4 amigos que incluía um maltês, além de me hospedar com uma senhora maltesa (minha primeira vez em Airbnb). Por isso, tive o privilégio de mergulhar na cultura local e vivenciar experiências além dos guias turísticos.

Malta é um dos menores países da Europa (e do mundo), com 316 km2 e pouco mais de 400 mil habitantes. Trate-se de um arquipélago no meio do Mar Mediterrâneo, entre a Itália e o norte da África. A ilha maior e principal é chamada de Malta; a ilha vizinha é Gozo; e a minúscula ilha entre as duas – pequena demais para ser habitada – é Comino.

malta_map1

malta_map2

Existem voos de diversos países da Europa para o aeroporto internacional de Malta (MLA), inclusive da companhia aérea econômica Ryanair. Quase todos os habitantes locais falam inglês (os idiomas oficiais são maltês e inglês), e a moeda é o euro – o que facilita muito pros turistas.

O que esperar de Malta
Malta é um destino tanto para aproveitar praias, quanto para fazer passeios históricos. Por todo o lado se veem construções de pedra, de cor bege, típicas do Mediterrâneo e do Oriente Médio. Há diversas praias paradisíacas e de água límpida. Mas, ao contrário do que se possa imaginar, não é um país muito verde, especialmente no verão – a paisagem é árida e seca, com cactos e areia batida, quase lembrando um deserto. Algumas poucas regiões são mais chiques, mas em geral a atmosfera é bem simples e casual. A vida noturna se concentra em Paceville, uma área em St. Julian’s, frequentada na maior parte por pessoas bem jovens (~15-20 anos) e/ou turistas. O trânsito às vezes é lento, por não haver muitas opções de caminhos entre um lugar e outro. Apesar de ser um país com uma das maiores densidades populacionais do mundo, não é comum ver muita gente na rua em algumas cidades. Aliás, são cidades na prática, mas com tamanho de bairros. O povo é extremamente amigável e acolhedor, e muitas vezes eu me senti como se estivesse no Brasil.

Quando ir
Malta tem temperaturas amenas e é, em geral, ensolarada durante o ano inteiro, mas entre outubro e maio talvez não esteja quente o suficiente para aproveitar as praias. Por isso, o ideal seria visitar entre junho e setembro. Julho e agosto são sempre meses mais cheios, por ser alta temporada. Nós fomos no final de junho e já estava bastante quente (mais de 30°C durante o dia e uns 25°C à noite).

Como se locomover em Malta
Você deve decidir entre alugar um carro ou usar o transporte público.
Ter um carro à disposição é sem dúvida mais vantajoso, pela liberdade e conveniência. Mas tenha em mente que Malta usa a mão inglesa, por ter sido colônia britânica. O motorista se senta à direita no carro e dirige pela esquerda. Se isso não for problema, alugar um carro é o mais recomendável, pois você vai conseguir visitar mais lugares no tempo que tiver.
Mas também é possível conhecer Malta usando somente transporte público, e às vezes táxi. O problema é que alguns ônibus não passam muito frequentemente, e para muitos trajetos você precisa trocar de ônibus e esperar o seguinte, mesmo não sendo o caminho mais direto pro seu destino. Então a viagem certamente demora mais do que de carro, e é preciso mais planejamento com os horários, mas você também chegará ao seu destino.
Cada passagem pode ser usada por até 2 horas e custa 2 euros no verão ou 1,50 euros no inverno durante o dia, e 3 euros à noite. Se você for ficar por volta de 5 dias ou mais, provavelmente vale mais a pena comprar o cartão Tallinja Card ‘Explore’, de 21 euros e com passagens ilimitadas por 7 dias. Mais informações no site oficial do transporte público de Malta.

Quanto tempo ficar
Eu sou o tipo de turista que não gosta de perder tempo, e a minha sugestão é ficar pelo menos 5 dias inteiros lá. Nós vimos tudo o que queríamos em 6 dias inteiros, mais uma noite da chegada e uma manhã de partida (portanto, 7 noites). Mas isso porque nós fomos mimados pelo nosso amigo maltês, que nos levou para a maioria dos passeios de carro. Portanto, se você tiver um carro: 7 noites ou 6 dias inteiros é o suficiente para ver todos os pontos de interesse em Malta. Se for usar o transporte público, é necessário adicionar mais uns 2 dias à estadia – ou então deixar alguns destinos para uma outra oportunidade.

Onde se hospedar
As cidades com as melhores localizações para turistas são: St. Julian’s, Sliema e Valetta. Se você for contar com o transporte público para se locomover, eu recomendaria se hospedar em Valetta, pois para muitos trechos você precisa fazer baldeação lá de qualquer forma.


O segundo semestre de 2016 está apenas começando mas eu já acho que Malta foi a minha viagem favorita do ano! Altamente recomendado! 🙂

Veja aqui o itinerário completo sobre o que ver e fazer em Malta!


Assista abaixo o vídeo da nossa viagem a Malta: 🙂

Principais pontos turísticos do Rio de Janeiro

rioipanema

Rio de Janeiro: também conhecido como Cidade Maravilhosa – a minha cidade amada onde eu nasci e cresci. ❤

O Rio oferece milhares de possibilidades interessantes para turistas. Aqui eu montei uma lista com as minhas recomendações principais, ou o que você não pode deixar de ver e fazer na sua primeira visita. Essas dicas podem servir como base para um roteiro, dependendo do tempo disponível e interesses dos visitantes.


O QUE VER/FAZER NO RIO:

Praias
Existem várias, incluindo: Leme, Copacabana, Ipanema, Leblon, São Conrado, Barra. (Eu diria que as mais famosas são Copacabana e Ipanema.)

Corcovado e Cristo Redentor
A estátua do Cristo fica no morro chamado Corcovado. Dá pra chegar de trenzinho ou de van, saindo de vários pontos da cidade. Informações aqui.

Pão de Açúcar
Informações sobre o passeio de bondinho aqui.
De lá, dá pra passear pela Praia Vermelha, Pista Claudio Coutinho e Urca.

Pedra do Arpoador
Uma enorme rocha que separa as praias de Copacabana e Ipanema. O programa clássico é assistir ao pôr-do-sol de lá (e aplaudir no final!).
Perto dali fica o Forte de Copacabana, que pode ser visitado. Lá tem uma filial da Confeitaria Colombo, onde muita gente gosta de ir. E ao lado do Forte, ainda no calçadão de Copa, fica a estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade.

Mirante do Leblon
Ao lado do posto 12, com vista para a praia do Leblon.

Mirante Dona Marta
Para mim, essa é de longe a melhor vista do Rio de Janeiro. Fica logo abaixo da entrada pro Cristo, então a vista dos dois é parecida – só que do Mirante Dona Marta você também consegue ver o Cristo, e não tem centenas de turistas ao seu redor. Um lugar incrível pra fotos, e de graça!

riomirantedonamarta
Vista do Mirante Dona Marta

Santa Teresa
Um bairro residencial e boêmio, amado pelos estrangeiros e considerado um dos mais charmosos do Rio. Como fica numa parte alta da cidade, tem uma linda vista, tanto para o centro da cidade como para a zona sul.
Pontos de interesse: Largo dos Guimarães, Curvelo, Chácara do Céu, Parque das Ruínas, e o famoso bondinho amarelo passando pelo bairro.
Recomendações: Bar do Arnaudo (comida nordestina) e Bar do Gomes (nome oficial: Armazém São Thiago).
Uma sugestão é passear por Santa Teresa e, de lá, descer pra Lapa.

Lapa
Pontos de interesse: Arcos da Lapa (o antigo aqueduto) e a catedral com formato de cone ao fundo; Escadaria Selarón.
À noite: algumas das casas noturnas (com música ao vivo) mais procuradas são Clube dos Democráticos, Rio Scenarium e Lapa 40 Graus.

Centro da cidade
Pontos de interesse: Teatro Municipal, Museu do Amanhã e Museu de Arte do Rio (MAR) na Praça Mauá, Boulevard Olímpico, AquaRio, Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), roda de samba no Arco do Teles.

Lagoa Rodrigo de Freitas
Depois de um passeio pela lagoa, também pode-se visitar o Jardim Botânico do Rio, e o Parque Lage.

Floresta da Tijuca
A maior floresta urbana do mundo.
Pontos de interesse: trilhas, locais para picnic, cachoeiras. Perto dali: Mesa do Imperador, Vista Chinesa.

Pular de asa-delta ou parapente
Quem tiver interesse em se aventurar e pular da Pedra Bonita com um instrutor, pode procurar a Escola São Conrado de Voo Livre. É uma experiência fantástica!

riohanggliding
Voando de asa-delta no Rio

Fazer uma trilha (e curtir a vista)
Relativamente fácil: Dois Irmãos, Pedra Bonita
Difícil: Pedra da Gávea

Cachoeiras
Existem várias na Floresta da Tijuca e no bairro do Horto.

Feira de São Cristóvão (Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas)
Um enorme espaço com restaurantes, bares, lojinhas e música ao vivo, dedicado à cultura do nordeste do Brasil. Informações aqui.

Maracanã
O maior estádio de futebol do Rio, palco de jogos da Copa do Mundo e Olimpíadas, pode ser visitado durante um jogo, ou em um tour (ou mesmo só visto por fora).

Sambódromo
Durante o carnaval, vale a pena assistir a um desfile das escolas de samba. Fora de época, também pode ser visto por fora ao passar por perto de carro.

Barzinhos / botecos
Quem quiser fazer como os cariocas e ir tomar umas várias cervejinhas de uma forma bem casual e despretensiosa, de pé no meio da rua mesmo, tem várias opções, como: Baixo Gávea, Praça São Salvador, Urca, Lapa, Santa Teresa, Baixo Botafogo (final da Rua Voluntários da Pátria).


QUANTO TEMPO FICAR:
Pelo menos uma semana pra ver os principais pontos da cidade. Esse tempo deve ser prolongado caso queira visitar outros destinos no estado do Rio.

ONDE SE HOSPEDAR:
Para quem quiser ficar em um albergue de primeira, super bem localizado (do lado do metrô de Botafogo), com gente simpática e animada, eu recomendo o Rio Soul Hostel.
Já quem estiver procurando uma experiência mais caseira, em uma hospedagem estilo Airbnb, ou Bed & Breakfast: a Casa Dois Irmãos é super espaçosa, estilosa e oferece uma vista inacreditável da cidade, além da calorosa recepção dos irmãos Kris e Jo.


Havendo alguma dúvida, fique à vontade para perguntar nos comentários.
Boa viagem e aproveite o Rio!! 🙂

Festivais da Alemanha: Baumblütenfest

baumbluetenfest_wine.jpg

O Baumblütenfest (festival das árvores em flor) é um festival que ocorre anualmente na pequena cidade de Werder (Havel), ao lado de Potsdam, a 45 minutos de Berlim. Esse nome foi dado porque ele acontece no início da primavera, mas não condiz muito com o festival. Devia se chamar ‘festival do vinho doce’, ou algo parecido. 😛

Nesse festival, gratuito e ao ar livre, as pessoas que vivem em Werder vendem seu próprio vinho caseiro, um vinho bastante doce e licoroso, logo em frente às suas casas. Então você vai andando pelas ruazinhas da cidade e vai parando em frente às casas, experimentando e comprando os vinhos caseiros. Há inúmeros sabores, geralmente frutas silvestres: morango, ameixa, amora, framboesa, entre muitos outros. O preço em geral é de 2 euros por copo e 7-9 euros por garrafa.

A cidade fica tomada por gente jovem, animada e alegre por causa do vinho. É proibido andar por lá com garrafas de vidro, por questões de segurança, então cerveja só em locais específicos. O vinho é super doce, o que disfarça muito a quantidade de álcool. E como a combinação ‘álcool + pessoas’ pode vir a causar problemas, há policiais a postos espalhados por toda a cidade.

A cidade também fica cheia de barraquinhas vendendo comida de rua, alguns palcos espalhados tocando música ao vivo, e até um parque de diversões com roda gigante e outros brinquedos. E subindo uma rua a partir da praça principal chega-se ao topo de um morro onde fica uma grande área ao ar livre, com um palco, um Biergarten, e uma bela vista dos arredores.

Eu já fui a esse festival em 2 anos seguidos e pretendo continuar indo. O mais legal de lá é que todo mundo fica alegre e descontraído (claro que a bebida ajuda, hehe). É uma vibe muito divertida e animada (coisa que nem sempre a gente vê na Alemanha). Uma ótima opção pra quem não tem aversão a ‘muvuca’ e quer curtir o início do clima quentinho e ensolarado ao ar livre.

baumbluetenfest_people.jpg

baumbluetenfest_wine2.jpg
Diversos sabores de vinho no Baumblütenfest

Quando: o Baumblütenfest tem duração de uma semana, incluindo os 2 finais de semana antes e depois, sempre no final de abril / início de maio. Em 2016, vai de 30 de abril a 8 de maio.
Como chegar: pegando um trem regional RE1 de Berlim e saltando na estação ‘Werder (Havel)’. Custo da passagem ABC (cada trecho): 3,30 euros. Em Berlim, o trem sai das principais estações, como Hauptbahnhof, Friedrichstr., Zoologischer Garten e Charlottenburg.

Como eu planejo minhas viagens (com pouco tempo e dinheiro)

tripplanning

Veja a primeira parte deste texto aqui:
“Como você faz para viajar tanto?”

Então, se viajar for uma prioridade para você no seu tempo de lazer, você deve procurar fazê-lo. E a melhor forma de otimizar os seus talvez-não-tão-abundantes tempo e dinheiro é planejando com antecedência.

Existem diversas maneiras de se planejar uma viagem que funcionam bem. Aqui, eu vou explicar passo a passo como eu faço e o que funciona para mim. (Vocês vão ver que eu sou metódica de carteirinha.)

Eu nunca usei os serviços de uma agência de viagens eu sempre pesquiso e reservo tudo eu mesma. Talvez esse método dê mais trabalho, mas eu o prefiro pelo fato de ter mais controle sobre a minha viagem e também porque acredito que seja mais em conta.

Para mim, planejar uma viagem é como se arrumar para uma festa: é praticamente metade da diversão!

Coisas a considerar:

COMO:
Defina o estilo de viagem que funciona para você; ou seja, o que é viável (várias viagens curtas por ano, ou uma ou duas viagens longas por ano, ou um pouco dos dois; viajar dentro do seu país ou continente, ou viajar para destinos mais distantes, ou um pouco dos dois; etc.)

QUANDO:
A primeira coisa que eu faço é: eu abro um calendário que tenha todos os feriados do ano. (Importante: tenha certeza de que eles são mesmo válidos para a cidade onde você mora! Muitos feriados nos calendários da Alemanha, por exemplo, só são válidos em certos estados, e, infelizmente, não em Berlim.)
Então, eu faço uma lista dos fins de semana prolongados que eu vou ter ao longo do ano. Como exemplo, esses são os feriadões de 2016 em Berlim:

  • Páscoa: de 24/03 à noite até 28/03 = 4 noites
  • Ascensão de Cristo (Christi Himmelfahrt): de 04/05 à noite até 08/05 = 4 noites
    (Obs.: aqui, apenas quinta dia 5 é feriado sexta dia 6 não é. Mas claramente vale a pena tirar esse dia de folga, para se ter um feriado de 4 dias pelo ‘preço’ de 1 dia útil.)
  • Pentecostes (Pfingst): de 13/05 à noite até 16/05 = 3 noites
  • Unificação Alemã (Tag der Deutschen Einheit): de 30/09 à noite até 03/10 = 3 noites

Como você pode ver, são apenas quatro (1 de maio vai cair num domingo e Natal / Ano Novo não contam). Então eu sei que este ano eu tenho 4 oportunidades de feriadões para viajar: 2 viagens de 4 noites e 2 viagens de 3 noites.

AONDE:
Quando estiver escolhendo um destino, antes de mais nada estime quanto tempo você precisaria para visitar aquele local. Essa é uma decisão bastante pessoal, pois pessoas diferentes têm ritmos diferentes em viagens. Também vai depender se você quer visitar todos os museus naquela cidade, por exemplo, ou só as atrações turísticas principais. Eu normalmente procuro no Google por ‘quantos dias em …’ e vejo o que outros viajantes recomendam em fóruns de discussão, como o TripAdvisor. Se você é um viajante do tipo sem-tempo-a-perder como eu, dê uma olhada também no site Days in a City, que costuma ter boas sugestões.

Após definir em quais dias do ano eu posso viajar e quão longas as viagens podem ser (ver seção QUANDO), eu posso verificar quais viagens se encaixariam nessa quantidade de dias. Por exemplo: eu sei que eu não posso planejar uma viajar para o sudeste asiático em um feriadão de 4 noites porque não seria tempo suficiente para esse destino. Então eu tento encontrar destinos que sejam viáveis dentro de 3 ou 4 noites.

Como dito na primeira parte desse post, eu normalmente tenho de 5 a 10 dias de férias por ano, sem contar com feriadões ou com o meu tempo no Brasil. Então, quando eu quero fazer viagens mais longas que um fim de semana prolongado, eu normalmente uso alguns desses dias de férias. E, para otimizar o meu tempo, eu tento emendar com fins de semana. Por exemplo: se eu tirar 5 dias de férias (segunda a sexta), na verdade eu consigo fazer uma viagem de 9 noites, incluindo os fins de semana antes e depois. Assim, eu levo uma ‘promoção’ de 9-dias-pelo-preço-de-5.

Para decidir para onde eu vou viajar, eu sempre considero:
1) Para onde eu consigo ir na quantidade de dias que tenho;
2) Para onde eu tenho interesse em ir;
3) Para onde eu consigo encontrar passagens baratas de ida e volta.

Os dois gastos mais caros em uma viagem são: passagens (ida e volta) e hospedagem. (Comida não conta muito, pois você vai ter que comer tanto viajando quanto em casa.) Felizmente, existem formas de economizar bastante nesses dois pontos.

PASSAGENS

Eu sou uma cientista, então eu não confio em apenas uma fonte. Eu gosto de procurar voos em mais de um site de busca/comparação. Eu uso: Google Flights, Skyscanner e Kayak.

Google Flights: este tem sido o meu favorito há um bom tempo. Ele permite buscar voos para ‘todos os destinos do mundo’, ou para um país em geral. Você não precisa necessariamente escolher uma cidade ou aeroporto específico. Você também consegue ver os preços no mês inteiro e quais dias estão mais baratos. Naturalmente, também dá para filtrar a busca de acordo com o horário em que você quer viajar, ou o número de paradas, por exemplo. Outra grande vantagem do Google Flights é que você pode salvar um voo que te interessa e acompanhá-lo ao longo do tempo pois eles te mostram gráficos dos preços. Então se você estiver logado na sua conta do Google, você pode simplesmente entrar no Google Flights e checar a variação dos preços nos últimos dias. Depois de um tempo usando essa ferramenta, você começa a ter uma ótima noção de quanto custam os voos que te interessam. Eu uso tanto o Google Flights para ficar de olho em preços de passagens, que eu aprendi quanto custa a passagem mais barata possível de Berlim para Estocolmo, por exemplo, e quanto seria uma passagem cara. Eu também uso bastante para acompanhar os preços de voos da Alemanha pro Brasil, já que eles são bastante caros e eu quero encontrar o melhor voo possível. Às vezes eu sinto como se estivesse acompanhando o mercado de ações: quando o preço baixa, eu compro.

googleflightsexample
Exemplo de busca no Google Flights

Skyscanner: tem as mesmas vantagens de busca que o Google Flights, mas não tem a opção de salvar voos e ver os gráficos. O motivo pelo qual eu ainda uso o Skyscanner além do Google Flights é que às vezes o Google Flights me mostra preços incorretos (talvez não seja atualizado tão frequentemente), então eu gosto de checar para ter certeza.

Kayak: já que não tem a opção de buscar para ‘todos os destinos’ como os outros dois, eu só tenho usado o Kayak quando eu quero procurar por datas flexíveis. Você pode fazer uma busca usando a opção de +/- 3 dias para a data de ida e de volta, e ele te mostra uma tabela com todas as combinações possíveis e qual é a mais barata. Por exemplo:

kayakexample
Exemplo de busca no Kayak: neste caso, a combinação mais barata é ida 15/07 e volta 18/07

É uma ótima sensação encontrar um bom preço. Eu já comprei voos de ida e volta de Berlim para Copenhague por 50 euros, para Colônia por 20, para Malta por 70 e para Salzburg por 77.

Para opções de trem: geralmente cada país só tem uma única empresa ferroviária nacional, então eu sempre busco e compro no site oficial deles você não vai encontrar mais barato em outro lugar. Para trens na Alemanha, é a Deutsche Bahn. As empresas oferecem passagens mais baratas se você comprar com antecedência, então sempre é uma boa ideia olhar o mais cedo possível.

Para opções de ônibus, ou quando você não sabe qual opção é a melhor (ônibus, trem or voo):
Para destinos na Europa, eu gosto de usar o GoEuro. Esse site permite comparar todas as possibilidades de transporte (inclusive aluguel de carro). E ele mostra uma ótima lista de comparação de todas as diversas empresas de ônibus. (Há algum tempo, a Megabus tem oferecido algumas das passagens de ônibus mais baratas pela Europa. É a nova Ryanair das rodoviárias.)

Obs.: eu só uso esses sites para pesquisar e comparar preços. Quando encontro uma passagem que eu gostaria de comprar, eu o faço através do site oficial da companhia (eu acho mais seguro e mais barato).

Na Europa também há a opção de compartilhar uma viagem de carro, como o BlaBlaCar na Alemanha (que é bem barato), ou até mesmo sair pegando carona com desconhecidos (que é de graça). Eu particularmente nunca usei essas opções, mas você pode usá-las caso de sinta confortável com elas.

Outras coisas a se considerar ao decidir sobre passagens:

  • Às vezes voos são mais baratos que trens ou ônibus;
  • Às vezes viagens de ônibus e trens têm a mesma duração (e ônibus são geralmente mais baratos) um exemplo é o trajeto Berlin-Praga;
  • Nem sempre preços de voos apenas aumentam com o tempo com a Ryanair, por exemplo, eles variam MUITO.

HOSPEDAGEM

Eu sempre compro as minhas passagens primeiro, e só depois reservo a hospedagem, porque essa última geralmente custa menos. E também porque muitas vezes você pode alterar ou cancelar a sua reserva da acomodação gratuitamente, mas o mesmo não acontece para o transporte. Mas é uma boa pelo menos dar uma olhada nas opções de hospedagem antes de comprar as passagens, para não haver surpresas. Alguns eventos locais como Oktoberfest em Munique e St. Patrick’s Day em Dublin fazem os preços de hospedagem ficarem 10 vezes mais caros.

Você deve ponderar o que mais importa para você ao escolher hospedagem em viagens. Para mim, é preço e localização. (Tá, conforto vem em terceiro…) E se você não se importar em dividir um dormitório ou um banheiro, você normalmente encontra ofertas mais baratas.

Com isso em mente, eu geralmente considero 3 tipos de hospedagem: hostel, hotel ou Airbnb.

Hostel (albergue): eu uso essa opção por volta de 90% das vezes. É a minha opção de escolha quando ela está bem mais barata que as outras 2 opções; ou quando eu estou viajando sozinha.
Para comparar e reservar hostels, eu uso os sites Hostelbookers e Booking.com.

Hotel: obviamente, essa é a minha opção de preferência, por ser a mais confortável mas geralmente também é a mais cara. Eu uso essa opção em torno de 10% das vezes: quando o hotel eventualmente é mais barato que o hostel, ou quase. Isso geralmente acontece quando eu estou viajando com um grupo de pessoas. (Obs.: normalmente é um hotel bem simples, ou uma pensão/pousada.)
Para comparar e reservar hotéis, eu uso o site Booking.com.
Eu gosto bastante do Booking.com por ser uma plataforma bem clara e simples de usar (por exemplo, para filtrar buscas, fazer alterações na reserva, etc.). E, havendo algum problema, eles tem um bom serviço de apoio ao cliente e cuidam de tudo você não precisa contactar o hotel diretamente. Além disso, depois de reservar algumas vezes, você se torna um cliente ‘Genius’ e tem direito a valores especiais.

Airbnb: esse é um site onde se pode alugar um quarto no apartamento de alguém. Eu estou apenas começando a experimentar a opção do Airbnb. Eu escolheria essa opção somente quando:
a) os hotéis estão bem mais caros que os hostels e Airbnb;
b) além disso, ambas as ofertas do Airbnb e do hostel têm ótimas localizações mas o Airbnb é o mesmo preço ou mais barato que o hostel;
c) além disso, a oferta do Airbnb é um quarto privativo (portanto, mais confortável) e a opção do hostel é um dormitório compartilhado;
d) além disso, o anfitrião do Airbnb tem ótimas reviews e parece confiável;
e) além disso, eu não estou viajando sozinha.
(Então, como você pode ver, eu só usaria o Airbnb em casos bastante particulares.)
Site: Airbnb

Também existe a opção do CouchSurfing se hospedar no apartamento de alguém de graça. Eu nunca usei essa opção pois não me sinto confortável com ela, mas você deve considerar se vale a pena para você.

Em geral, os preços de hospedagem de baixo orçamento na Europa variam de 10 a 30 euros por noite por pessoa.


Eu espero que essa descrição bastante detalhada de como eu planejo as minhas viagens seja útil e inspiradora! Se você tiver alguma pergunta, fique à vontade para fazê-la nos comentários.

Sondar passagens online para viagens é inofensivo e não custa absolutamente nada. Então, tente. Não há nada a perder.  🙂

(Obs.: esse post não foi patrocinado por nenhuma das empresas mencionadas.)

“Como você faz para viajar tanto?”

pinnedworldmap

Em primeiro lugar, eu não acho que eu viaje tanto. Eu com certeza não viajo tanto quanto gostaria. Eu não sou uma viajante em tempo integral – viajo apenas no meu tempo livre (afinal, estou fazendo um doutorado). Mas, mesmo assim, eu ouço essa pergunta frequentemente. Acho que pode-se dizer que eu consegui viajar um bocado nesses últimos anos, em paralelo ao mestrado e doutorado. (Para um resumo das minhas viagens em 2015, clique aqui).

Então, decidi tentar responder a essa pergunta: como é que eu consigo viajar tanto quanto eu viajo? Afinal, para viajar são necessárias basicamente duas coisas: tempo e dinheiro. E estudantes não possuem nenhum dos dois. Então, como funciona?

Minha primeira resposta a isso é: PRIORIDADE.

No meu tempo de lazer, fora do trabalho, viajar é minha prioridade. É o que eu mais gosto de fazer quando tenho um tempo livre. Claro, eu tenho outros hobbies, como dançar, escrever e aprender idiomas. Mas estes eu posso fazer a qualquer momento, em dias úteis após o trabalho. Então, quando eu tenho aquele tempo livre extra, como fins de semana e feriados, eu trato de usá-lo da forma que acho melhor: visitando novos lugares.

Algumas pessoas preferem usar seu tempo livre descansando em casa, ou indo à academia, ou aproveitando para ler um livro, por exemplo. E não há problema algum nisso – cada um deve fazer o que o faz feliz. Eu? Eu gosto de usar todo o meu tempo livre para viajar – se possível para algum destino novo.

Então um dos principais motivos pelos quais eu ‘me viro’ para viajar tanto é porque eu vejo isso como uma prioridade para o meu tempo de lazer.

Dito isso, ainda temos 2 problemas: falta de tempo e de dinheiro.

Problema #1: TEMPO

“É fácil para VOCÊ viajar, porque você mora na Europa”.

Claro, viver na Europa, como eu, facilita muito viajar frequentemente. É muito prático visitar países diferentes por aqui, pela proximidade e preços acessíveis de voos, trens e ônibus. MAS… há um porém. Se você é um estrangeiro vivendo na Europa como eu, você provavelmente gasta a maior parte dos seus dias de férias indo para o seu país de origem. Sim, isso é ótimo, e inclusive necessário para a minha sanidade mental (de novo, prioridades!), e eu não faria diferente. Mas ir pra casa não conta exatamente como viajar de verdade para mim, porque eu cresci lá, e não é novidade.

Eu posso tirar 30 dias úteis de férias no trabalho por ano, sem contar fins de semana e feriados. Geralmente eu vou ao Brasil uma vez por ano, e gasto por volta de 20 dos meus dias úteis de férias lá. Isso significa que ⅔ das minhas férias se vão só com a ida ao Brasil. E quando eu eventualmente vou duas vezes no ano (como farei esse ano para ir a um casamento), sobra ainda menos tempo de férias para conhecer novos destinos – por volta de 5 dias por ano só!

Em suma: não se engane – pode parecer mais fácil para mim viajar para lugares novos porque eu moro na Europa, mas na realidade eu não tenho tanto tempo assim disponível para isso.

Então como eu lido com o problema de ter tão pouco tempo? Eu basicamente tento aproveitar ao máximo esse pouco que eu tenho.

“Eu não posso fazer [insira qualquer coisa aqui] porque não tenho tempo”.

Isso NÃO É VERDADE. Todo mundo tem tempo, mesmo que pouco. O que varia de pessoa para pessoa é o que ela decide fazer com o seu tempo. Você não deixa de fazer alguma coisa porque não tem tempo – você deixa de fazer porque você não está disposto a gastar o tempo que você tem fazendo aquilo. (Talvez porque não seja prioridade sua.)

Como dito antes, eu normalmente tenho apenas uns 5 a 10 dias por ano para viagens, dependendo se eu vou ao Brasil uma ou duas vezes no ano. Porém… a boa notícia é que esses são apenas dias úteis – ainda tem fins de semana e feriados que não entram na conta. Então eu tento aproveitar AO MÁXIMO os feriados e fins de semana prolongados que a Alemanha me oferece. E, acredite, eles não são nada frequentes – pelo menos comparado ao Brasil.

O que eu faço é: eu planejo com antecedência e acomodo diferentes viagens nos feriados que eu sei que vou ter durante o ano. O calendário é fixo e você pode obter essas informações com bastante antecedência, então use-as para sua vantagem. Você muito provavelmente não vai me encontrar em Berlim durante um feriadão (a não ser que algo excepcional esteja acontecendo na cidade). Pra mim, isso seria um certo desperdício. Não me interprete mal – eu AMO Berlim e ainda há muito que eu quero ver e fazer aqui, mas a minha lógica é: eu posso passear na cidade onde moro em qualquer fim de semana comum. Fins de semana prolongados? Esses são raros e preciosos, e devem ser usados com sabedoria.

Se você mora no Brasil ou na América do Norte ou na Austrália, por exemplo, não é tão fácil visitar outro país durante um feriadão. A distância é enorme, e os preços não ajudam. Vivendo na Europa, eu geralmente faço diversas viagens curtas ao longo do ano. Mas, se você não vive aqui, talvez possa fazer menos viagens por ano, mas por períodos de tempo mais longos. Ou ao invés de viagens para o exterior, você pode explorar o seu próprio país. Esses são apenas estilos diferentes de viajar, mas possíveis e prazerosos de qualquer forma. Além do mais, no Brasil existem tantos feriadões – às vezes 11 por ano! – então faça bom uso deles.

Problema #2: DINHEIRO

Esse ponto não é tão problemático assim contanto que você esteja disposto a fazer viagens de baixo orçamento. Voos em promoção, hotéis e pensões simples, ônibus, albergues, etc. No atual momento da minha vida, eu não me importo em ficar em um dormitório com banheiro compartilhado por algumas noites. Eu não me importo em comer fast-food eventualmente, ou em usar uma cozinha para fazer algo simples. Eu também não me importo de voar em aviões menos confortáveis dentro da Europa e de levar só uma mala de mão. Provavelmente no futuro eu vou querer mais conforto, de acordo com a minha idade e condição financeira, mas não agora. Porque eu sei que tudo isso significa economizar MUITO.

Como uma boa brasileira, eu gosto de me certificar de que estou pagando os melhores preços. Não é que eu seja ‘mão-de-vaca’ quando estou viajando – eu tenho prazer em pagar uma boa refeição ou uma experiência que eu acredite que valha a pena. Mas eu não gosto de gastar a mais em coisas que podem ser evitadas.

“Gaste dinheiro em experiências, não em coisas.”

A resposta final para tudo: PLANEJAMENTO

Eu ❤ planejar. Eu acredito firmemente que, planejando com antecedência, se consegue a melhor relação custo/benefício. E eu acho que sei porque eu amo tanto fazer planos. Eu sou uma pessoa muito ansiosa, e planejar me proporciona a sensação de que eu estou de alguma forma no controle da minha vida e do futuro. Claro, isso nem sempre é verdade, e só é possível planejar certas coisas. Mas, felizmente, uma viagem é uma dessas coisas que se pode planejar em grande parte.

Planejando com antecedência, você consegue acomodar uma ou mais viagens no pouco tempo livre que você tem por ano, além de economizar dinheiro. Pronto: uma solução para os nossos dois problemas.

Resumindo:

  • Defina quais são suas prioridades para o seu tempo livre. Descubra o que você mais ama fazer. (E experimente coisas novas. Essa é a única forma de realmente descobrir o que você gosta de fazer.)
  • Voce tem sim tempo livre – use-o com sabedoria (nas suas prioridades).
  • Se viajar é uma prioridade para o seu tempo de lazer, planeje com antecedência para otimizar tempo e dinheiro.

“Beleza, planejar uma viagem parece vantajoso e fácil na teoria, mas como você faz na prática?”

Veja a resposta no próximo post aqui:
Como eu planejo minhas viagens (com pouco tempo e dinheiro)