Retrospectiva: minhas viagens em 2017

2017 foi maravilhoso pra mim, tanto profissional quanto pessoalmente. E foi um ano de muitas, mas muuuitas viagens. Parando pra contar, eu estive em 13 países só este ano (sim, TREZE!!), sendo 3 vezes na Itália e em 4 países pela primeira vez: Uruguai, Argentina, Escócia e Irlanda. Foram mais países do que meses. Mesmo assim, foi de longe o ano mais produtivo do meu doutorado.

Em 2015, eu viajei todos os meses do ano e em 2016, quase (só 1 mês ficou de fora). Esse ano foi diferente: a grande maioria das minhas viagens ficou concentrada no primeiro semestre, quando há o maior número de feriadões e a primavera/verão, mas foram uma ou duas viagens por mês. Foram tantas idas e vindas entre janeiro a agosto, que eu confesso que até eu fiquei um pouquinho cansada. 😀

JANEIRO: Rio de Janeiro / Uruguai + Argentina

Como sempre, eu passei a virada de ano na minha linda cidade, Rio de Janeiro.
E, achando um absurdo eu conhecer tantos países da Europa mas só o Brasil na América do Sul (e mesmo assim, nem o país todo), eu finalmente resolvi mudar isso. Viajei com o meu pai por Montevidéu, Punta del Este e Colonia del Sacramento (no Uruguai) e, depois de cruzar de um país ao outro de barca, Buenos Aires (na Argentina).

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Montevidéu, Uruguai

FEVEREIRO: Suíça

Minha segunda vez em Genebra e terceira na Suíça, dessa vez pra comemorar o aniversário de uma amiga querida, que de quebra me levou pra comer muito queijo e conhecer o detector de colisão de partículas da CERN. Também visitei Montreux, Vevey e Lausanne, que compõem a Suíça francesa, ou Riviera Suíça. Um cenário lindo com a neve no topo das montanhas.

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Suíça francesa

ABRIL: Escócia / Irlanda

Feriado de Páscoa conhecendo a Escócia pela primeira vez com uma amiga do mestrado e uma amiga de infância do Rio que nos encontrou lá. Visitamos Edimburgo e Glasgow e fizemos passeios para o Lago Ness, as Highlands, Stirling, Lago Lomond e uma destilaria de uísque.

E eu visitei o meu 27° país, a Irlanda, no meu 27° aniversário, no feriadão do dia do trabalho. Fiquei hospedada com uma amiga do mestrado que foi uma ótima anfitriã. Conheci Dublin e fiz passeios para os Cliffs de Moher e Howth e a baía de Galway. Apesar da fama de chover bastante tanto na Escócia quanto na Irlanda, foram lindos dias de sol de primavera!

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Cliffs of Moher, Irlanda

MAIO: Alicante (Espanha) / Torino + Cinque Terre + Pisa (Itália)

Cheguei de Dublin e, no dia seguinte, quase sem respirar, voei para Alicante para uma conferência para doutorandos de Neurociências. O resort perto da praia, onde o evento ocorreu, os amigos e o tempo quente e ensolarado fizeram parecer que a viagem foi puramente a lazer.

No feriadão do fim de maio, fui à Itália com meu melhor amigo. Ele queria conhecer Torino (fã do Juventus!) e eu, Cinque Terre: os 5 vilarejos à beira do mar, com lindas casinhas coloridas nos penhascos. Então, fizemos ambos! E de quebra, Pisa também, que era ali do lado. Que visuais deslumbrantes!! Dentre as minhas viagens de 2017, essa leva o prêmio de melhor destino.

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Manarola (Cinque Terre), Itália

JUNHO: Paris / Amsterdam

Minha terceira vez em Paris, visitando uma amiga carioca no fim de semana, em pleno verão (e que calor!). Visitamos o que faltava pra nós duas conhecermos por ali: o Palácio de Versalhes.

Também passei uma semana em Amsterdam para participar de um curso maravilhoso de BioBusiness, hospedada gentilmente por uma amiga do mestrado.

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Palácio de Versalhes

JULHO: Göttingen (Alemanha) / Leuven (Bélgica)

Estive de volta à cidade alemã onde eu morei durante o mestrado, Göttingen, por uma semana a trabalho, rodeada de amigos. E mais tarde fui a Leuven (minha segunda vez) para o casamento de uma amiga querida. Que fim de semana especial e maravilhoso!

AGOSTO: Kenilworth (Inglaterra)

Mais um fim de semana para comemorar o casamento de outra amiga querida, dessa vez em Kenilworth, na Inglaterra. Teve muito amor, muito sol, céu azul e caipirinha. Foi realmente incrível!

OUTUBRO: Veneza (Itália)

Uma viagem super romântica com meu namorado (nossa primeira juntas, e primeira vez em Veneza!). Fiz um post contando tudo sobre o que ver por lá além da ilha principal: Burano, Murano, Torcello e Sant’Erasmo.

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Veneza, Itália

DEZEMBRO: Roma / Rio de Janeiro

Indo de Berlim pro Rio com uma amiga que estava no mesmo voo, tivemos uma conexão de 7 horas em Roma. Apesar de não ter sido nossa primeira vez lá, fomos andar pela cidade cheia de luzes de Natal. Parece que a Itália não queria me largar esse ano.

E 2017 termina onde começou: no Rio de Janeiro. 🙂

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Rio de Janeiro, Brasil

Mal posso esperar por 2018 e as viagens que virão! Feliz ano novo a todo mundo!!!


Retrospectiva 2016

Retrospectiva 2015

Respondendo à pergunta “Como você faz para viajar tanto?”

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A estranha sensação de ter dois lares

Às vezes é como se eu vivesse em dois universos paralelos. Os dois mundos são extremamente reais, complexos, meus, mas muito diferentes.

Um guarda a minha família, meus amigos mais antigos, meu passado, minhas lembranças, minha base. O outro é o meu presente, meu dia-a-dia, minha rotina, minhas novidades, meus amigos mais recentes (mas já nem tão recentes assim), meu agora.

Eu tenho um endereço, uma conta bancária e um número de celular em cada um dos meus mundos. Coisas materiais que dão a impressão de que a gente está ancorado em determinado lugar.

Quando acontece de os dois mundos se misturarem (o que não é muito frequente no meu caso), meu cérebro dá um nó. É como se personagens de dois núcleos diferentes da novela de repente se encontrassem. É como assistir aos Jetsons no cenário dos Flintstones. O que é que o meu pai tá fazendo aqui no metrô de Berlim? Como assim a minha amiga de infância, que pertence ao ‘mundo de lá’, tá no meu campo visual junto com a minha amiga do mestrado, que pertence ao ‘mundo de cá’? Uma sensação meio como naquele filme, ‘A Origem’.

Normalmente sou eu que me desloco entre os dois mundos, mas também assim é confuso. Quando eu vou visitar o Brasil, eu estou indo pra casa, ou pra casa dos meus pais? E quando é hora de partir, eu estou deixando a minha casa, ou indo pra casa? Eu sinto que a resposta é: os dois.

Para cada partida, há uma chegada. Depende do ponto de vista.

Quando meu voo ou trem chega na Alemanha, de volta de uma viagem, automaticamente me vem aquela sensação de ‘cheguei em casa’. E quando eu estou viajando em outro país onde não se fala alemão, mas de repente ouço um grupo de turistas falando alemão na rua, estranhamente aquilo me soa familiar… Pra mim, tem som de lar. Estranho, né?

Eu vivi no Brasil até os 22 anos e agora faz 5 que moro na Europa. Considerando como adulto alguém maior de 18 anos de idade, eu chego à conclusão espantosa de que eu já passei maior parte da minha vida adulta na Alemanha, e não no Brasil.

Me mudar pra Europa foi um grande marco na minha vida, daqueles divisores de águas, pelos motivos enumerados aqui. Foi quando o portal se abriu pra toda uma nova dimensão. E agora começa o sexto ano dessa era.

Eu me sinto em casa no Rio e em Berlim. Sou uma habitante orgulhosa de dois mundos, em meio a uma vida multidimensional. Tenho lares em duas cidades, cada uma um mundo por si só.

Quatro anos na Europa… Mas quanto tempo são 4 anos?

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Eu gosto de simbolismos. Outro dia eu estava olhando pra minha borracha (sim, a borracha que eu uso para apagar quando escrevo a lápis), e pensei: ‘nossa, como a minha borracha está velhinha e minúscula!’. Quase não dá mais pra segurá-la na hora de apagar. E aí eu me lembrei que eu comprei essa exata borracha logo antes de me mudar pra Europa. Eu devo ter pensado ‘estou indo fazer um mestrado fora, preciso de uma borracha decente’. Quatro anos mais tarde, ela continua sendo minha fiel companheira apagadora.

Se você sempre se perguntou como uma borracha fica depois de 4 anos de uso, é mais ou menos assim:

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Minha borracha: antes (meramente ilustrativo) e depois (real)

Além de simbolismos, eu também gosto de retrospectivas e de comparações. Elas me ajudam a observar e avaliar o decorrer das coisas de uma perspectiva mais ampla. Me mudar pra Europa foi um grande marco de ‘antes e depois’ na minha vida. E a borracha comprada justamente nesse marco me possibilitou (totalmente sem querer) observar como um objeto mudou desde que eu vim parar aqui.

Há 4 anos, eu:
a) saí da casa dos meus pais
b) fui morar sozinha (e pagar todas as minhas contas)
c) me mudei pra Europa
d) me formei na faculdade e comecei o mestrado

Tudo ao mesmo tempo. Às vezes a gente começa a se bancar sozinho mas continua morando com os pais; ou sai de casa mas fica na mesma cidade; ou vai até pra outro país mas pra morar com outra pessoa. Eu, pelo que parece, fui logo batendo todas essas metas de uma só vez.

Hoje o blog faz 1 ano. Eu decidi começá-lo quando percebi que já ia fazer 3 anos que eu estava morando na Europa e tinha muita coisa pra contar. E agora, mais um ano pra conta. Quatro no total.

Mas quanto tempo são quatro anos?

Bem, quatro anos é o tempo que leva pra consumir uma borracha nova quase por inteiro.

É a duração de uma faculdade, ou de um doutorado (no Brasil). É o tempo entre duas Olimpíadas, Copas do Mundo, eleições presidenciais, anos bissextos. Quando eu cheguei à Europa, os jogos olímpicos de Londres 2012 estavam acabando, e agora o mesmo está acontecendo com os do Rio 2016. A partir de agora, eu não vou mais assistir a nenhum dos grandes eventos mundiais regulares pela primeira vez desde que vim pra Europa – todos eles vão passar a ser repetidos. É assim que você se dá conta de que quatro anos é bastante coisa.

Mas ao mesmo tempo, quatro anos não é nada. Passa muito rápido.

Eu não sei o que o futuro me reserva, não sei quantos aniversários mais ainda farei na Europa… Só sei que aprendi MUITO nesses últimos 4 anos, e sou extremamente grata por tudo o que vivi aqui até agora.

E quanto à minha borracha, ela continua funcionando e é usada diariamente.

“Como você faz para viajar tanto?”

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Em primeiro lugar, eu não acho que eu viaje tanto. Eu com certeza não viajo tanto quanto gostaria. Eu não sou uma viajante em tempo integral – viajo apenas no meu tempo livre (afinal, estou fazendo um doutorado). Mas, mesmo assim, eu ouço essa pergunta frequentemente. Acho que pode-se dizer que eu consegui viajar um bocado nesses últimos anos, em paralelo ao mestrado e doutorado. (Para um resumo das minhas viagens em 2015, clique aqui).

Então, decidi tentar responder a essa pergunta: como é que eu consigo viajar tanto quanto eu viajo? Afinal, para viajar são necessárias basicamente duas coisas: tempo e dinheiro. E estudantes não possuem nenhum dos dois. Então, como funciona?

Minha primeira resposta a isso é: PRIORIDADE.

No meu tempo de lazer, fora do trabalho, viajar é minha prioridade. É o que eu mais gosto de fazer quando tenho um tempo livre. Claro, eu tenho outros hobbies, como dançar, escrever e aprender idiomas. Mas estes eu posso fazer a qualquer momento, em dias úteis após o trabalho. Então, quando eu tenho aquele tempo livre extra, como fins de semana e feriados, eu trato de usá-lo da forma que acho melhor: visitando novos lugares.

Algumas pessoas preferem usar seu tempo livre descansando em casa, ou indo à academia, ou aproveitando para ler um livro, por exemplo. E não há problema algum nisso – cada um deve fazer o que o faz feliz. Eu? Eu gosto de usar todo o meu tempo livre para viajar – se possível para algum destino novo.

Então um dos principais motivos pelos quais eu ‘me viro’ para viajar tanto é porque eu vejo isso como uma prioridade para o meu tempo de lazer.

Dito isso, ainda temos 2 problemas: falta de tempo e de dinheiro.

Problema #1: TEMPO

“É fácil para VOCÊ viajar, porque você mora na Europa”.

Claro, viver na Europa, como eu, facilita muito viajar frequentemente. É muito prático visitar países diferentes por aqui, pela proximidade e preços acessíveis de voos, trens e ônibus. MAS… há um porém. Se você é um estrangeiro vivendo na Europa como eu, você provavelmente gasta a maior parte dos seus dias de férias indo para o seu país de origem. Sim, isso é ótimo, e inclusive necessário para a minha sanidade mental (de novo, prioridades!), e eu não faria diferente. Mas ir pra casa não conta exatamente como viajar de verdade para mim, porque eu cresci lá, e não é novidade.

Eu posso tirar 30 dias úteis de férias no trabalho por ano, sem contar fins de semana e feriados. Geralmente eu vou ao Brasil uma vez por ano, e gasto por volta de 20 dos meus dias úteis de férias lá. Isso significa que ⅔ das minhas férias se vão só com a ida ao Brasil. E quando eu eventualmente vou duas vezes no ano (como farei esse ano para ir a um casamento), sobra ainda menos tempo de férias para conhecer novos destinos – por volta de 5 dias por ano só!

Em suma: não se engane – pode parecer mais fácil para mim viajar para lugares novos porque eu moro na Europa, mas na realidade eu não tenho tanto tempo assim disponível para isso.

Então como eu lido com o problema de ter tão pouco tempo? Eu basicamente tento aproveitar ao máximo esse pouco que eu tenho.

“Eu não posso fazer [insira qualquer coisa aqui] porque não tenho tempo”.

Isso NÃO É VERDADE. Todo mundo tem tempo, mesmo que pouco. O que varia de pessoa para pessoa é o que ela decide fazer com o seu tempo. Você não deixa de fazer alguma coisa porque não tem tempo – você deixa de fazer porque você não está disposto a gastar o tempo que você tem fazendo aquilo. (Talvez porque não seja prioridade sua.)

Como dito antes, eu normalmente tenho apenas uns 5 a 10 dias por ano para viagens, dependendo se eu vou ao Brasil uma ou duas vezes no ano. Porém… a boa notícia é que esses são apenas dias úteis – ainda tem fins de semana e feriados que não entram na conta. Então eu tento aproveitar AO MÁXIMO os feriados e fins de semana prolongados que a Alemanha me oferece. E, acredite, eles não são nada frequentes – pelo menos comparado ao Brasil.

O que eu faço é: eu planejo com antecedência e acomodo diferentes viagens nos feriados que eu sei que vou ter durante o ano. O calendário é fixo e você pode obter essas informações com bastante antecedência, então use-as para sua vantagem. Você muito provavelmente não vai me encontrar em Berlim durante um feriadão (a não ser que algo excepcional esteja acontecendo na cidade). Pra mim, isso seria um certo desperdício. Não me interprete mal – eu AMO Berlim e ainda há muito que eu quero ver e fazer aqui, mas a minha lógica é: eu posso passear na cidade onde moro em qualquer fim de semana comum. Fins de semana prolongados? Esses são raros e preciosos, e devem ser usados com sabedoria.

Se você mora no Brasil ou na América do Norte ou na Austrália, por exemplo, não é tão fácil visitar outro país durante um feriadão. A distância é enorme, e os preços não ajudam. Vivendo na Europa, eu geralmente faço diversas viagens curtas ao longo do ano. Mas, se você não vive aqui, talvez possa fazer menos viagens por ano, mas por períodos de tempo mais longos. Ou ao invés de viagens para o exterior, você pode explorar o seu próprio país. Esses são apenas estilos diferentes de viajar, mas possíveis e prazerosos de qualquer forma. Além do mais, no Brasil existem tantos feriadões – às vezes 11 por ano! – então faça bom uso deles.

Problema #2: DINHEIRO

Esse ponto não é tão problemático assim contanto que você esteja disposto a fazer viagens de baixo orçamento. Voos em promoção, hotéis e pensões simples, ônibus, albergues, etc. No atual momento da minha vida, eu não me importo em ficar em um dormitório com banheiro compartilhado por algumas noites. Eu não me importo em comer fast-food eventualmente, ou em usar uma cozinha para fazer algo simples. Eu também não me importo de voar em aviões menos confortáveis dentro da Europa e de levar só uma mala de mão. Provavelmente no futuro eu vou querer mais conforto, de acordo com a minha idade e condição financeira, mas não agora. Porque eu sei que tudo isso significa economizar MUITO.

Como uma boa brasileira, eu gosto de me certificar de que estou pagando os melhores preços. Não é que eu seja ‘mão-de-vaca’ quando estou viajando – eu tenho prazer em pagar uma boa refeição ou uma experiência que eu acredite que valha a pena. Mas eu não gosto de gastar a mais em coisas que podem ser evitadas.

“Gaste dinheiro em experiências, não em coisas.”

A resposta final para tudo: PLANEJAMENTO

Eu ❤ planejar. Eu acredito firmemente que, planejando com antecedência, se consegue a melhor relação custo/benefício. E eu acho que sei porque eu amo tanto fazer planos. Eu sou uma pessoa muito ansiosa, e planejar me proporciona a sensação de que eu estou de alguma forma no controle da minha vida e do futuro. Claro, isso nem sempre é verdade, e só é possível planejar certas coisas. Mas, felizmente, uma viagem é uma dessas coisas que se pode planejar em grande parte.

Planejando com antecedência, você consegue acomodar uma ou mais viagens no pouco tempo livre que você tem por ano, além de economizar dinheiro. Pronto: uma solução para os nossos dois problemas.

Resumindo:

  • Defina quais são suas prioridades para o seu tempo livre. Descubra o que você mais ama fazer. (E experimente coisas novas. Essa é a única forma de realmente descobrir o que você gosta de fazer.)
  • Voce tem sim tempo livre – use-o com sabedoria (nas suas prioridades).
  • Se viajar é uma prioridade para o seu tempo de lazer, planeje com antecedência para otimizar tempo e dinheiro.

“Beleza, planejar uma viagem parece vantajoso e fácil na teoria, mas como você faz na prática?”

Veja a resposta no próximo post aqui:
Como eu planejo minhas viagens (com pouco tempo e dinheiro)

As fases da aprendizagem de um idioma

idiomas
Parando para fazer as contas, eu já passei mais de 16 anos (uns 60% da minha vida) aprendendo 3 línguas estrangeiras. Sempre estudei idiomas paralelamente à minha atividade principal (escola, universidade, trabalho) e, por falta de tempo, infelizmente nunca de forma intensiva ou
full-time. E eu sinto que passo por diferentes fases no processo de aprendizagem de um novo idioma. Nada que seja verdade absoluta ou comprovado cientificamente – apenas uma conclusão tirada a partir de observações pessoais. Para exemplificar vou usar o alemão, que estou estudando agora.

Fase 1: O choque inicial

A fase de teste. Você acabou de começar a aprender uma língua. Tudo é novo. Ainda não sabe direito o que esperar, e é cedo demais para dar um veredito. A princípio, o idioma parece muito mais complicado do que você imaginava.
Pensamentos frequentes:

  • Se logo nas primeiras aulas de alemão eu aprendi que “com licença” é ENTSCHULDIGUNG – imagina as bombas que ainda vêm por aí!
  • Quem foi mesmo que disse que alemão é parecido com inglês?!
  • Será que algum dia eu vou ser capaz de dizer com segurança que eu falo esse idioma?

Fase 2: O progresso exponencial

O susto inicial passou. Você já se conformou que alemão tem 4 casos, 3 gêneros, dezena e unidade invertidas, verbos no final das frases e palavras gigantes. Não te surpreende mais. Já pegou o jeito. A cada aula você está aprendendo algo novo. Você sente na pele que está melhorando todos os dias, o que te dá motivação para continuar. Consegue até falar um pouco na rua e entende o que os outros estão falando, pelo menos o contexto.
Pensamentos frequentes:

  • Olha só, eu consegui entender essa piada da Internet em alemão! Que incrível!
  • Claro, eu ainda não sei tudo e cometo muitos erros, mas isso é de se esperar, pelo nível em que eu estou.
  • Até que alemão não é tão difícil assim.

Fase 3: A bipolaridade: orgulho x frustração

Você já está estudando aquele idioma há alguns anos e agora está em um nível avançado. Toda a gramática já foi dada em aula, não há muitos tópicos novos, é praticamente tudo revisão e exercício. Não é todo dia que você sente que aprendeu algo novo, o que pode ser frustrante. Você consegue se comunicar, se vira muito bem, conversa com todo mundo, mas ainda não está 100% confiante, comete erros e te falta vocabulário. Você sente que SABE, mas não tanto quanto você gostaria. A cobrança pessoal e a expectativa dos outros são grandes, pelo tempo decorrido. Às vezes, você acha que sabe muito e se sente super confortável com o idioma. Outras vezes, pensa que há tanta coisa que ainda não sabe e que falta muito para alcançar a proficiência. Se te perguntam se você fala alemão, a resposta é: SIM – mas não completamente fluente. Os seus amigos alemães sempre elogiam a sua capacidade no idioma e isso te deixa orgulhoso. Você tenta se lembrar dessa sensação positiva para se manter motivado.
Pensamentos frequentes:

  • Nossa, eu acabei de ter uma discussão sobre um tema complicado em alemão… Não sabia que era capaz disso tudo.
  • Por que eu cometi esse erro idiota? Eu já deveria saber isso.

Fase 4: Enfim, a naturalidade da proficiência

Você agora se garante. Pode conversar com qualquer nativo sem problemas. Conhece termos difíceis e específicos. Você vive o idioma. A construção das frases sai naturalmente, não tem que ficar pensando antes de falar ou escrever. Se comete erros, percebe imediatamente e os corrige. Você geralmente só percebe que está nesse estágio depois de estar nele um certo tempo.


Se colocarmos essas fases na famosa “curva de aprendizagem”, fica assim:
fases aprendizagem

Eu estou na fase 3 do alemão, sonhando com a 4. Como infelizmente não tenho todo o tempo do mundo para me dedicar ao estudo da língua, tento buscar um equilíbrio entre o perfeccionismo e a conformação. Constantemente eu tenho que lembrar a mim mesma que eu devo sempre tentar me aperfeiçoar, mas sem cobrar tanto de mim. A chave é a exposição constante ao idioma. Devagar e sempre.

7 pensamentos para minimizar a saudade do Brasil

saudade

“Tudo bem que você adora morar lá e já está muito bem adaptada, mas… você não morre de saudade de casa?”

Essa é uma das perguntas mais frequentes feitas a quem mora no exterior. E comigo não é diferente.

A resposta que sempre dou é: claro que dá saudade da família, dos amigos, do clima, da comida, e do Brasil em si. Tem dias em que bate mais forte do que em outros. Mas em geral é uma saudade tolerável, e não determinante.

Porque ao longo do tempo a gente acaba desenvolvendo “técnicas” para lidar com a saudade. E eu vou contar pra vocês as minhas. São pontos que eu tento lembrar a mim mesma quando a saudade tenta me invadir.

1. A vida é feita de escolhas

“Ou isto, ou aquilo”, já dizia Cecília Meireles.

Uma das coisas que mais ativa a saudade é ficar pensando em tudo de bom que se está “perdendo” na sua cidade natal. De fato, tem muita coisa legal acontecendo lá na sua ausência, porém, é uma troca: você está deixando de viver várias coisas lá para viver várias outras aqui. É preciso focar em tudo o que se está ganhando por estar ali, ao invés daquilo que se está perdendo no Brasil. Seja feliz no aqui e agora.

“É chocante e libertador – ninguém precisa de você pra seguir vivendo.”
(Texto de Antônia no Divã)

“Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!”

Cecília Meireles
(resumindo a história da minha vida)

2. Minha vida no exterior me satisfaz

Para o método #1 funcionar, é imprescindível estar satisfeito com o novo lar. Claro que nenhum lugar é perfeito, e não-tá-fácil-pra-ninguém, mas é importante saber claramente os seus motivos e objetivos para estar morando onde você mora. Para quem vive em em outro país por obrigação e não por escolha própria, ou odeia o trabalho que tem, ou deixou um parceiro no Brasil, a saudade tende a parecer mil vezes maior. É essencial gostar de morar na sua nova cidade (se possível, amar) e construir uma vida que te dê prazer, incluindo casa, trabalho, amigos, vida social e hobbies.

3. Sair da zona de conforto faz parte da experiência

Como dito no #1, pensar em tudo o que é melhor no Brasil causa saudade. Da mesma forma, pensar em tudo o que é pior no seu novo lar também provoca comparações e, consequentemente, saudade.

Dizem que é preciso ter ‘mente aberta’ para viver no exterior, e como é verdade! O inverno na Europa é frio pra caramba? SIM. Eu odeio frio? Muito! Mas eu estou disposta a tentar conviver com ele, por alguns meses do ano. Alguns alemães são grossos? Com certeza. Mas isso me faz desenvolver maneiras de me comunicar com tipos diferentes de pessoas – eu que estava acostumada a lidar só com pessoas sorridentes. Tudo é uma questão de ponto de vista.

Tem gente que não gosta de mudanças e simplesmente não quer se adaptar. E tudo bem! Cada um com a sua personalidade. Mas quem quer ser feliz ao morar no exterior precisa estar disposto a viver de forma diferente. Eu sofro de verdade por não comer arroz com feijão todo dia? Na verdade, não.

4. Internet, eu te amo!

Nessa era maravilhosa de tecnologia e globalização, fica muito fácil e prático manter contato internacional. Eu procuro estar sempre atualizada sobre a vida dos meus amigos, mesmo longe. Procuro saber como eles estão, o que andam fazendo e quais seus planos futuros. E sempre que eu vejo alguma coisa que me faz lembrar alguém, ou tenho algo a dizer, eu mando na mesma hora um áudio, um link, ou uma foto.

“Ah, mas não é a mesma coisa falar com um amigo por Skype, Whatsapp ou Facebook…
Pessoalmente é muito melhor.”

COM CERTEZA pessoalmente é muito melhor, e não há rede social que possa substituir um abraço, ou a sua presença em carne e osso no casamento do seu primo, ou no almoço de dia dos pais. Sem dúvida. Isso é indiscutível. Mas… já é uma GRANDE ajuda. Eu converso com os meus pais no Skype pelo menos umas 3 vezes por semana. Minha mãe inclusive diz que eu converso mais com ela quando estou no exterior do que quando estou de visita no Brasil, quando eu tenho que dividir a atenção entre tantos parentes e amigos (risos). O que me leva ao quinto ponto…

5. Daqui a pouco chega a hora de visitar o Brasil

E que hora mais feliz!!!

Eu tento ir ao Brasil pelo menos uma vez por ano. E, tendo muitos amigos e familiares e só algumas semanas para visitar, eu tento otimizar o meu tempo ao máximo. Cada horário de cada dia é destinado a visitar alguém e/ou algum lugar e/ou comer alguma comida brasileira. Se possível, todas as opções juntas.

Eu também prefiro ir para o Natal e Ano Novo porque é justamente nessa época em que a maioria das pessoas se reencontra para festas de fim de ano e confraternizações. Assim fica muito mais fácil rever diferentes grupos de amigos e matar a saudade de várias pessoas queridas ao mesmo tempo. Aproveitar bem cada visita é essencial (e suficiente) para conseguir ‘’zerar’’ a saudade – pelo menos por algum tempo.

6. Não é só porque eu moro longe que eu não vejo todos os seus amigos o tempo todo

Quando eu estou no Brasil revendo um grupo de amigos, é muito comum eu ouvir:

“Sabe, eu encontro você só uma vez por ano, mas parando pra pensar… eu encontro esses outros amigos aqui umas 2, no máximo 3 vezes por ano. E olha eles moram na mesma cidade que eu.”

Esse é um fato que, apesar de lamentável, me conforta. Eu tento me lembrar disso quando eu penso que lá no Brasil todo mundo se reúne o tempo inteiro e só eu estou longe, excluída. A verdade é que todo mundo tem a sua vida, seu trabalho, sua rotina, e nem sempre consegue se encontrar, mesmo vivendo perto (o que é uma pena). E quando eu estou de visita no Brasil, os meus amigos fazem uma forcinha extra para me encontrar, porque sabem que eu não estou lá sempre. Olha que privilégio!

Fora que muitas vezes os meus amigos no Brasil estão se comunicando entre si por… isso mesmo, Whatsapp e Facebook! Da mesma maneira que eu com eles.

Este é o meu lembrete “se é que serve de consolo”.

7. O que é verdadeiro permanece

Todos nós mudamos com o tempo – seja quem mora no exterior ou no Brasil. Pessoas mudam, circunstâncias mudam, mas amizades não necessariamente. Toda vez que eu vou ao Brasil eu tenho a sorte de ver de perto que a minha relação com amigos e familiares queridos não mudou. Pode passar o tempo que for: quando eu os encontro, parece que estive sempre ali.

E aí eu penso: UFA! =)

“Amizade verdadeira não é ser inseparável,
é estar separados e nada mudar”

Essa é uma certeza maior do que qualquer saudade.