7 coisas que você precisa saber ao se mudar para a Alemanha

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Essas dicas são pra quem está se mudando, ou acabou de se mudar, para a Alemanha. A maioria delas é relacionada à burocracia alemã ou como evitar multas. Mas, fazer o quê – essas são as coisas que você precisa saber com mais urgência – antes mesmo de descobrir onde fica o Biergarten mais próximo. Então vamos começar a nos acostumar com as regrinhas alemãs:

1. Você tem que registrar seu endereço em um escritório do governo

Uma vez tendo seu endereço fixo no seu novo lar alemão, você precisa marcar um horário (Termin) em um escritório do governo (Bürgeramt) na cidade onde você agora mora para fazer um registro (Anmeldung) do seu endereço. Leve seu passaporte e seu contrato de aluguel com você. Desta forma, o governo alemão sabe onde você e todos os outros cidadãos moram. O registro é gratuito e se recusar ou demorar a fazê-lo pode te causar uma multa. Oficialmente, ele deve ser feito dentro das suas duas primeiras semanas na Alemanha.

Se você se mudar para um novo endereço, você precisa se registrar novamente (Ummeldung) e se você sair da Alemanha, é necessário cancelar o registro (Abmeldung).

Basta digitar no Google: Anmeldung + nome da cidade alemã onde você vive, e você encontrará o site oficial para marcar o horário e obter mais informações.

2. Ter seguro-saúde é obrigatório

Ou seja: mesmo sendo caro, não tem jeito. Você vai precisar apresentar seu número do seguro de saúde para poder assinar um contrato de trabalho, por exemplo. A boa notícia é que, por lei, o empregador paga metade do custo. Existem dois tipos de seguro-saúde na Alemanha: público e privado. E há várias empresas que oferecem pacotes diferentes por preços diferentes. A grande maioria dos alemães tem um seguro público que cobre tudo. Alguns estrangeiros preferem ter um seguro privado se não forem permanecer por um longo período de tempo, porque às vezes podem ser mais baratos. Pesquise na internet, pergunte a colegas e compare as diferentes opções para fazer a melhor escolha para você.

3. Ter uma conta bancária alemã não é obrigatório oficialmente, mas na prática é

Você vai precisar de uma conta bancária alemã para pagar seu aluguel e seguro-saúde, para receber seu salário ou qualquer tipo de pagamento, para obter um plano de telefone alemão ou internet em casa. Então, mesmo que não haja uma lei dizendo que quem mora na Alemanha precisa ter uma conta bancária alemã, é provável que você não consiga se virar sem uma.

4. Você deve carimbar o seu bilhete ao usar o transporte público

Isso parece óbvio para a maioria das pessoas que estão acostumadas com a cultura europeia, mas pode ser confuso para pessoas que vêm para a Alemanha de mais longe. Diferente de outros países da Europa, o transporte público em cidades alemãs geralmente não possui catracas onde você tem que colocar seu bilhete para entrar. Tudo é baseado na confiança. Você deve sempre ter um bilhete válido e estampado ao usar o metrô, trens, bondes ou ônibus na Alemanha. Os controladores de ingressos podem aparecer a qualquer momento (à paisana, sem um uniforme específico) e pedir que você mostre seu bilhete. Se não estiver carimbado e válido, você será multado (atualmente €60 em Berlim).

5. Fazer download pirata de música e mídia gera multas

Faça o que fizer, NÃO faça download de músicas, filmes ou programas de TV pela internet. Isso inclui torrent: nunca use torrent na Alemanha. É melhor até deletar os programas de torrent que você possa ter no seu computador. Eles sabem como te encontrar (se lembra do Anmeldung?), mesmo através da identificação do seu computador, e bastante gente, geralmente estrangeiros, é multada por esse motivo. Eu já ouvi exemplos reais de estrangeiros que não sabiam dessa regra e receberam uma multa de mais de €800. Então, melhor não arriscar. A solução: usar streaming online não vai te causar problemas, ou pagar pela mídia que você está usando (através de Netflix, Apple Store, Spotify, etc.).

6. Existe um imposto para TV e rádio

Cada residência na Alemanha paga um imposto pelo uso de TV e rádio (Rundfunkbeitrag) – mesmo que você não possua nenhum aparelho de TV ou rádio. É uma taxa fixa de €17,50 por mês – por residência, não por pessoa. Esse dinheiro é destinado a sustentar os canais públicos da Alemanha. Depois de registrar seu endereço (veja #1), você receberá uma carta instruindo-o a pagar a taxa mensal compulsória.

Para mim, como estrangeira, esta regra não faz muito sentido, já que os canais de TV e rádio ainda mostram comerciais – que na teoria existem justamente para sustentar os canais financeiramente. Mas todos os imigrantes concordam que não há o que fazer, e mesmo que você tente ignorar o imposto, o sistema vai vencer no fim das contas e você terá que pagar um valor ainda maior.

7. Você pode receber dinheiro de imposto de volta

Vamos terminar esta lista com uma boa notícia: se você for ficar na Alemanha por um tempo, você pode ser elegível para receber reembolso de uma parte dos impostos (Steuererklärung) uma vez por ano. Se o seu salário vier de uma bolsa de estudos, ele é isento de impostos, então você provavelmente não terá direito a recebê-lo. Mas se você está trabalhando sob um contrato de trabalho, você pode solicitá-lo. Você pode ou buscar informações online e descobrir por si mesmo todos os documentos que você precisa (embora possa ser mais complicado para não-alemães), ou contratar um consultor (Steuerberater) que irá aconselhá-lo quanto ao que fazer para receber o maior valor possível.

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Espero que essas dicas esclareçam algumas dúvidas e tornem a sua nova vida na Alemanha um pouco mais fácil. Após a fase inicial de se instalar, tudo fica mais leve. Willkommen! 🙂

Roteiro turístico de Berlim

A maioria das principais atrações turísticas de Berlim fica no bairro central, Mitte. Aqui eu montei um itinerário para se ver todas elas numa ordem eficiente e a pé. É possível visitar todos os pontos turísticos de Mitte em 1 dia, mas pode ser cansativo. Dependendo do seu ritmo, este itinerário pode ser pausado e retomado no dia seguinte sem problemas. Vamos lá:

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Pontos no Centro (Mitte):

Comece pela Alexanderplatz (1), com a Torre de TV (Fernsehturm) e o relógio mundial. Há diversas lojas por ali – incluindo as bem baratas Primark, Decathlon e TK Maxx – e o shopping center Alexa ao lado.

Passe pela Rotes Rathaus (2) até chegar na Unter den Linden – a grande avenida central.

Siga pela Unter den Linden: logo depois do rio à direita, fica a Catedral (Berliner Dom) (3) e a Ilha dos Museus (5 museus um ao lado do outro).

Continuando pela Unter den Linden: ver o memorial ‘Neue Wache’, passar pelo prédio principal da Humboldt Universität (4) e seguir na avenida até chegar ao Portão de Brandemburgo (5), um dos maiores símbolos de Berlim.

Passando pelo portão, há uma longa avenida com a Coluna da Vitória no final, e ao redor um grande parque, o Tiergarten.

Siga à direita até o Parlamento Alemão (Bundestag ou Reichstag) (6). É possível visitar o topo do parlamento com áudio-guia totalmente grátis. Mas é preciso marcar com antecedência neste site aqui (‘Visit to the dome’). O prédio e a vista são lindos. Vale muito a pena!

Voltando em direção ao Portão de Brandemburgo e seguindo em frente: ali fica o Memorial do Holocausto (7), um labirinto de concreto que lembra um cemitério, com um efeito muito impactante. Ande por ele com respeito. Há também uma exposição gratuita no subsolo.

Seguindo na mesma direção, chega-se à Potsdamer Platz, com o Sony Center (8): uma cúpula gigante e moderna com restaurantes e cinema. Ali bem perto fica o shopping center Mall of Berlin.

Siga para a Topografia do Terror (9), mais um memorial sobre o nazismo, e depois para o Checkpoint Charlie (10) – um local que simboliza um dos antigos pontos de passagem entre Berlim ocidental e oriental na época do muro. Mas saiba que o checkpoint não fica no ponto exato onde costumava ser e hoje é apenas um local turístico.

Termine a rota no Gendarmenmarkt (11), uma praça bonita bem no centro de Berlim.


Fora do centro:

A East Side Gallery – a parte que restou do muro de Berlim, toda grafitada e colorida, é imperdível. Desça na estação S-Ostbahnhof e siga o muro até o final, chegando na ponte Oberbaumbrücke. Também vale a pena explorar à noite os bairros mais descolados / alternativos / hipsters de Berlim, Kreuzberg e Friedrichshain, que são conectados por essa ponte.

Outras dicas:

Em Berlim num domingo de tempo bom? Não deixe de ir ao Mauerpark! E aproveite pra ver o memorial sobre o muro, na mesma rua.

Vai ficar 3 ou mais dias em Berlim? Considere sair um pouco da cidade para visitar o Palácio Sanssouci e seus jardins, em Potsdam (mais ou menos 1 hora a sudoeste de Berlim), e/ou o museu do campo de concentração Sachsenhausen, em Oranienburg (mais ou menos 1 hora ao norte).

Quer fazer compras? Além dos shopping centers no centro já citados (Alexa e Mall of Berlin), uma ótima opção são as ruas Tauentzienstraße e Kurfürstendamm (apelidada de Kudamm), no bairro Charlottenburg. Ali também pode-se visitar o principal zoológico de Berlim e a Gedächtniskirche: as ruínas de uma igreja que foi bombardeada durante a segunda guerra e cuja torre principal encontra-se até hoje quebrada ao meio.

Vai estar em Berlim durante a primavera ou verão? Aqui está uma lista das coisas mais legais para se fazer por aqui na melhor época do ano!

Quer dicas sobre o que e onde comer em Berlim? Dê uma olhada nesse post.

Interessado em ficar por mais tempo? Veja aqui uma descrição de como é morar em Berlim.


Espero que você ame Berlim tanto quanto eu! 🙂

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10 coisas imperdíveis para fazer em Berlim no verão

Não há nada como a primavera e o verão em Berlim. A cidade se transforma completamente. Assim que as folhas se tornam verdes, as pessoas ficam particularmente animadas e se esforçam pra passar a maior parte do tempo possível fora de casa. Festivais e eventos ao ar livre começam a aparecer no calendário um atrás do outro. Definitivamente, é a melhor época para se visitar a capital alemã.

Há muitas coisas legais pra se fazer no verão Berlinense. Aqui está uma lista das minhas favoritas:

1) Ir nadar em um lago

Acredite ou não, Berlim às vezes fica bem quente. A temperatura atinge por volta de 37 graus em alguns dias de verão. E com a falta de ambientes com ar-condicionado, nada melhor que um bom mergulho para se refrescar. Embora a cidade não tenha mar por perto (e portanto, nada de praias), felizmente há MUITOS lagos. A maioria deles tem uma Freibad, uma área acessível por cerca de 3-5 euros, com areia para se deitar e tomar sol, banheiros e quiosques de comida. Em alguns, você até pode alugar pedalinhos, barquinhos a remo, caiaques ou stand-up paddles. Sem dúvida, algo imperdível em Berlim no verão!

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Lago Müggelsee

2) Cinemas ao ar livre

Nos meses quentes, há vários cinemas ao ar livre (em alemão, Freiluftkino) em Berlim, praticamente um em cada bairro. Os filmes exibidos vão dos clássicos antigos até os mais recentes hollywoodianos. Caso você não esteja acostumado, é bom saber: a pipoca nos cinemas alemães geralmente é doce.

3) Bares em terraços

Há diversos bares diferentes no topo de shoppings ou edifícios em Berlim, onde se pode tomar uma bebida ao ar livre enquanto se aprecia a vista e o pôr-do-sol. O mais famoso provavelmente é o Klunkerkranisch em Neukölln, seguido do Deck 5 em Schönhauserallee e o House of Weekend em Alexanderplatz (que também é uma boate/balada).

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Vista do Klunkerkranisch

4) Thai Park

Se você estiver a fim de experimentar comida tailandesa boa e autêntica, você com certeza tem que ir ao Preußenpark, também conhecido como Thai Park. Tudo o que você precisa saber sobre o Thai Park está neste post sobre os melhores lugares para comer em Berlim.

5) Badeschiff

O Badeschiff é literalmente uma piscina dentro do rio Spree! Por um pequeno valor de entrada, você tem acesso à área desse ‘beach bar’, que também tem guarda-volumes e banheiros. De dentro da piscina, há uma vista linda para a ponte Oberbaumbrücke que liga Kreuzberg e Friedrichshain; para a grande escultura de metal no rio, Molecule Man; e para as pessoas que ficam passando por perto, em barquinhos ou stand-up paddles. É uma das coisas mais legais e diferentes pra se fazer no verão em Berlim.

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Badeschiff

6) Tomar cerveja em um Biergarten

Beber cerveja é algo que não se pode deixar de fazer na Alemanha, e no verão isso se faz ao ar livre. O que significa… temporada de Biergarten! Existem dezenas de opções pela cidade, algumas perto de áreas verdes, como parques, e algumas em cervejarias mesmo, que oferecem chopps maravilhosos feitos no local.

7) Ir colher morangos

Essa é uma atividade bastante diferente que pode ser feita em um bate-e-volta de Berlim. Existem diversos campos nos arredores da cidade, a cerca de uma hora do centro, onde você pode colher morangos, framboesas e mirtilos. Em alguns deles, há uma pequena taxa de entrada, e em outros você pode entrar de graça, colher as frutas e só pagar se quiser levar algumas pra casa. Veja o calendário da temporada apropriada para visitar e como chegar a alguns dos campos neste site (apenas em alemão).

8) Monbijoupark

Essa é uma área perto do Hackescher Markt, onde as pessoas se sentam no gramado à beira do rio Spree enquanto tomam uma cerveja e apreciam a vista para a catedral (Berliner Dom). É um ótimo lugar para relaxar ao ar livre e também um lindo local para fotos. Virando a curva seguindo o rio na direção oposta à catedral, há um bar onde se pode dançar salsa ou tango ao ar livre nas noites dos meses mais quentes.

9) Fazer churrasco com amigos

Uma paixão em comum que os alemães compartilham com os brasileiros – além do futebol – é fazer churrascos. Assim que o sol começa a aparecer, podem-se ver churrasqueiras e fumaça por toda a parte na cidade. Fazer um bom churrasco é algo bastante típico em Berlim, e pode ser feito no quintal de alguém (ou até mesmo na varanda) ou em um dos vários parques públicos, que normalmente têm uma área específica para colocar as churrasqueiras.

10) Mauerpark

Você vai encontrar esta dica em todo guia de Berlim – isso porque é realmente imperdível. Se você estiver na cidade num domingo durante a primavera ou verão, você precisa ir ao Mauerpark, o epicentro hipster de Berlim. Lá, você vai encontrar um famoso mercado de pulgas, barracas de comida, vários artistas de rua e músicos do mundo inteiro cercados por uma multidão de pessoas jovens e alegres curtindo o som, e várias pessoas relaxando na grama no pequeno morro com vista para o parque. Além disso, a minha parte favorita: o karaokê ao ar livre. O parque tem um pequeno palco com uma arquibancada ao redor onde, nos domingos de tempo bom, há uma sessão de karaokê aberta ao público. Quem quiser cantar vai ao microfone, enquanto o povo assiste e aplaude. A atmosfera do Mauerpark é simplesmente especial.

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Karaokê no Mauerpark

Espero que você aproveite o verão em Berlim!

O lago Obersee (Königssee) no Parque Nacional Berchtesgaden

A maioria dos lugares cênicos procurados por turistas são bem mais bonitos nas fotos do Google do que na realidade. Lá estão as melhores fotografias, pelos melhores fotógrafos, nos dias mais bonitos, e às vezes também com uma ajudinha do Photoshop. Por isso, eu tento não criar tanta expectativa quando vou visitar um desses lugares. Mas… o lago Obersee foi uma exceção. Surpreendentemente, ele conseguiu ser mais bonito ao vivo do que nas fotos que eu havia visto.

Trata-se de um lago cristalino e espelhado, rodeado pelos Alpes o que faz com que a água reflita a imagem das montanhas e do céu. Soa como o paraíso, né? E é mesmo.

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O lago Obersee fica no final do lago Königssee, no parque nacional Berchtesgaden, bem ao sul da Alemanha, literalmente na fronteira com a Áustria. As montanhas dos Alpes que rodeiam o lago delimitam a fronteira. Apesar de estar em território alemão, a cidade (e aeroporto) mais próxima do parque é Salzburg que também é linda! Por isso, fica a dica de visitar Salzburg em um fim de semana ou feriadão e fazer um bate-e-volta de lá até Berchtesgaden é bem fácil, inclusive de transporte público.

O parque nacional Berchtesgaden também oferece várias outras atividades, como diversas trilhas e mirantes. Um deles é onde fica o Eagle’s Nest (Kehlsteinhaus), uma casa que foi dada de presente de 50 anos a Adolf Hitler como uma casa de chá para diplomatas. Berchtesgaden, aliás, era um local que Hitler gostava muito de visitar. Mas não deixe isso te desencorajar! A sensação de paz que a natureza desse parque proporciona realmente não merece ser associada a essa figura sombria do passado.

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Como chegar

Pegar o ônibus 840 em Salzburg até a parada final (Berchtesgaden Hbf, a estação de trem). A viagem leva só 45 minutos (mesma coisa de carro). De lá, pegar outro ônibus que vá até Königssee. Tudo é bem fácil de achar, até porque várias outras pessoas estarão fazendo o mesmo trajeto. Para voltar, é só pegar os mesmos ônibus no sentido oposto.

De Munique dá pra chegar em Berchtesgaden de trem com uma troca em Freilassing, mas cada trecho da viagem demora em torno de 3 horas (de carro, em torno de 2 horas).

Chegando na entrada para o Königssee, ande até a estação das barcas e compre um bilhete para o barco que faz o passeio pelo Königssee até o Obersee. No passeio, um guia irá explicar um pouco sobre o parque, apontar algumas cachoeiras bonitas e mostrar o efeito do eco no lago. O barco faz parada primeiro na estação St. Bartholomä, onde você pode saltar para visitar a capela, e depois pegar outro barco (incluído no bilhete) até a estação Salet. De lá, um pequeno caminho de uns 5 a 10 minutos andando leva até o Obersee.

Do outro lado do Obersee há um casinha e você pode andar até lá, contornando o lago por um caminho à direita (bem fácil de andar), e depois voltar. A vista do outro lado também é fantástica! E essa casinha é na verdade um pequeno restaurante, onde também há banheiros.

Não é permitido nadar no lago (apesar de algumas pessoas entrarem na beira).

Quando ir

Eu acredito que o lago e seus reflexos fiquem especialmente bonitos durante o verão, em um dia de sol. Eu fui em junho de 2015 e estava um dia lindo, e não muito cheio.

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Capela St. Bartholomä no lago Königssee
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Obersee visto do lado oposto ao caminho de entrada

Para mais fotos desse destino, clique aqui.

Espero que você aproveite esse passeio deslumbrante que é visitar o parque Berchtesgaden e seus lagos Königssee e Obersee! 🙂

Curiosidades sobre a Alemanha (parte 1)

Existem tantos fatos ou hábitos da Alemanha que são curiosos/estranhos pra um estrangeiro que essa vai ter que ser uma série de posts, e não só um! hehe

Pra quem já mora aqui há um tempo, como eu, essas coisas já se tornaram completamente normais e hoje em dia passam totalmente despercebidas. Mas quem ainda não é tão familiarizado com a cultura alemã geralmente acha esses fatos bastante confusos ou estranhos.

Vamos começar com 5 deles:

1) A pipoca no cinema é doce

Até tem pipoca salgada aqui, mas a pipoca ‘padrão’, que você encontra pra vender por aí, geralmente é doce. Ir ao cinema e não ter nem a opção de comer pipoca salgada? Como assim?

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2) As notas acadêmicas vão de 1 a 6, sendo 1 a melhor nota

Na Alemanha, o sistema de notas não é de zero a 10, ou de zero a 100. Tampouco é como o sistema A-B-C-D. Funciona assim:

1 = muito bom
2 = bom
3 = satisfatório
4 = suficiente para passar / nota de corte
5 = insuficiente
6 = muito insuficiente / zero

É preciso tirar pelo menos 4 para passar numa prova ou curso. As universidades às vezes nem mencionam a nota 6, já que qualquer número maior que 4 já significa reprovação. As notas também tem uma casa decimal, geralmente com dígitos ímpares. Por exemplo: 1,3 – 1,5 – 1,7 (sendo que 1,3 é melhor do que 1,7). Pros alemães, uma nota 2 é melhor do que uma nota 3. Totalmente contra-intuitivo.

A primeira vez que eu recebi uma nota no mestrado, o email dizia ‘1,0’. Quase tive um mini-infarto. 😀

3) O segundo andar é o primeiro

No Brasil, o andar térreo geralmente é considerado o primeiro andar, o andar acima é o segundo, e assim por diante. Mas na Alemanha, o andar térreo é o ‘andar zero’. E o primeiro andar (número 1) é o que vem acima do térreo. Isso causa muita confusão aos recém-chegados ao país. ‘Me encontre no primeiro andar’ – no início o seu cérebro está treinado pra pensar automaticamente no andar térreo, que é o primeiro andar em que você pisa. Em vários elevadores ou nas grandes lojas de departamento por aqui é possível ver o número zero no letreiro se referindo ao térreo (e às vezes -1 e -2 pro subsolo).

4) Ao entrar na casa de um(a) alemão(ã), você tem que tirar seus sapatos

Esse é talvez o hábito mais tipicamente alemão de todos. Todo e qualquer alemão tira os sapatos assim que entra em casa, ainda na porta, e coloca um par de ‘sapatos de ficar em casa’, ou anda de meias. Eles fazem o mesmo quando vão visitar alguém, e esperam isso de você quando vai visitá-los. Eu, que não sou muita fã de andar descalça, tenho que lembrar de conferir que as minhas meias não estão furadas antes de ir visitar algum amigo aqui! hehe

O intuito desse hábito é manter a higiene e não trazer sujeira de fora pra dentro de casa – o que é bastante compreensível. Mas esse costume está tão incorporado no DNA dos alemães que eles o seguem à risca mesmo quando não faz o menor sentido. Como no caso de festas dentro de casa, por exemplo. Festa sempre causa alguma sujeirinha e bagunça, e o apartamento vai ter que ser limpo depois de qualquer forma. Que diferença vai fazer se os convidados tirarem os sapatos? 😛

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“Tirem os sapatos” = assim começa uma festa alemã caseira (obs: tinham muitos outros sapatos que nem couberam na foto)

5) Os alemães amam bebida com gás

Eu disse ‘amam’? Eu quis dizer NÃO VIVEM SEM. Na Alemanha não existem só duas, mas três opções de água mineral: Still, Medium e Classic. Imagine você um turista ou recém-chegado no país que só quer matar a sede e encontra 3 tipos de água à venda. Qual deve ser a sem gás? A que diz ‘Classic’, certo? ERRADO. Clássico na Alemanha é água com gás. Vai entender… Still é sem gás, e Medium com um pouco de gás (pra você ver o quanto eles levam isso a sério).

Por aqui a água da torneira é potável e própria para beber – e mesmo assim, alguns alemães não abrem mão de comprar água com gás no supermercado (e ainda carregam aquele peso pra casa). Aqui tem até um eletrodoméstico que transforma água normal em água gaseificada! O vício é forte.

A Bastei e o Parque Nacional da Suíça Saxônica

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A ponte Bastei e a montanha Lilienstein ao fundo

A Suíça Saxônica (em alemão, Sächsische Schweiz) é uma região e parque nacional a 43 km a sudeste de Dresden. O nome foi dado porque a paisagem cheia de montanhas pode lembrar a Suíça – mas na verdade fica no leste da Alemanha, quase na fronteira com a República Tcheca.

A atração mais popular do parque nacional é a Bastei – uma formação rochosa de montanhas de arenito formada no período Cretáceo (há 100 milhões de anos). Ali fica a famosa ponte da Bastei (Basteibrücke), a 194 metros acima do rio Elbe. Há alguns mirantes na Bastei que permitem uma bela vista para a ponte e as montanhas ao redor.

Em uma das entradas da ponte fica o Felsenburg Neurathen – as ruínas de um antigo castelo rochoso. O ingresso custa apenas 2 euros. O local funciona como um museu a céu aberto, com um lindo visual para os arredores em pontes suspensas.

O acesso à Bastei é fácil e não é preciso fazer trilhas para chegar lá – apenas subir escadas, para quem não vai de carro. Mas quem quer fazer trilhas tem várias opções pelo parque nacional. Além da Bastei, outro ponto de interesse popular da região é a fortaleza de Königstein. Nós preferimos visitar a pequena cidade de Pirna na beira do rio.

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Entrada do Felsenburg Neurathen

Quanto tempo ficar:
Um dia foi suficiente para visitarmos a Bastei e Pirna. Querendo ver outros pontos ou fazer trilhas, adicione mais dias.

Como chegar:

De carro: dirija em direção ao Bastei Berghotel, onde fica a entrada para a Bastei. Como somente hóspedes podem parar os carros no estacionamento do hotel, deixe seu carro no estacionamento do parque nacional, a 3 km, antes de chegar no hotel. De lá, sai um ônibus para a entrada da Bastei (e do Berghotel) por 2 euros ida e volta.

De trem: pegue o S1 em Dresden sentido Bad Schandau (dura 30 minutos), desça em Kurort Rathen e pegue uma barca para atravessar o rio. De lá, suba pelas escadas até chegar até a Bastei.

Nós fomos de carro e o acesso foi bem fácil (alugamos um carro em Dresden por 22 euros por dia). Mas vimos bastante gente subindo a pé até a Bastei. Parece ser cansativo, mas é viável. As escadas são largas e relativamente novas.

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Entrada da ponte Bastei
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Vista para o rio Elbe 

A Suíça Saxônica é uma área onde se pode caminhar pela natureza e admirar o visual de formações rochosas impressionantes. Dresden fica a 2h30 de Berlim, e há ônibus bem baratos fazendo esse percurso. Então, é uma opção super viável para uma viagem de fim de semana a partir de Berlim – ou um bate-e-volta saindo de Dresden ou Leipzig.

Festivais da Alemanha: Baumblütenfest

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O Baumblütenfest (festival das árvores em flor) é um festival que ocorre anualmente na pequena cidade de Werder (Havel), ao lado de Potsdam, a 45 minutos de Berlim. Esse nome foi dado porque ele acontece no início da primavera, mas não condiz muito com o festival. Devia se chamar ‘festival do vinho doce’, ou algo parecido. 😛

Nesse festival, gratuito e ao ar livre, as pessoas que vivem em Werder vendem seu próprio vinho caseiro, um vinho bastante doce e licoroso, logo em frente às suas casas. Então você vai andando pelas ruazinhas da cidade e vai parando em frente às casas, experimentando e comprando os vinhos caseiros. Há inúmeros sabores, geralmente frutas silvestres: morango, ameixa, amora, framboesa, entre muitos outros. O preço em geral é de 2 euros por copo e 7-9 euros por garrafa.

A cidade fica tomada por gente jovem, animada e alegre por causa do vinho. É proibido andar por lá com garrafas de vidro, por questões de segurança, então cerveja só em locais específicos. O vinho é super doce, o que disfarça muito a quantidade de álcool. E como a combinação ‘álcool + pessoas’ pode vir a causar problemas, há policiais a postos espalhados por toda a cidade.

A cidade também fica cheia de barraquinhas vendendo comida de rua, alguns palcos espalhados tocando música ao vivo, e até um parque de diversões com roda gigante e outros brinquedos. E subindo uma rua a partir da praça principal chega-se ao topo de um morro onde fica uma grande área ao ar livre, com um palco, um Biergarten, e uma bela vista dos arredores.

Eu já fui a esse festival em 2 anos seguidos e pretendo continuar indo. O mais legal de lá é que todo mundo fica alegre e descontraído (claro que a bebida ajuda, hehe). É uma vibe muito divertida e animada (coisa que nem sempre a gente vê na Alemanha). Uma ótima opção pra quem não tem aversão a ‘muvuca’ e quer curtir o início do clima quentinho e ensolarado ao ar livre.

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Diversos sabores de vinho no Baumblütenfest

Quando: o Baumblütenfest tem duração de uma semana, incluindo os 2 finais de semana antes e depois, sempre no final de abril / início de maio. Em 2016, vai de 30 de abril a 8 de maio.
Como chegar: pegando um trem regional RE1 de Berlim e saltando na estação ‘Werder (Havel)’. Custo da passagem ABC (cada trecho): 3,30 euros. Em Berlim, o trem sai das principais estações, como Hauptbahnhof, Friedrichstr., Zoologischer Garten e Charlottenburg.

Dicas: onde e o que comer em Berlim

Berlim é uma cidade que tem muita coisa boa para oferecer, e uma delas é comida! É perfeitamente possível encontrar lugares bons e com baixo custo para comer por aqui. Reparem que eu disse lugares e não restaurantes. Isso porque a street food tem uma presença muito forte na capital alemã.

Aqui vão algumas dicas de onde encontrar comida que é a cara de Berlim: saborosa, multi-cultural, com preços acessíveis e sem muita frescura.

  • 1) Döner kebab

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Como
não recomendar um döner a quem vem à Alemanha? De origem turca, é um dos fast-foods mais populares do país. É gostoso, barato e vale por uma refeição inteira. O döner kebab é geralmente servido em forma de sanduíche, em um pão turco crocante e triangular. A carne é assada em um espeto giratório com formato de cone invertido, e a casquinha da carne é fatiada verticalmente, como um churrasco. A versão clássica leva carne de cordeiro, mas alguns lugares também oferecem a opção de frango. O döner também leva bastante salada (alface, tomate, pepino, cebola, repolho roxo) e molho (de ervas, alho ou picante). A versão vegetariana “prima” do döner é o falafel que, ao invés de carne, leva os deliciosos bolinhos fritos de grão-de-bico com condimentos. Serve também para os Berliners carnívoros que querem variar um pouco do döner. Outra variação é o dürüm – ao invés de sanduíche, é como um wrap: vem em um pão mais fininho e com formato cilíndrico (e em geral é ainda maior que o döner).

Preço normal: de 3,00 a 3,50 euros (mais que isso já está caro!)

Onde: em um dos milhares de quiosques de kebab espalhados pela cidade. Um queridinho de Berlim é o Mustafa’s, que oferece não o döner clássico, mas com carne de frango, legumes cozidos e queijo feta. Por ser tão famoso, as filas estão sempre longas, inclusive de madrugada. (Estação de metrô: U Mehringdamm)

  • 2) Santa Maria
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Chilaquiles do Santa Maria

Se você é fã de comida mexicana, você precisa ir ao Santa Maria. Lá tem comida mexicana de verdade, autêntica, nada de Tex-Mex. Toda vez que amigos do México visitam Berlim, eles pedem para irmos comer lá. O Santa Maria é um restaurante pequeno e aconchegante, com preços muito razoáveis: em torno de 7 a 12 euros por prato, que vem bem servido. E toda terça-feira tem as Taco Tuesdays: tacos e tequilas por 1 euro cada. Mas atenção: é melhor chegar com um pouquinho de antecedência – eles não reservam mesas. Dica da minha amiga mexicana Sharlen: peça o chilaquiles com o molho de salsa verde (pra quem curte comida apimentada) ou os tacos de carnita (pra quem é mais fracote, como eu).

Onde: duas filiais, a original em Oranienstr. 170 (estação de metrô U Kottbusser Tor) e uma nova em Krossenerstr. 18 (U Warschauer Str.)
http://santaberlin.com/
→ Um ponto positivo da Alemanha: os restaurantes geralmente mostram o menu no site (com preços!)

Outra opção de comida mexicana boa é a Taqueria Ta’Cabrón (U Schlesisches Tor).

  • 3) Thai Park

O “Thai Park” (parque tailandês) é um exemplo da multiculturalidade peculiar que define Berlim. Trata-se de um parque público (nome oficial: Preußenpark) onde dezenas de tailandeses vendem em suas barraquinhas os mais diversos pratos típicos de seu país, feitos em casa. Bolinhos fritos, banana frita, camarão frito… Tudo frito! Eles também vendem um prato delicioso de um arroz empapado com molho de côco e pedaços de manga. Até insetos para comer você encontra no Thai Park. Infelizmente essa maravilha culinária só acontece durante os meses mais quentes do ano. Super recomendado pra quem estiver em Berlim no verão! Acontece todos os dias, mas aos sábados tem mais barraquinhas. Dica: o prato com 5 dumplings de recheios diferentes à sua escolha por 5 euros.

Onde: Preußenpark (estação de metrô: U Fehrbelliner Platz)

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  • 4) Al Andalos

O Al Andalos é um restaurante de comida libanesa, do tipo que só os locais conhecem. Pequeno e despretensioso, eu só descobri que ele existe porque um amigo me levou lá, senão provavelmente nunca o teria encontrado. O menu atrás do balcão é em alemão e em árabe, e oferece sanduíches ou pratos muito bem servidos, sobremesas típicas e opções vegetarianas e carnívoras. A comida não é apenas deliciosa e autêntica, mas também é muito barata, com sanduíches por 1,50 euros e pratos por 5 ou 6 euros. Dica: para duas pessoas, peça o prato Al Andalos que vem com um pouco de tudo (falafel, halloumi, kafta, arroz libanês, salada, etc., etc.) por 11 euros. Esse lugar incrível com funcionários simpáticos ainda fica aberto até altas horas da madrugada. Apesar de a comida ser libanesa, a música ambiente normalmente é salsa ou flamenco. Como não amar?

Onde: Sonnenallee 40 (entre as estações U Hermannplatz e U Rathaus Neukölln)

Al Andalos em Neukölln
Al Andalos em Neukölln
  • 5) Burgermeister

Outro exemplo de “tinha-que-ser-em-Berlim”: o Burgermeister é uma hamburgueria de rua localizada abaixo dos trilhos de uma estação de metrô, onde antes costumavam ser os banheiros públicos da estação! Recentemente uma outra filial “versão restaurante” foi aberta próxima à original. O nome é um trocadilho: Bürgermeister (com trema) significa “prefeito” em alemão, mas nesse caso eles se referem ao “mestre” (meister) dos hambúrgeres.

Onde: versão “quiosque” original na estação de metrô U Schlesischer Tor e versão “restaurante fast food” na U Kottbusser Tor.
www.burgermeister.berlin

Burgermeister na U Schlesisches Tor
Burgermeister na U Schlesisches Tor

Outros lugares para comer um bom hambúrger em Berlim:

Kreuzburger (outro trocadilho!): tem 3 filiais em Berlim (Kreuzberg, Friedrichshain e Prenzlauer Berg) que ficam abertas até altas horas ou entregam em casa. Não deixe de pedir a batata doce frita!! É uma das coisas que eu mais amo nesta cidade.
www.kreuzburger.de

The Bird: um restaurante muito procurado. O ideal é reservar uma mesa antes e não ir com muita pressa, pois os hambúrgeres costumam demorar a ficar prontos (2 filiais: estações de metrô S+U Schönhauser Allee e U Schönleinstr)
www.thebirdinberlin.com

Kreuzburger e sua divina batata doce frita
Kreuzburger e sua divina batata doce frita

Guten Appetit!  : )

Como funciona o sistema escolar alemão

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O sistema escolar na Alemanha é bem diferente e curioso.

O primeiro nível, equivalente à creche e pré-escola, é o Kindergarten – que é uma palavra alemã bem famosa usada até no inglês. Não é obrigatório na Alemanha; os pais decidem se querem colocar o filho ou não. Depois vem a Grundschule: o início da escola primária, ou ensino fundamental. Dura 4 anos, geralmente dos 6 aos 10 anos de idade. Da Grundschule em diante, o ensino é obrigatório (e gratuito!) para todos.

Até aí é bem parecido com outros países. No final da Grundschule é que começa a diferenciar.

Quando a criança está quase terminando a Grundschule, por volta dos 10 anos de idade, uma decisão precisa ser tomada: qual dos 3 tipos de escola ela vai seguir. Isso é normalmente decidido pelos professores e aconselhado aos pais, com base no histórico escolar da criança.

Agora vamos aos diferentes tipos de escola: Hauptschule, Realschule e Gymnasium.

Deixando de lado os eufemismos e explicando de forma clara e direta (como os alemães fazem): a diferença entre essas 3 escolas é o nível de dificuldade e de exigência.

A Hauptschule é a escola mais fácil das três, com menos exigências aos alunos. A Realschule é a de dificuldade e exigência médias. O Gymnasium é a mais difícil, onde a exigência é a maior das três e o aluno tem que dedicar mais tempo e esforço aos estudos. No final do Gymnasium os alunos fazem uma prova chamada Abitur (ou o apelido, Abi), que seria algo parecido com o vestibular. Só pode entrar na universidade quem tiver terminado o Gymnasium e feito o Abi. O aluno que não tiver notas altas o suficiente para ingressar no Gymnasium diretamente após a escola primária ainda pode, caso o seu desempenho escolar melhore, fazer primeiro a Realschule e depois o Gymnasium, ou ainda fazer uma via mais longa de Hauptschule, depois Realschule e depois Gymnasium.

Mas e quem fez Hauptschule e/ou Realschule, sem ter feito Gymnasium e Abitur? Eles seguem para um ensino profissionalizante, ou cursos técnicos.

Entenda o seguinte sobre a sociedade alemã:

Na Alemanha, não é preciso necessariamente ter um diploma universitário para se ter um bom emprego com um bom salário. Isso porque existem centenas de cursos profissionalizantes (Ausbildung), que são como faculdades que preparam para todas as profissões não-acadêmicas. Por exemplo: comerciante, mecânico, cabeleireiro, designer de produtos, assistente de dentista, entre tantas outras. E todas as profissões são relativamente bem pagas. Claro que umas mais que as outras, mas a discrepância não é tão grande quanto no Brasil. O resultado disso é uma sociedade com mão-de-obra qualificada em todas as áreas, tanto de trabalhos manuais quanto intelectuais. Cada curso profissionalizante dura no mínimo 3 anos, e o aprendiz tem que passar por um treinamento teórico e prático e por avaliações para poder exercer a profissão. Enquanto no Brasil é muito comum ter que escolher um eletricista, por exemplo, por indicação dos amigos, na Alemanha em teoria pode-se confiar em qualquer um, pois todos são igualmente bem capacitados.

Então, é natural que nem todos os alemães decidam por fazer universidade – já que existem outras boas opções, em que se pode começar a trabalhar e ganhar dinheiro mais cedo. Há também quem diga que quem vai para a universidade passa anos aprendendo muita coisa teórica, mas no fim das contas não tem nenhuma experiência de trabalho e não sabe como a profissão funciona na “vida real”.

De fato, provavelmente um vendedor de loja não ganha o mesmo que um médico – mas ganha o suficiente para viver bem. Na Alemanha cada um tem a oportunidade de fazer a escolha profissional que acha melhor para si.


Argumentos prós e contras sobre o sistema educacional alemão:

  • CONTRAS:

É um tanto quanto segregacionista, já que os alunos são divididos em escolas de níveis de dificuldade diferentes.

É uma forma de rotular alunos pelo seu potencial, sendo julgados pelas suas notas escolares.

As crianças são obrigadas a decidir seu futuro com apenas 10 anos de idade. São novas demais para saber o que querem fazer posteriormente.

Se uma criança da Hauptschule estivesse rodeada por colegas de classe aplicados durante o ensino médio, como os do Gymnasium, talvez isso a motivasse a estudar mais.

  • PRÓS:

Esse sistema já está tão inserido na cultura alemã que eles não o veem como segregacionista. As crianças crescem sabendo que é assim, e ninguém vê maldade nisso.

Pessoas diferentes tem ritmos e interesses diferentes. Nem todo mundo é feito para ir pra universidade. Nem todo mundo está a fim de estudar pra caramba durante a escola.

Uma sociedade não é e não deve ser feita só de intelectuais, e sim de trabalhadores qualificados de todas as áreas.

Colocar todos os alunos em um só tipo de escola significaria ter que diminuir o ritmo dos alunos que estão dispostos a estudar mais por causa dos alunos que preferem seguir o rumo do ensino profissionalizante.

A decisão não é irreversível. Há mobilidade e os alunos podem mudar de ideia e trocar o tipo de escola se quiserem e se mostrarem interesse para tal.


Esse é o resumo básico dos pontos principais do sistema escolar da Alemanha. Varia um pouco a cada estado e existem algumas exceções, como por exemplo a escola que integra Hauptschule e Realschule juntas (Integrierte Sekundarschule) e a Gesamtschule.

Eu particularmente acho diversos pontos muito interessantes, mas discordo de outros. Mas em geral, esse curioso sistema escolar parece funcionar, e está fortemente relacionado ao mercado de trabalho e à sociedade alemã.

A Rota Romântica na Alemanha

rothenburgA Rota Romântica (em alemão, Romantische Strasse) é uma rota que percorre diversas cidadezinhas e vilarejos medievais da Baviera, no sul da Alemanha. É uma região com diversos castelos, vinícolas e casinhas coloridas no estilo Fachwerk (tipicamente alemão). A rota completa tem 350 km e vai de Würzburg a Füssen (onde fica o Castelo Neuschwanstein).
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Quais cidades visitar

Essa rota temática foi criada como uma estratégia de marketing por agentes de turismo nos anos 50, para incentivar a visitação desses pequenos vilarejos. Inclusive, hoje em dia também existe uma Rota Romântica pelo sul do Brasil.
Mas os principais lugares pra se visitar na Rota Romântica da Alemanha são:

  • Würzburg
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    Würzburg tem várias semelhanças com Praga, como uma ponte com estátuas (muito parecida com a Charles Bridge) e uma fortaleza do alto do outro lado do rio (Festung Marienberg), que dá à cidade um ar de conto de fadas.
  • Rothenburg ob der Tauber
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    Rothenburg é a cidade mais famosa da Rota Romântica e talvez a mais charmosa da Alemanha. Andar por ela dá a sensação de estar em um parque da Disney (ou seja, encantador).
  • Dinkelsbühl
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    Dinkelsbühl é uma pequena cidade histórica e preservada, ainda com muros e torres da época medieval. E (muitas) casinhas coloridas.
  • Nördlingen
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    Assim como Dinkelsbühl, Nördlingen também é cercada por antigos muros medievais. Vista de cima, a cidade tem formato de um círculo, com 5 torres equidistantes ao seu redor (perfeito pra quem adora simetria, como eu). Curiosidade: Nördlingen aparece na versão original do filme A Fantástica Fábrica de Chocolate.
  • Castelo Neuschwanstein
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    O Castelo Neuschwanstein, em Füssen, dispensa apresentações. É uma das atrações mais populares da Alemanha. A melhor vista para admirá-lo é a da ponte Marienbrücke. Há também o Castelo Hohenschwangau logo em frente.

Como chegar e se transportar

O mais recomendável é fazer a rota de carro. Há também excursões em ônibus de turismo, e algumas pessoas fazem o trajeto até de bicicleta! Mas, não tendo muito tempo disponível e para ter mais liberdade de escolher para onde ir, carro seria o ideal. Dentro de cada cidade é perfeitamente possível andar a pé – são todas muito pequenas.
O percurso é em geral bem sinalizado, com placas indicando a Romantische Strasse. Antes de ir, nós achávamos que a Rota Romântica em si seria uma estrada mais lenta, levando por dentro de todos os vilarejos, paralela à estrada de via rápida (Autobahn). Mas na verdade, muitas vezes a Rota Romântica estava sendo sinalizada na própria Autobahn. Então, essa rota não é apenas uma estrada propriamente dita, mas toda a região.
Vindo de outro país, os aeroportos de entrada e saída mais próximos da Rota Romântica são: Frankfurt, ao norte da rota, e Munique, ao sul da rota. E, claro, pode-se fazer a rota em qualquer uma das direções (norte-sul ou sul-norte).

Quanto tempo ficar

Isso depende muito de quantas cidades se quer visitar. A rota inteira compreende no total 27 pequenas cidades e vilarejos. Mas, para se visitar os principais lugares da rota, apresentados aqui, é preciso pelo menos 3 dias. Eu recomendo: 1 dia em Würzburg; 1 dia em Rothenburg + Dinkelsbühl + Nördlingen; e 1 dia em Füssen. Como é uma rota bastante customizável, pode-se adicionar mais dias para visitar Munique também, por exemplo, ou outros vilarejos da rota.
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A Rota Romântica é uma ótima escolha pra quem quer conhecer cidades medievais, pitorescas e tipicamente alemãs da região da Baviera (Bayern, em alemão).

Para ver mais fotos, clique aqui.